Eu já estava extremamente ansiosa por The Blood of Dawnwalker desde que comecei a acompanhar o jogo. Eu amo estética gótica, vampiros e toda essa atmosfera sombria, então, quando vi a proposta de um RPG medieval focado em vampiros, já sabia que provavelmente seria um jogo que iria me interessar.
Desenvolvido pela Rebel Wolves, estúdio formado por veteranos de The Witcher 3, o jogo inevitavelmente traz algumas comparações com a série da CD Projekt RED, mas ele tenta construir sua própria identidade através de uma ideia muito interessante: você não tem tempo para fazer tudo.
Ficha Técnica:
Desenvolvimento: Rebel Wolves
Distribuição: Bandai Namco Entertainment
Jogadores: 1 Jogador
Gênero: RPG, Mundo aberto, Fantasia Sombria, Aventura, Ação
Idioma: Português, Inglês. Francês
Plataformas: PC, PlayStation 5, Xbox Series X e Series S
Bandai Namco Entertainment/Divulgação
Uma história sobre humanidade e vampirismo
O jogo não perde muito tempo para apresentar sua premissa. Você já começa entendendo que existe uma ameaça muito maior acontecendo e que, no meio disso tudo, sua família precisa ser salva dos vampiros. Você controla Coen, um jovem que acaba se tornando um Dawnwalker, uma espécie de híbrido entre humano e vampiro. E essa dualidade está no centro de praticamente tudo.
Antes de ser de fato um vampiro, ele faz questão de mostrar quem são esses Lordes Vampiros, como eles agem e, principalmente, por que você não deveria simplesmente se juntar a eles. Você começa entendendo melhor a ameaça e conhecendo a crueldade desses personagens antes de realmente abraçar o lado sobrenatural da história.
Durante o dia, Coen mantém seu lado humano e suas capacidades tradicionais. À noite, o lado vampírico ganha força, permitindo utilizar habilidades sobrenaturais e abordagens diferentes para enfrentar os problemas.
Isso cria uma dinâmica interessante porque você não está simplesmente jogando como "um vampiro", você está tentando descobrir o quanto da sua humanidade ainda existe enquanto começa a experimentar o poder de ser um monstro. Existe um conflito ali.
Isso deixa a transformação de Coen muito mais interessante, porque não parece simplesmente um upgrade de personagem.
Bandai Namco Entertainment/Divulgação
Um mundo medieval extremamente sombrio
Aqui o jogo praticamente foi feito para mim, eu amo estética gótica e vampiresca, então a ambientação de Dawnwalker foi um dos pontos que mais me chamou atenção.
O jogo se passa em uma versão fictícia da Europa Oriental medieval durante a Peste Negra, e o mundo consegue transmitir muito bem aquela sensação de decadência, vilarejos, florestas, castelos, ruínas e áreas dominadas pelos vampiros formam um cenário que parece estar constantemente à beira do colapso.
Existe uma sensação constante de que você está entrando em um mundo que está desmoronando, existe uma diferença muito interessante entre o dia e a noite, e quando a noite chega, essa sensação fica ainda mais forte.
Os vampiros ficam mais presentes, Coen pode explorar melhor suas habilidades sobrenaturais e a sensação de perigo aumenta, ela também representa a própria dualidade de Coen e muda a maneira como você encara aquele mundo.
Bandai Namco Entertainment/Divulgação
O tempo é o verdadeiro inimigo
Aqui está provavelmente a mecânica mais interessante, mas também uma das mais controversas do jogo.
O jogo coloca você contra uma quantidade limitada de tempo e faz suas decisões realmente terem consequências. Você possui 30 dias e 30 noites para salvar sua família, mas não é um contador correndo em tempo real enquanto você explora.
O jogo divide cada dia e cada noite em segmentos, e determinadas ações consomem esses períodos, missões, treinamento, algumas atividades e outras decisões importantes gastam tempo. Explorar livremente e lutar contra inimigos comuns, por exemplo, não faz o relógio simplesmente disparar, isso cria uma situação muito interessante: você não consegue fazer tudo em uma única partida, e isso é proposital.
Além disso, determinadas missões precisam ser concluídas dentro desses períodos, se você pega uma missão e não consegue terminá-la a tempo, ela pode falhar e as consequências acontecem e eu descobri isso da pior maneira possível.
