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DC Absolute: Como começar a ler as HQs best seller que já chegaram ao Brasil, com Batman heavy metal, Mulher-Maravilha bruxa e Superman fugitivo?

 

DC Comics/Divulgação

Iris Italo Marquezini


Uma das sagas de maior sucesso da DC Comics já deu as caras no Brasil! O Universo DC Absolute já está disponível no país com Batman Absolute e Superman Absolute, e a Mulher-Maravilha Absolute sendo a próxima a chegar às estantes. Antigos fãs desses personagens e novos leitores de HQs da DC podem se maravilhar com uma reinvenção que altera características fundamentais, mas mantém a essência e a valentia como pontos indispensáveis.


Toda essa abordagem acontece por influência de Darkseid, que molda um universo onde o mal prevalece e os personagens perdem os privilégios que tiveram quando jovens. Isso vale especialmente para Superman, Batman e Mulher-Maravilha, que deixam de crescer na fazenda dos Kents, na mansão dos Wayne e entre as Guerreiras Amazonas de Themyscira, respectivamente.


Essa proposta serve como ponto de partida para curiosos, já que inicia uma história inédita com conceitos e personagens praticamente novos, e também engaja fãs antigos interessados em descobrir o quão diferentes esses heróis podem ser. Algumas das subversões mais interessantes, inclusive, acontecem com os personagens de apoio, como Alfred, Lois Lane e Bárbara Minerva, que ganham papéis surpreendentes para quem os conhece de outras mídias.


Por onde começar a ler?


DC Comics/Divulgação

É possível começar a ler o Universo DC Absolute a partir de qualquer uma das primeiras edições que exploram Batman, Superman ou Mulher-Maravilha, já que as histórias não são diretamente conectadas e possuem artistas e autores independentes entre si. Ou seja, os leitores que acompanharem todas as edições vão ter mensalmente uma diversidade de histórias muito grande, com tom e gêneros variados sendo explorados a partir dos personagens já amados pelo público. 


Em Batman Absolute, de Scott Snyder e Nick Dragotta, vemos o personagem sem muitos dos privilégios da infância vistos em outras versões, mas com o mesmo objetivo de causar medo nos inimigos para garantir a paz. Essa versão ganhou destaque nas redes sociais pela proposta brutal, pelo novo design dos vilões, que se tornam monstruosidades literais, e pelo visual do Batman empunhando um machado gigante com o símbolo do morcego no peito.


Em Superman Absolute, de Jason Aaron e Rafa Sandoval, o herói vem de uma Krypton mais estratificada e desigual que em outras versões, chegando à Terra já adolescente. Kal-El, portanto, não é o Clark Kent que conhecemos. O jovem passa a ser perseguido por forças de segurança preocupadas com o “imigrante ilegal” superpoderoso que ajuda trabalhadores explorados. O personagem inclusive aparece no Brasil, ajudando mineradores com seus poderes. Mais uma vez, o senso de justiça do Superman o desafia e o coloca em perigo.


Em Mulher-Maravilha Absolute, de Kelly Thompson e Hayden Sherman, a personagem é criada na infância não pelas Amazonas, mas pela bruxa Circe, no inferno. Já adulta, Diana possui magia e empunha uma espada gigantesca usada para enfrentar um Kaiju logo nas primeiras edições. Mesmo com essa origem sombria, ela aprende com Circe a manter a mesma determinação e bondade vistas em outras versões. Fãs de obras com mitologia grega, como Hades 2 e Percy Jackson, vão se encantar com essa HQ, premiada com o Eisner.



Quais HQs já estão disponíveis no Brasil? Quais estão por vir?


DC Comics/Divulgação

Batman Absolute e Superman Absolute já estão disponíveis, com as edições da Mulher-Maravilha Absolute chegando em 14 de novembro de 2025. É possível adquiri-las em bancas, lojas online ou nos pacotes de assinatura da Panini Comics.


Outros personagens do Universo DC Absolute também estão a caminho. Absolute Flash, de Jeff Lemire e Nick Robles; Absolute Martian Manhunter (Caçador de Marte), de Deniz Camp e Javier Rodríguez; e Absolute Lanterna Verde, de Al Ewing e Jahnoy Lindsay, já foram lançados nos EUA, mas ainda não têm previsão de chegada ao Brasil.


O que é preciso ler para entender o Universo Absolute?


DC Comics/Divulgação

Nada! A ideia do Universo DC Absolute, além de servir como porta de entrada para novos leitores, é apresentar heróis e vilões já conhecidos do público com uma nova abordagem: e se esses personagens fossem em um mundo menos privilegiado? A série se tornou um sucesso por trazer novas ideias sem perder a essência dos personagens, adicionando novas camadas para o público já acostumado com essas histórias descobrir.


