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Review Geppy X - 70's Style Robot Anime (PC) - Homenageando os animes de mecha dos anos 70 em um anime jogável?


Lançado originalmente apenas no Japão para o primeiro PlayStation, 7 Geppy X - 70's Style Robot Anime finalmente recebeu um relançamento mundial. O obscuro jogo de nave continua inovando ao transformar um shoot 'em up em um verdadeiro anime jogável, homenageando os clássicos animes de mecha dos anos 70 em uma experiência bastante diferente da maioria dos jogos do gênero. Além disso, o relançamento trouxe diversas melhorias que modernizam a experiência sem alterar a essência da obra original.

Desenvolvimento: Implicit Conversions

Distribuição: Bliss Brain

Jogadores: 1 (local)

Gênero: Shoot 'em up

Português: Não

Plataformas: PC, Nintendo Switch e PlayStation

Um conceito diferente



 Geppy X - 70's Style Robot Anime  é um jogo de nave horizontal com um toque bastante particular. Aqui, os jogadores podem escolher entre três personagens diferentes, cada um com sua própria forma de combate e ataques especiais. Durante as fases, o robô também pode se transformar entre três estilos distintos, equilibrando velocidade, poder e versatilidade.

O objetivo continua sendo avançar pelos cenários derrotando inimigos e enfrentando chefes ao final de cada estágio. Porém, o grande diferencial está na forma como o jogo apresenta essa jornada.

A estrutura da campanha imita completamente um anime clássico. Temos abertura, episódio, intervalos comerciais, encerramento e até mesmo a tradicional prévia do próximo capítulo. Tudo foi pensado para que o jogador tenha a sensação de estar participando de uma série animada dos anos 70.

Outro detalhe interessante é que as cenas variam de acordo com o personagem escolhido e algumas decisões tomadas durante a campanha, oferecendo finais diferentes e aumentando o fator replay.

O relançamento também trouxe diversas melhorias de qualidade de vida, como função de rebobinar, salvamento rápido, disparo automático, filtros CRT, manual digital e seis modos extras desbloqueáveis, incluindo Boss Rush e cenários alternativos. São pequenas adições que tornam a experiência muito mais agradável nos dias atuais.

Uma carta de amor aos animes de mecha dos anos 70



Se existe um aspecto em que  Geppy X - 70's Style Robot Anime se destaca, é justamente na sua homenagem aos animes clássicos.

As influências das obras de Go Nagai são extremamente evidentes. O design dos personagens, os robôs gigantes, os inimigos e a própria estrutura narrativa lembram séries como Mazinger Z e Getter Robo.

O grande destaque deste relançamento está na restauração das animações. As mais de 8 mil ilustrações desenhadas à mão foram recuperadas a partir das fitas Betacam originais e restauradas em alta definição. Além disso, as animações passaram dos 15 quadros por segundo da versão original para 24 quadros por segundo.

Os gráficos durante a jogabilidade continuam simples e até um pouco datados, lembrando muito mais os jogos da era 16 bits do que os títulos lançados no final da vida do primeiro PlayStation. Ainda assim, o charme da direção de arte continua funcionando muito bem.

A barreira da linguagem diminuiu, mas não desapareceu



A história acompanha três jovens pilotos que precisam enfrentar o Império Demoníaco Cósmico, uma organização alienígena responsável por invadir a Terra utilizando enormes máquinas conhecidas como Bestas Espaciais. Para impedir a destruição do planeta, os protagonistas assumem o controle do poderoso robô transformável Geppy-X.

A narrativa segue a fórmula clássica dos animes de mecha da década de 1970, com muita ação, drama, evolução dos personagens e até mesmo a tradicional transformação do robô no decorrer da história.

O maior problema do lançamento original era a barreira do idioma. Felizmente, o relançamento adicionou legendas em vários idiomas, incluindo o inglês. Entretanto, a ausência do português acaba sendo uma oportunidade perdida. Considerando o enorme carinho que o público brasileiro tem pelos animes clássicos, uma localização em nosso idioma teria tornado a experiência ainda mais acessível.