No primeiro dia, eu fracassei em várias missões simplesmente porque ainda não tinha entendido direito como o sistema funcionava e fiquei MUITO triste, porque, como uma amante de sidequests e loot, meu instinto natural é querer fazer absolutamente tudo, só que Dawnwalker basicamente olha para você e fala: “Não, você vai ter que escolher, querida”.
E, apesar da frustração inicial, acho que esse sistema é uma das coisas que tornam o jogo tão interessante, você realmente precisa decidir o que vale seu tempo.
Você pode escolher ajudar determinado personagem, investigar uma área, procurar um equipamento ou seguir uma missão, mas cada escolha significa abrir mão de outra coisa É uma estrutura que incentiva bastante a rejogabilidade e faz com que suas decisões tenham um peso diferente do RPG tradicional.
Bandai Namco Entertainment/Divulgação
Combate
O combate mistura espada, defesa direcional e habilidades sobrenaturais. A parte humana de Coen utiliza principalmente combate corpo a corpo, seja na mão ou na espada, enquanto seu lado vampírico adiciona poderes e possibilidades diferentes durante as batalhas, existe uma preocupação maior com posicionamento e defesa do que simplesmente sair apertando o botão de ataque.
É mais dinâmico assim, e possuindo ataque, defesa e esquiva, acaba tendo um detalhe que deixa tudo muito mais interessante; Você precisa observar o inimigo, defender na direção correta e encontrar oportunidades para contra-atacar. Você pode atacar de diferentes lados e escolher de onde seu golpe vai partir, e a defesa funciona da mesma maneira, se o inimigo está atacando pela esquerda, você precisa bloquear o lado esquerdo, se ele vem pela direita, você precisa acompanhar o ataque e defender aquela direção.
É um sistema relativamente simples de entender, mas que consegue criar bons momentos de tensão principalmente quando você está enfrentando vários inimigos ou precisa decidir quando vale a pena utilizar suas habilidades vampíricas e quando você começa a dominar isso, o combate fica muito satisfatório.
Bandai Namco Entertainment/Divulgação
Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades de Vampiros
Uma coisa que gosto na proposta é que o vampirismo não funciona simplesmente como um "modo fácil", você ganha poderes, mas também existem consequências.
Coen precisa lidar com sua fome e com a própria natureza vampírica, enquanto suas ações podem afetar a forma como determinados personagens reagem a ele, até mesmo se você estiver com muita fome, pode atacá-los sem querer. Sim, o jogo te obrigada a drenar um humano, seja principal ou não, seja seu amigo, ou não.
E é muito divertido perceber como essas habilidades mudam a forma como você encara determinados encontros., você começa com uma experiência mais próxima de um RPG medieval tradicional e, conforme vai abraçando esse lado vampírico, percebe que existem muito mais possibilidades disponíveis, essa dualidade entre humanidade e vampirismo também funciona muito bem dentro da própria história.
Bandai Namco Entertainment/Divulgação
Builds, equipamentos e progressão
E aqui entra outra coisa que me ganhou completamente: A estrutura de RPG.
Tem atributos, habilidades, builds, armas, armaduras e diferentes formas de desenvolver seu personagem. É aquele tipo de progressão que me faz pensar “Só vou melhorar mais uma coisa e depois paro.” E três horas depois estou tentando comparar todos os equipamentos possíveis para ver qual se encaixa melhor.
A variedade de possibilidades combina muito bem com o mundo aberto e com o sistema de escolhas, porque você pode desenvolver Coen de acordo com a forma que prefere jogar.
Bandai Namco Entertainment/Divulgação
Exploração e mundo aberto
O mundo de Dawnwalker é grande, mas a estrutura dele é um pouco diferente daquela de um RPG de mundo aberto tradicional. Em vez de simplesmente jogar dezenas de atividades no mapa e esperar que você faça tudo, o jogo parece querer que você escolha o que realmente importa.
A estrutura de mundo aberto funciona muito bem para mim, e aqui existe um problema: eu sou completamente incapaz de ignorar uma sidequest, se tem uma missão secundária no mapa, eu quero faze; Se tem uma casa abandonada, eu quero entrar; Se tem um baú, eu quero abrir; Se existe um caminho suspeito no meio da floresta, obviamente eu vou descobrir onde ele vai dar.
Então imagina minha felicidade descobrindo que o jogo tem um sistema em que você simplesmente não pode fazer tudo. Pois é. Você encontra missões, personagens, segredos e situações que podem se desenvolver de maneiras diferentes dependendo de quando e como você decide agir, isso faz com que explorar não seja apenas uma questão de procurar loot, é também procurar oportunidades, e como o tempo é limitado, até uma missão aparentemente pequena pode acabar se tornando uma escolha importante.