O máximo de leitura prévia recomendada é a HQ DC Sem Limites Especial (Volume 1), um prelúdio que explica como Darkseid criou esse universo distorcido pela própria maldade. Ainda assim, não é uma leitura essencial, já que as tramas principais começam sem menções diretas a esse evento, focando em situar o leitor nessa nova ambientação.


Mesmo que parte da graça esteja em reconhecer o que foi alterado, as HQs fazem um ótimo trabalho de introduzir conceitos e personagens sem afastar quem está chegando agora ao universo dos quadrinhos da DC Comics.


No começo do mês, o Universo DC Absolute ganhou uma HQ especial chamada Absolute Evil, que promete conectar alguns dos acontecimentos das séries principais. Ainda é cedo para comentar sobre ela, já que os leitores brasileiros precisarão esperar um pouco para conferi-la. Mesmo assim, cada trama publicada até agora funciona de maneira independente, o que dá aos artistas e autores uma liberdade criativa tremenda — com tons, estilos e propostas completamente diferentes entre si. Um exemplo é a HQ do Caçador de Marte Absolute, que presta homenagem às histórias clássicas e psicodélicas de quadrinhos.



Eaí, qual personagem da DC Comics você mais espera ver reinventado nessa versão do Universo Absolute?


Snyderverso: Da Ascenção a Queda - Especial edição 2010

Na década de 2010, a Marvel começava a alcançar o auge de sua popularidade nos cinemas. Nessa época, a Fase 2 do seu universo cinematográfico já estava em andamento, e o sucesso parecia garantido. Diante desse cenário, a Warner Bros., detentora dos direitos da DC Comics, percebeu a necessidade de reagir. Foi então que decidiu criar seu próprio universo cinematográfico.

​A proposta era semelhante à da concorrente: lançar filmes interligados dentro de um universo compartilhado. Em 2013, foi lançado O Homem de Aço, dirigido por Zack Snyder, marcando o início do chamado DCEU (Universo Estendido da DC).

​A ideia era promissora, especialmente porque ao contrário da Marvel, a DC possuía os direitos sobre todos os seus personagens, o que lhe daria liberdade criativa para desenvolver suas histórias como quisesse. Na prática, as coisas não saíram como o estúdio esperava. Houve diversos fracassos de bilheteria, inúmeros problemas internos nos bastidores e, por fim, o encerramento completo de um universo que tinha potencial para superar até mesmo o que a concorrente havia construído.

​Mas o que de fato aconteceu? Por que o DCEU não deu certo? É o que vamos analisar nesta matéria especial!

​Zack Snyder foi escolhido para liderar o projeto do universo cinematográfico da DC e iniciou seus trabalhos com O Homem de Aço. O diretor já era conhecido por seu histórico de sucessos como Madrugada dos Mortos (2004), 300 (2006) e Watchmen (2009). Enquanto a Marvel seguia por um caminho mais leve, com tons claros e uma abordagem bem-humorada, Snyder optou por um estilo mais sério e sombrio, inspirado na fórmula que funcionou nos filmes do Batman dirigidos por Christopher Nolan.

Henry Cavill como Superman em 'O homem de aço' - Foto: Divulgação

O Homem de Aço teve uma recepção mista. Um dos principais pontos de crítica foi a representação do Superman, tradicionalmente visto como um símbolo de esperança, mas que no filme foi retratado de forma melancólica e sombria. Além disso, o roteiro apresentou problemas, como a morte do pai de Clark Kent de maneira pouco convincente, e uma batalha final extremamente destrutiva, na qual Superman e o vilão Zod devastam a cidade sem grandes preocupações com as consequências.

​Apesar dessas falhas, o público ainda demonstrava entusiasmo com o futuro do universo cinematográfico da DC. No entanto, a Marvel já havia consolidado seu universo com mais de seis filmes lançados, o que pressionou a Warner a acelerar o desenvolvimento de seu próprio universo compartilhado para competir diretamente com a rival. Foi nesse momento que os problemas começaram a se intensificar.

Batman vs Superman: A Origem da Justiça foi lançado em 2016 como uma sequência direta de O Homem de Aço. O principal objetivo do filme era expandir o universo cinematográfico da DC, introduzindo novos personagens como Batman, Mulher-Maravilha, Flash e Ciborgue. Além disso, buscava estabelecer os futuros vilões e iniciar a formação da Liga da Justiça por meio da união da chamada Trindade da DC.


Imagem: Divulgação Warner Bros.  