Uma trilha sonora que anima qualquer pessoa



A trilha sonora continua sendo um dos maiores destaques do jogo.

Todas as músicas foram claramente inspiradas nos animes japoneses da década de 1970, com canções cantadas, guitarras, sintetizadores e refrões extremamente marcantes.

Outro ponto interessante é a presença de artistas lendários da música japonesa, como Isao Sasaki, Akira Kushida e Hironobu Kageyama, nomes que ajudaram a definir a identidade sonora dos animes daquela época. A dublagem também merece elogios, reunindo alguns dos maiores nomes da indústria japonesa.

A sensação é a de estar assistindo a um anime clássico em vez de simplesmente jogar um shoot 'em up.

Um clássico que finalmente recebeu o reconhecimento que merecia



Mais do que um simples relançamento, 70 PX funciona como um importante trabalho de preservação.

Mesmo que a jogabilidade não seja tão refinada quanto a de outros jogos do gênero, a combinação entre animação, narrativa e trilha sonora continua sendo algo extremamente original.

Finalmente, um dos jogos mais obscuros do catálogo do PlayStation está disponível para um público muito maior.

Nota Final: 8,5

Prós: cenas animadas remasterizadas, trilha sonora excelente, conceito extremamente original e novos recursos de acessibilidade.

Contras: ausência de legendas em português, baixa dificuldade e gráficos da jogabilidade um pouco datados.

Preview: Better Than Dead (PC): violência, realismo e tensão em primeira pessoa


Better Than Dead é um FPS que segue uma nova linha de jogos do gênero focada na estética bodycam, buscando um nível maior de realismo tanto nas mecânicas quanto na apresentação visual. Ainda em acesso antecipado, o jogo já demonstra qual é a sua proposta e entrega uma experiência bastante imersiva, embora alguns elementos da jogabilidade ainda precisem de ajustes. 

Ficha técnica:

Desenvolvimento: MONTE GALLO 

Distribuição: Micropose

Jogadores: 1 (local)

Gênero: FPS

Plataformas: PC

Idioma: Inglês+

Realismo acima de tudo 



A jogabilidade de Better Than Dead preza pelo realismo. O personagem morre com poucos tiros, a movimentação muitas vezes é mais pesada e a mira depende da própria arma, aumentando significativamente a dificuldade.

Porém, ao analisarmos a jogabilidade com mais atenção, alguns problemas começam a aparecer.

O principal deles está na própria proposta do jogo. Better Than Dead pede, em vários momentos, uma abordagem mais frenética, mas nem sempre oferece ferramentas para que isso aconteça de forma natural.

As balas, por exemplo, são infinitas, mas o carregamento da arma continua sendo obrigatório. Isso faz com que o jogador seja forçado a recarregar durante os confrontos e, como os inimigos eliminam o protagonista com poucos disparos, a tendência é abandonar a agressividade e optar por uma abordagem mais estratégica.

Outro problema está na inteligência artificial. Depois de algumas horas, torna-se perceptível que os inimigos repetem padrões e posições com muita frequência, fazendo com que a experiência se transforme em um exercício de memorização e tentativa.

Ainda assim, levando em consideração que o jogo está em acesso antecipado, a jogabilidade consegue cumprir bem o seu papel.

Hong Kong nunca pareceu tão real 



Se existe um aspecto em que Better Than Dead realmente impressiona, é no visual.

Todo o poder gráfico do jogo parece ter sido direcionado para a construção dos cenários. Restaurantes iluminados por letreiros de neon, becos escuros, casas noturnas e corredores apertados criam uma ambientação extremamente convincente. Essa representação de Hong Kong é, sem dúvida, um dos maiores destaques da experiência.