Bandai Namco Entertainment/Divulgação
Escolhas e consequências
Essa talvez seja uma das maiores forças do jogo. Dawnwalker não quer que você tenha uma experiência em que simplesmente completa todas as missões e depois volta para a história principal, você vai perder coisas; Personagens podem morrer; Missões podem mudar; Algumas oportunidades podem desaparecer.
O jogo não trata suas escolhas simplesmente como diálogos diferentes, elas podem mudar acontecimentos, afetar personagens e fazer com que determinadas oportunidades desapareçam e isso cria uma sensação muito boa de que você realmente está construindo a sua versão daquela história.
E você precisa aceitar que não é possível salvar todo mundo e ver tudo, essa filosofia combina perfeitamente com o sistema de tempo e é uma das coisas que mais diferenciam Dawnwalker de outros RPGs de mundo aberto.
Bandai Namco Entertainment/Divulgação
Direção artística e atmosfera
Visualmente, o jogo aposta pesado no lado sombrio da fantasia medieval, a ambientação combina muito bem com a temática de vampiros, principalmente quando o mundo começa a mudar conforme a noite chega. A arquitetura medieval, as florestas, as vilas e os ambientes dominados pelos vampiros criam uma identidade visual muito forte, para alguém como eu, que gosta desse lado mais gótico e sombrio, é um prato cheio.
Bandai Namco Entertainment/Divulgação
Alguns problemas
Agora, nem tudo são flores. O principal problema que encontrei foi a otimização, o jogo poderia estar um pouco mais otimizado quando se compara a alguns outros do mesmo calibre, em alguns momentos, principalmente durante determinadas cutscenes, eu tive bastante problema, pois travava demais, o que acaba quebrando um pouco a imersão.
E é uma pena, porque o jogo consegue criar momentos muito bons narrativamente e visualmente, então quando acontece uma queda brusca de desempenho justamente durante uma cena importante, você acaba saindo um pouco daquela experiência. Apesar disso, não acho que seja algo que apague todas as qualidades do jogo. É mais uma questão de polimento que espero que seja melhorada.
Algumas atividades são repetitivas, mas até aí isso não me incomoda tanto, considerando que eu posso escolher não lutar com o mesmo grupinho de bandidos que spawna no mapa.
A passagem do tempo pode ser um problema, por mais que seja um pouco frustrante eu não poder fazer tudo que gostaria, eu entendi que a proposta é que algumas coisas sejam perdidas, e que cada vez posso fazer algo diferente, adiciona mais peso as minhas escolhas.
Bandai Namco Entertainment/Divulgação
Conclusão
Eu já tinha interesse nele pela estética gótica e vampiresca, mas foi a gameplay que realmente me ganhou.
O jogo consegue juntar tudo que eu gosto em um RPG: mundo aberto, exploração, sidequests, loot, builds, equipamentos, escolhas, diálogos e um combate divertido, enquanto adiciona uma temática de vampiros que combina perfeitamente com tudo isso.
The Blood of Dawnwalker é um RPG que tenta fazer algo que muitos mundos abertos esqueceram de fazer: fazer suas escolhas realmente custarem alguma coisa, você tem uma família para salvar, um mundo para explorar, poderes vampíricos para dominar e, acima de tudo, tempo limitado para decidir o que realmente importa.
O sistema de tempo é uma ideia excelente, mesmo tendo me feito sofrer bastante no começo. Como alguém que quer fazer todas as missões e pegar absolutamente tudo, aceitar que algumas coisas simplesmente vão escapar das minhas mãos foi doloroso, ele não é perfeito e possui alguns problemas de repetição e polimento, mas sua atmosfera, narrativa e proposta conseguem fazer dele uma experiência bastante diferente dentro do gênero.
No fim, The Blood of Dawnwalker é, para mim, exatamente o que o nome sugere: uma experiência sombria, vampiresca e cheia de escolhas, com uma ótima estrutura de RPG.
Revisão: Gabriel Galdino
Nota Final: 9/10
Prós:
✔️ Excelente temática vampiresca
✔️ Estética gótica linda
✔️ Sistema de combate direcional
✔️ Escolhas com consequências
✔️ Grande potencial de rejogabilidade
Contras:
❌ Otimização ainda poderia ser melhor
❌ Sistema de tempo pode frustrar bastante no começo
❌ Algumas atividades podem ficar repetitivas