No entanto, a tentativa de abordar tantas camadas narrativas em um único filme acabou comprometendo o desenvolvimento da trama. O marketing também contribuiu para a recepção negativa: os trailers revelaram momentos importantes que poderiam ter sido grandes surpresas, como a aparição da Mulher-Maravilha e do vilão Apocalipse.

​As críticas se concentraram principalmente na falta de ação durante boa parte do filme, o que gerou frustração no público, especialmente porque o título prometia uma batalha épica entre os dois maiores heróis da editora. Embora o confronto entre Batman e Superman aconteça, ele ocorre apenas mais adiante na narrativa.

​A falta de fidelidade aos personagens também foi alvo de críticas por parte do público. Um dos pontos mais controversos foi a representação do Batman, que aparece matando criminosos fugindo completamente da essência do personagem. Além disso, a versão de Lex Luthor apresentada no filme gerou estranhamento, sendo considerada caricata e distante da figura clássica do vilão. Outro fator que causou polêmica foi a morte precoce do Superman, vista por muitos como uma decisão precipitada dentro da construção do universo.

​Por outro lado, a introdução da Mulher-Maravilha foi bastante elogiada. Sua presença trouxe força e carisma ao longa, e suas cenas de ação foram destacadas como alguns dos melhores momentos do filme.

​Dando sequência ao universo, a Warner lançou Esquadrão Suicida, que acabou sendo considerado um dos piores filmes da DC. A produção enfrentou duras críticas por seu roteiro confuso, edição problemática e desenvolvimento superficial dos personagens. Apesar disso, dois nomes se destacaram positivamente: Arlequina, interpretada por Margot Robbie, e Amanda Waller, vivida por Viola Davis. Ambas foram mantidas em projetos futuros devido à boa recepção do público.

​Em seguida, veio Mulher-Maravilha, que representou um respiro para o DCEU. O filme foi amplamente aclamado, especialmente por sua história de origem bem construída, cenas de ação envolventes e uma abordagem mais leve e inspiradora, contrastando com o tom sombrio predominante nos filmes anteriores. A personagem de Diana Prince conquistou o público e se consolidou como um dos pilares do universo da DC nos cinemas.

Esse universo tambem contou com o lançamento de Shazam! Que trouxe uma pegada bem leve e divertida que agradou bastante o público e aquaman que foi considerado uma obra de arte por muitos fãs.  Devido a boa recepção desses filmes todos eles ganharam uma sequência

O Início da Queda

Créditos: imagem do portal Cinepop

​Até então, os filmes do universo cinematográfico da DC apresentavam uma trajetória marcada por altos e baixos. Enquanto alguns títulos alcançavam boas bilheterias e agradavam ao público, outros eram duramente criticados, o que levou a Warner a perceber que a abordagem sombria adotada até então não estava funcionando como esperado. Diante do crescimento contínuo da Marvel, que apostava em filmes mais leves, com humor e apelo familiar, a DC decidiu seguir uma linha semelhante.

​Originalmente, Liga da Justiça seria uma trilogia que seria lançada entre os filmes solo dos personagens, num ambicioso plano de expansão do DCEU. Com a recepção mista de Batman vs Superman, a Warner já estava pressionando Snyder a deixar tanto Liga da Justiça quanto suas próximas produções, pois queria mudar o tom de seus filmes para algo mais alegre. Até que a tragédia familiar fez o diretor sair do projeto. Em meio à produção do longa, Autumn Snyder, filha do diretor, faleceu aos 20 anos. Abalado pela tragédia pessoal, Snyder se afastou do projeto, e a Warner decidiu trazer Joss Whedon, que era um dos roteiristas, para finalizar o filme.

​Conheido por dirigir Os Vingadores e Vingadores: A Era de Ultron, Whedon foi considerado, pelos fãs da DC, um dos grandes vilões desta história. Isso porque o roteirista, produtor e diretor de cinema e televisão mudou todo o filme em relação à ideia original, além de todos os problemas que aconteceram durante as refilmagens do filme após a saída de Snyder. 

 cineasta era um cara com bastante experiência em quadrinhos, não só por ter dirigido Vingadores 1 e 2, mas por já ter atuado em HQs da própria Marvel, escrevendo Surpreendentes X-Men (2004 - 2008) e Fugitivos (2007-2008). Além disso, Joss foi um dos criadores, produziu e dirigiu a série Agents Of S.H.I.E.L.D, lançada em 2013. Ou seja, ele entendia bem do assunto! Acontece que, quando foi chamado para substituir Snyder, a Warner pediu para que Whedon mudasse o tom do filme para algo mais animado e retirasse todo aquele tom sombrio e realista, mas as coisas ficaram bem ruins.