Os modelos dos inimigos são mais simples, mas isso acaba passando despercebido graças ao excelente trabalho realizado na ambientação.

A direção de arte também merece elogios. Ao apostar em uma atmosfera mais sombria e realista, o jogo consegue mergulhar o jogador em sua proposta rapidamente, criando uma sensação constante de tensão.

Uma história contada nas entrelinhas 



Better Than Dead não possui uma narrativa tradicional.

A história acompanha uma mulher que foi vítima de exploração sexual e decide buscar vingança contra aqueles que destruíram sua vida. Armada apenas com uma pistola e uma câmera corporal, ela percorre diferentes cenários em busca de seus responsáveis.

Grande parte da narrativa é construída de forma indireta, através das fases e da ambientação.

Mesmo sem diálogos elaborados ou grandes cenas cinematográficas, o jogo consegue transmitir sua mensagem. Os cenários, os detalhes visuais e a própria direção artística ajudam a construir uma experiência narrativa bastante eficiente.

Uma trilha que cumpre seu papel


A trilha sonora não é um dos grandes destaques do jogo, mas funciona bem dentro da proposta.

As músicas acompanham a tensão dos confrontos e ajudam a reforçar a atmosfera inspirada nos filmes de ação de Hong Kong das décadas de 1980 e 1990, uma das principais influências do projeto.

No entanto, falta um pouco mais de variedade entre as faixas. Em alguns momentos, a trilha acaba ficando em segundo plano, dando mais espaço aos efeitos sonoros dos disparos, dos passos e dos ambientes.

Ainda assim, o trabalho de ambientação sonora é competente e contribui para a imersão.

Um projeto com muito potencial 

Better Than Dead é um ótimo representante dessa nova geração de jogos em estilo bodycam. A proposta funciona, os gráficos impressionam e a atmosfera é extremamente envolvente.

Por outro lado, alguns problemas de jogabilidade e o comportamento dos inimigos mostram que ainda há espaço para melhorias. Felizmente, como o jogo ainda está em acesso antecipado, existe uma grande margem para ajustes.

Se os desenvolvedores conseguirem refinar algumas mecânicas e equilibrar melhor a relação entre realismo e ação, Better Than Dead tem tudo para se tornar uma das experiências mais interessantes do gênero.


Copia para PC cedida pelos desenvolvedores

Review (PC) | CloverPit: Unholy Fusion aprofunda o sistema de builds sem perder a identidade do jogo

Expandir um roguelite costuma representar um desafio. Adicionar novos itens nem sempre é suficiente para justificar uma DLC paga, principalmente quando o jogo-base já possui grande variedade de conteúdo.

Unholy Fusion evita esse problema ao modificar um dos sistemas centrais de CloverPit. Em vez de apenas aumentar a quantidade de amuletos, a expansão cria novas possibilidades para utilizá-los.

Future Friends Games/ Divulgação

Por Bruno Vila Costa

A Surgery Machine muda completamente o planejamento

A principal novidade é a Surgery Machine. O equipamento permite fundir dois amuletos para gerar versões mais poderosas. Essa mecânica altera toda a lógica das builds.

Itens que antes serviam apenas como apoio passam a funcionar como ingredientes para equipamentos muito mais eficientes. Isso faz com que o planejamento deixe de considerar apenas a rodada atual.

Agora, diversas decisões são tomadas pensando em combinações que poderão surgir vários ciclos depois.


Mais conteúdo para experimentar

Future Friends Games/ Divulgação


Além da nova máquina, a expansão adiciona dezenas de conteúdos inéditos. São novos amuletos, Fusion Charms, modificadores, Memory Cards e um final secreto.

O mérito da DLC está na integração desses elementos. Os novos itens não parecem separados do restante do jogo. Eles dialogam diretamente com as mecânicas existentes e ampliam possibilidades que já faziam parte da experiência original. Isso aumenta significativamente a variedade de builds.