​Antes do lançamento do filme, Liga da Justiça gerou um enorme hype, o que já era de se esperar, pois era uma das adaptações mais esperadas entre os fãs. Sendo o quarto filme mais caro da história do cinema, com orçamento de 300 milhões, Liga da Justiça teve sua estreia em 17 de novembro de 2017 e arrecadou US$ 657 milhões mundialmente. Gerou críticas mistas: uns elogiaram o tom mais leve do filme e outros criticaram pelo filme ter sido "Marvelizado". Os fãs mais "hardcore" da DC consideram o filme um verdadeiro fracasso, pois acreditavam que toda a construção do Snyderverso teria sido desfeita. Foi quando começaram a cogitar que uma possível versão do diretor existia, mas que a Warner havia proibido o lançamento. O rumor, então, espalhou-se pela Internet e os fãs começaram a pedir nas redes sociais o que foi chamado de Snyder Cut, o corte de Zack Snyder. A tag ganhou força e até os atores, como Ray Fisher e Gal Gadot, intérpretes do Cyborg e da Mulher-Maravilha, apoiaram o movimento.

​O próprio Snyder vinha dando pistas de que existia uma versão sua do filme; ele chegou a mostrar sua versão "assistível" para os executivos da Warner Bros. que teriam vetado o projeto. A luz no fim do túnel veio com o lançamento do HBO Max, serviço de streaming da Warner. Os executivos da WarnerMedia concluíram que seria interessante ter um conteúdo exclusivo para uma base enorme de fãs já existente e injetaram de US$ 20 milhões a US$ 30 milhões para que o projeto fosse terminado. E apesar de a Warner Bros. não ter curtido muito essa manobra, o Snyder Cut foi anunciado em maio de 2020 e foi oficializado como material promocional da WarnerMedia. Desde seu anúncio oficial, Snyder sempre soltou informações sobre o que podíamos esperar do filme, e cada informação que ele passava gerava um hype ainda maior.

Imagem de divulgação

Liga da Justiça de Zack Snyder teve seu lançamento em 18 de março de 2021 na plataformas de streaming HBO Max e teve uma ótima recepção do público. A nova versão de Liga da Justiça contou com cenas inéditas e personagens novos, como o Caçador de Marte, Lanterna Verde, Iris West e até mesmo o próprio Darkseid. O visual de alguns personagens foi redesenhado, como o do Lobo da Estepe, deixando-o mais assustador. Jared Leto também retornou ao papel do Palhaço de Gotham. Os personagens estreantes, Flash e Cyborg, também tiveram mais destaque, já que no filme de 2017 foram totalmente mal aproveitados. Superman retornou com o aguardado traje preto, que nas HQs significa o renascimento do herói. O diretor explicou o significado do traje e, para ele, é muito mais pessoal.

​Mesmo com o sucesso do corte do Diretor, a Warner já tinha tomado sua decisão de não permanecer com o diretor. É aí que aparece um outro personagem nessa história. Dwayne “The Rock” Johnson estava bastante animado com o lançamento de seu filme Adão Negro. Ele planejava um futuro para a DC nos cinemas aproveitando o universo já estabelecido por Snyder. Ele queria que o universo girasse em torno de seu personagem e, para comprar o público, conseguiu trazer de volta Henry Cavill como Superman, que tinha sido dispensado pelo estúdio. O que ele não contava era que Adão Negro não foi bem nas bilheterias e, com isso, a Warner decidiu cancelar esse universo todo. O estúdio aproveitaria o lançamento do filme do Flash para rebootar todo o universo, já que o filme do velocista escarlate adaptaria o arco de Flashpoint.

The Flash foi um fiasco total, e considerado um fracasso pelo publico e pelo estúdio, o filme dirigido por Andy Muschietti trouxe nomes de peso como Michel Keaton no papel de Batman e o retorno de Michael Shannon como Zod, além da participação especial de George Clooney. O filme tentou implacar um grande fans service trazendo participações do Lendário Christopher Reeves, Nicolas Cage, entre outros. Mas nada disso funcionou, o filme teve uma repercussão muito negativa e selou de vez o universo criado por Zack Snyder.  

​Um Novo Início

​Com o fim do universo anunciado, muito se perguntava o que seria do futuro da DC. Foi quando a Warner aproveitou a confusão entre o diretor James Gunn com a Marvel e anunciou que ele, junto com Peter Safran, estariam à frente do novo universo. Logo foi anunciado que todo o elenco de Liga da Justiça seria substituído e a única série que seria aproveitada para o novo universo seria a do Pacificador. Depois foi anunciado que o filme do Besouro Azul também faria parte do novo universo, já que ele não fazia nenhuma ligação ao universo criado por Zack Snyder.

​DC Hoje

James Gunn, David Corenswet e Nicholas Hoult nos bastidores de Superman (2025)

​Atualmente, o novo universo de Gunn teve o filme do Superman lançado, que foi um sucesso de bilheteria e de crítica, com o filme tendo um tom totalmente diferente do universo anterior. Uma sequência foi anunciada pelo próprio diretor, porém, nas últimas semanas, a Warner anunciou que estava à venda, gerando dúvidas e incertezas sobre Gunn e o futuro da DC.

​Com essa sensação de incerteza, nós, fãs da DC, esperamos muito que o futuro da DC seja glorioso, tão glorioso quanto suas HQs e animações.


DC Comics | Superman pode estrelar HQs da Marvel em 2036? Entenda como!

 

Arte por Joe Shuster e Jerry Siegel ( DC Comics )


Criado por Jerry Siegel e Joe Shuster em 1938 para a revista Action Comics, Superman, o maior super-herói de todos os tempos, poderá passar por mudanças radicais a partir de 2036, ano em que o personagem entrará em domínio público nos Estados Unidos.


Diversos autores consagrados dos quadrinhos já demonstram interesse nas possibilidades criativas que o domínio público de Superman poderá oferecer. Entre eles está Rob Liefeld, roteirista e ilustrador da Marvel, que revelou no podcast Millar Time já estar desenvolvendo um projeto pessoal para o personagem, planejado para ser lançado assim que a lei do domínio público valer para o personagem. E o editor-chefe da Marvel, Tom Brevoort, já deixou em aberto a possibilidade de usar o personagem na Casa das Idéias.


A situação tem sido um terror dentro da DC Comics, que atualmente passa por um processo de reestruturação de seu universo cinematográfico que está feito a partir do Homem de Aço. A editora e o estúdio, agora, buscam reafirmar seus direitos sobre o personagem enquanto enfrentam o avanço do prazo para o domínio público, fazendo, inclusive, James Gunn adiou a sequência do novo filme do Superman para 2027.


Superman na republicação The Golden Age Vol.1  ( DC Comics )


Contudo, a versão que cairá em domínio público será limitada ao herói original criado para a Action Comic, e isso já cria algumas limitações comerciais e criativas para quem queira usar daqui a dez anos. Há precedentes de personagens que, ao entrarem em domínio público, foram reimaginados em diferentes mídias, como o Ursinho Pooh, que ganhou adaptações no gênero de terror, e o Mickey Mouse, que já apareceu em produções independentes e jogos. Seguindo essa tendência, a Marvel pode explorar o mesmo modelo criativo para incorporar o Superman em seu universo, abrindo espaço para interpretações autorais e histórias fechadas. Uma hipótese curiosa seria uma versão sombria do Superman, nos moldes de Brightburn, ambientada dentro do universo Marvel. As possibilidades criativas da Casa das Ideias seriam praticamente infinitas, mas resta aguardar até 2036 para descobrir como os artistas irão reinterpretar o maior herói dos quadrinhos.


Fontes: Millar Time, podcast de Mark Millar.

Cultura | Quando Morrem os Heróis

Arte por Dave Gibbons  ( DC Comics )

Não faz tanto tempo que um velho homem, de olhos cansados, cabelos grisalhos e barba longa, mago consagrado por seus quadrinhos publicados em larga escala , deixou escapar, em uma entrevista ao The Guardian, um comentário carregado de certa amargura pelas péssimas experiências que teve em sua carreira de escritor.“A fandom é uma parte vital da cultura contemporânea”, comentou, “e, ao mesmo tempo, uma praga grotesca que envenena a sociedade com suas obsessões mesquinhas”.

Quando Alan Moore ( Watchmen, Monstro do Pântano e V de Vingança ) proferiu tal comentário, é quase inevitável pensar que a memória dele tenha se recordado de Watchmen. Não apenas à obra enquanto projeto fechado, concebido para existir em sua própria clausura, mas ao fato de que ela ruiu diante do mercado editorial, em geral. O que deveria ser uma publicação fechada acabou por engendrar um imaginário inteiro, expandindo-se muito além do que o autor pretendia, ocupando espaços inteiros da Cultura Pop. E nesse movimento, a distorção tomou forma como uma crítica à figura heroica, construída como um espelho quebrado de um mito cultural, foi prontamente absorvida e reapropriada pela própria indústria que pretendia desnudar, tal qual já foi bem abordado pelo meu colega Higor, em seu artigo aqui, na Jovem Geek


Arte por Dave Gibbons  ( DC Comics )

O que o corpo editorial da DC fez, após o estrondoso sucesso comercial de Watchmen, como todo mercador hábil no jogo capitalista, foi destilar Watchmen até a exaustão. Desde as reimpressões da obra original, lançadas em edições de colecionador que elevavam o preço e convertiam o gesto autoral de Moore em mercadoria de luxo, até as tentativas de “expandir” seu universo, como Antes de Watchmen (roteirizado por Brian Azzarello, J. Michael Straczynski, Len Wein e Darwyn Cooke) e Doomsday Clock (de Geoff Johns), tudo parecia movido pelo mesmo desejo de capitalizar sobre aquilo que foi concebido para ser uma obra a parte e mais autoral. Nesse processo, consolidou-se uma ideia de que o herói deveria ser sombrio, violento, essencialmente corrompido. Sob a sombra de Watchmen, o mercado dos quadrinhos abraçou essa estética do desencanto, fazendo dela o padrão dominante da década de 1980 até meados dos anos 2000, a partir de títulos como The Boys, Kick-Ass e The Authority. Foram mais de duas décadas dedicadas a desconstruir o herói, num ciclo contínuo de falência ética e erosão da bondade genuína.

Em relação a Watchmen, o mercado não mergulhou nas águas profundas da obra, mas preferiu sorver apenas a espuma da superfície. O brilho fácil, a embalagem vendável, a sombra de uma densidade que já não existia mais, de fato. E nessa atitude, talvez o mais grave aconteceu, que foi a deslocação de destinatário. Ao produzir apenas para adultos, apagou deliberadamente aqueles que haviam sido, desde sempre, o público vital da fantasia heroica, sendo elas crianças, adolescentes, jovens, como se o mito pudesse sobreviver amputado de sua origem mais inocente e, portanto, mais fértil.

Dessa distorção nasceu justamente o fandom que Moore criticou ao The Guardian. Não aquele que se limita a acompanhar, a celebrar universos ficcionais e a reconhecer o gesto criativo, mas uma caricatura amargurada, moldada na esteira de Watchmen, da figura doente de Rorschach. É um coletivo que, movido pela frustração, pelos olhos avermelhados e bocas espumantes, encontra no ódio um ponto de convergência: ataca minorias, dissemina discursos rancorosos, como no caso exemplar do movimento Comicsgate. Essa deriva não é alheia ao vazio doméstico — filhos que não ouviram o “não” firme de seus pais transformam-se em adultos que exigem da sociedade inteira a legitimação de suas mesquinharias. O resultado é uma comunidade presunçosa, capaz de irradiar uma influência profundamente nociva no tecido social. 

Paralelamente, assiste-se à degradação moral da própria mitologia heroica, tendo em vista que os personagens, antes depositários de ideais, passam a ser consumidos como figuras corrompidas, contaminadas por um niilismo que Moore, aliás, rejeitou publicamente em mais de uma ocasião.


Arte por Dave Gibbons  ( DC Comics )

E então se impõe a pergunta: qual seria o contra-veneno para essa assimilação corrompida da figura heroica? A resposta não tardou a aparecer, alguns anos após o impacto de Watchmen, justamente quando o boom dos quadrinhos adultos guiava os rumos da indústria. Veio não de uma reinvenção marginal, mas do maior dos heróis. Foi o Superman quem se ergueu, nos quadrinhos, contra a Elite — figuração quase alegórica não apenas do anti-herói fabricado a partir da leitura enviesada de Moore, mas também do fã niilista, saturado de cinismo, convicto de que personagens de coração puro já não tinham lugar. No confronto, não se travava apenas uma batalha entre superpoderes, mas um embate simbólico: a defesa da possibilidade de um ideal contra a corrosão generalizada do desencanto.


Arte por Lee Bermejo e  Doug Mahnke ( DC Comics )

A Elite, em Superman: O Que Há de Errado com Verdade, Justiça e um Futuro Melhor? ( Joe Kell, Lee Bermejo & Doug Mahnke ), encarna não apenas o arquétipo dos anti-heróis convictos de que a justiça só se efetiva pela via do medo e do sangue, mas também, de certa maneira, essa comunidade raivosa que se identificou com o Rorschach de Watchmen, por exemplo. Um grupo que transforma o ato de matar em justiça, travestindo brutalidade de eficiência. Superman, em contrapartida, vê-se pressionado pela própria sociedade a ceder a esse pragmatismo sombrio, embora sua recusa em tirar vidas permaneça inabalável. 

Esse grupo — a Elite — é liderado por Manchester Black, personagem britânico criado por Joe Kelly e Doug Mahnke especialmente para essa narrativa. Black encarna, em sua essência, o arquétipo do justiceiro moderno: violento, cínico e moldado por uma ética distorcida que confunde punição com justiça. Sua postura, impregnada do espírito hooligan, legitima a violência como método e a pena de morte como instrumento moral, refletindo a crença de que o medo é a única linguagem capaz de restaurar a ordem. Superman se coloca totalmente contra a esta definição de justiça neste quadrinho.


Arte por Lee Bermejo e  Doug Mahnke ( DC Comics )

O confronto com o grupo, porém, atinge um ponto que, para Superman revelar o quanto essa lógica é, em si, cínica e autodestrutiva, o Homem de Aço resolve jogar segundo as regras da Elite — um gesto calculado para desmascarar a falácia por trás da violência legitimada. 


Arte por Lee Bermejo e  Doug Mahnke ( DC Comics )


Superman, em um primeiro olhar, parece sucumbir à mesma lógica da Elite — mata seus inimigos com a frieza de um justiceiro sem piedade, muito semelhante ao que veríamos ele fazendo em Injustice, por exemplo. Diante dessa imagem distorcida, Manchester Black se vê confrontado pelo espelho de sua própria justiça deformada, incapaz de reconhecer no Homem de Aço o símbolo que julgava conhecer. É nesse instante de desorientação que Superman revela o verdadeiro propósito de sua encenação: mostrar que ser herói não é exercer poder, mas preservar fé — fé nas pessoas, na possibilidade de que elas também escolham o bem. O heroísmo, em sua concepção, transcende o ato de salvar; é antes a insistência em permanecer bom, mesmo quando tudo ao redor convida à corrosão moral. Não o homem forte que resolve sozinho, mas aquele que inspira a força silenciosa do herói adormecido em cada um de nós.


Arte por Lee Bermejo e  Doug Mahnke ( DC Comics )

Por isso, quando morrem os heróis — e morrem, sobretudo, em tempos em que figuras superpoderosas e sanguinárias como as de Watchmen, Invencível, Injustice e The Boys se tornam o novo parâmetro  —, o imaginário coletivo passa a enxergar o mundo em preto e branco, reduzido a um espetáculo de brutalidade. A violência, travestida de realismo, converte-se em escapismo; a resolução fácil, em catarse disfarçada. Moore já havia soado esse alarme: sem a presença do bem como princípio ativo, a narrativa do herói degenera em culto à força. É precisamente aí que se torna urgente resgatar o cerne da bondade — não como ingenuidade, mas como motor ético do agir humano. O herói, em sua essência, é bússola: orienta sobre o certo e o errado, ensina empatia, altruísmo, solidariedade — virtudes que resistem à corrosão do cinismo. E é às crianças, sobretudo, que esse gesto pertence. São elas que absorvem o mundo com mais intensidade e o reconstroem à sua maneira. As histórias destinadas a elas precisam, portanto, voltar a falar de bondade — não como diversão, mas como uma promessa genuína, que é inspirada e vem de dentro. Porque nelas habita o futuro, e é nelas que o herói precisa continuar vivo.

Por fim, expresso minha gratidão à Revista Jovem Geek e a toda a sua equipe pelo espaço concedido para a publicação deste primeiro ensaio sobre quadrinhos. Que ele seja apenas o início de uma trajetória de reflexões mais amplas, porque muitos outros estudos ainda virão, se depender de mim

Review: Superman (sem spoilers)

 

Warner Bros. / Divulgação


O Azulão de Krypton retorna às telonas no novo universo da DC comandado por James Gunn. Será que, enfim, temos a tão esperada salvação da DC? É isso que vamos analisar neste review.

Em Superman, dirigido e roteirizado por James Gunn, acompanhamos a jornada de Clark Kent (David Corenswet) em uma Metrópolis totalmente diferente do que vimos nas adaptações anteriores. Neste novo universo, Gunn nos apresenta um mundo onde super-heróis fazem parte do cotidiano de forma natural e integrada à sociedade.

Esqueça a atmosfera sombria e mais "pé no chão" do antigo universo da DC. Superman chega com uma proposta vibrante, trazendo cores vivas, leveza e uma nova energia para o personagem símbolo da esperança. A mudança de tom é clara e proposital — e pode surpreender tanto antigos fãs quanto novos espectadores.


Warner Bros. / Divulgação

Aqui temos um Superman que, a todo momento, se importa com tudo e todos e quando digo “todos” são todos mesmo. Até com um esquilo, literalmente. Sua preocupação constante durante os combates com tudo ao seu redor revela sua verdadeira essência: a de um herói que está ali para servir e proteger.

Essa característica reforça o que sempre deveria ser a base do personagem: empatia, compaixão e responsabilidade. Gunn acerta ao retratar um Superman humano em suas emoções, mas grandioso em seus valores. Mesmo diante do caos, ele busca preservar vidas, não apenas vencer batalhas — e isso faz toda a diferença.

A história é simples — e isso, definitivamente, é um ponto positivo. O roteiro parece ter sido pensado para agradar todo e qualquer tipo de público, desde os fãs mais antigos até quem nunca leu uma HQ do Superman. Tudo é bem explicado ao longo do filme, sem exigir conhecimento prévio ou referências complexas.

Não há espaço para teorias mirabolantes, cenas "cut" ou tramas excessivamente intrincadas. O filme entrega exatamente o que se propõe: uma nova introdução ao Superman, direta, clara e eficiente. Algumas decisões que podem deixar o espectador com dúvidas são esclarecidas momentos depois, e você entende o que realmente é aquilo.


Warner Bros. / Divulgação

A interação com outros personagens, como a Mulher-Gavião (Isabela Merced), Senhor Incrível (Edi Gathegi) e Guy Gardner, o Lanterna Verde (Nathan Fillion), é um dos destaques do filme. São participações divertidas, bem dosadas e que deixam aquela vontade de ver mais desses heróis no futuro. E quando digo "divertidas", não falo daquele humor forçado com piadinhas deslocadas — são cenas genuinamente engraçadas, que fluem de forma natural.

Nathan Fillion, por exemplo, está hilário como Guy Gardner. Ele entrega as caretas e expressões exageradas do personagem com perfeição, equilibrando o carisma e a arrogância clássica do Lanterna de forma impressionante.


Warner Bros. / Divulgação

O elenco do Planeta Diário também merece destaque. A dinâmica entre Lois Lane (Rachel Brosnahan), Jimmy Olsen (Skyler Gisondo) e os demais colegas de redação é bem construída e funciona muito bem em tela, trazendo leveza e humanidade ao núcleo mais "terrestre" da história.

Mas entre todos os personagens, há dois que realmente roubam a cena. Nicholas Hoult entrega um Lex Luthor como sempre quisemos ver: intenso, frio e perturbador. Sua atuação é poderosa — conseguimos enxergar em suas expressões toda a raiva, inveja, frustração e até a satisfação distorcida que move o vilão. O duelo de diálogos entre ele e o Superman é um espetáculo à parte. A química entre os dois é simplesmente absurda.

Nicholas Hoult como Lex Luthor em 'Superman' (2025) Divulgação/Warner Bros

E o outro personagem que rouba a cena é ninguém menos que Krypto, o Supercão. Sim, é definitivamente um cachorro com superpoderes — e ele é simplesmente sensacional. Atrapalhado, brincalhão e leal, Krypto quase sempre arranca risadas quando aparece em cena, sem perder o tom da história. Sua presença traz leveza e momentos de pura diversão, equilibrando bem a ação com o humor natural que James Gunn sabe fazer.


Warner Bros. / Divulgação 

E não só entre os protagonistas: parece que Gunn escolheu a dedo cada ator, testando a química entre o elenco com precisão. O resultado é um conjunto afinado, onde todos brilham, mas ninguém ofusca o outro. A harmonia entre os personagens dá vida ao filme de uma forma orgânica e envolvente.

Superman é um filme sobre a ascensão dos heróis, e também um filme sobre pais e, principalmente, sobre identidade. A jornada de Clark é profundamente pessoal, e toca diretamente naquilo que faz dele o herói que conhecemos. Como amante de histórias em quadrinhos, tive a sensação de estar literalmente assistindo a uma HQ ganhar vida. James Gunn acerta mais uma vez ao criar um mundo fantasioso, super-heroico e divertido. Esqueça aquela DC realista e melancólica que vimos nas versões de Zack Snyder e Christopher Nolan. Aqui o tom é completamente diferente — e isso é um grande acerto.

Com um CGI competente, uma trilha sonora excelente e uma construção sólida de universo, Superman representa um verdadeiro pontapé inicial para uma nova era da DC. Você sai da sala querendo mais. E isso, para um primeiro capítulo, é tudo o que se poderia desejar.


David Corenswet como Superman em 'Superman' (2025)
Warner Bros. / Divulgação

Superman marca um recomeço promissor para a DC nos cinemas. James Gunn entrega um filme acessível, emocionante e cheio de personalidade, com um elenco afinado e uma visão clara do que quer construir para o futuro do estúdio.

Não é um filme revolucionário, mas talvez justamente por isso funcione tão bem: ele resgata o que há de mais essencial no Superman — esperança, empatia e heroísmo — e traduz tudo isso para um público moderno.

Se você ama o personagem, vai se emocionar. Se não conhece muito bem, vai se encantar.