Nem toda mudança melhora o equilíbrio

Future Friends Games/ Divulgação


A expansão também amplia um problema do jogo-base. Com mais itens disponíveis, encontrar componentes específicos para determinadas builds se torna ainda mais dependente da aleatoriedade.

Jogadores iniciantes provavelmente terão dificuldade para entender quais fusões realmente compensam. A DLC também foi claramente pensada para quem já domina CloverPit.

Quem ainda está aprendendo os sistemas principais dificilmente aproveitará todo o potencial das novas mecânicas.


Vale a pena

Como expansão, Unholy Fusion cumpre seu objetivo. Ela modifica decisões importantes durante cada partida, amplia o número de estratégias possíveis e aumenta o fator de rejogabilidade.

O conteúdo não resolve todas as limitações do jogo-base, principalmente em relação ao excesso de aleatoriedade, mas adiciona profundidade suficiente para justificar uma nova campanha.

Para jogadores que já investiram dezenas de horas em CloverPit, trata-se de uma expansão que melhora a experiência sem descaracterizar aquilo que tornou o jogo diferente.

Nota Final: 8,5/10

Pontos positivos

  • Surgery Machine adiciona profundidade às builds.

  • Excelente integração com os sistemas do jogo-base.

  • Grande quantidade de novos conteúdos.

  • Incentiva experimentação constante.

  • Aumenta significativamente a rejogabilidade.

Pontos negativos

  • Expansão depende do conhecimento prévio do jogo.

  • A aleatoriedade influencia ainda mais algumas builds.

  • Poucas novidades narrativas.

  • Curva de aprendizado mais elevada para novos jogadores.

Review (PC) | CloverPit transforma uma máquina caça-níquel em um dos roguelites mais criativos dos últimos anos

Os roguelites costumam buscar inspiração em sistemas de combate, construção de baralhos ou exploração procedural. O CloverPit segue um caminho diferente. Desenvolvido pelo estúdio independente Panik Arcade e publicado pela Future Friends Games, o título substitui espadas, armas e cartas por uma máquina caça-níquel.

A proposta pode parecer limitada à primeira vista. Entretanto, poucas partidas são suficientes para entender que a máquina funciona apenas como ponto de partida para um sistema complexo de gerenciamento de recursos, construção de builds e tomada de decisões sob pressão.

O resultado é um jogo que encontra identidade própria dentro de um gênero cada vez mais competitivo.

Future Friends Games/ Divulgação

Por: Bruno Vila Costa

Uma ideia simples executada com eficiência

Toda a experiência acontece dentro de uma pequena cela. A cada rodada, o jogador precisa quitar uma dívida utilizando o dinheiro obtido na máquina caça-níquel.

Se o valor não for alcançado antes do fim do prazo, a partida termina. Essa regra extremamente simples sustenta toda a estrutura do jogo.

Cada giro representa uma decisão. Vale investir todo o dinheiro em busca de um grande retorno ou preservar recursos para a próxima rodada? Utilizar um item agora ou guardar para uma situação mais crítica? Essas escolhas mantêm a tensão constante durante praticamente toda a partida.


Jogabilidade MUITO criativa


Future Friends Games/ Divulgação


O grande mérito de CloverPit está na construção das partidas. O jogador encontra dezenas de amuletos, melhorias permanentes, modificadores e consumíveis que alteram completamente o funcionamento da máquina.

Alguns itens aumentam multiplicadores, outros modificam símbolos específicos. Existem equipamentos focados em geração de dinheiro, redução de custos ou criação de sinergias extremamente poderosas.

Essa variedade faz com que duas partidas dificilmente sejam iguais. A progressão também funciona bem. Mesmo após derrotas, o jogador aprende novas combinações e entende melhor quais estratégias funcionam em cada situação.

O fator aleatório continua importante, mas normalmente existe espaço suficiente para adaptar a build às oportunidades encontradas.


Direção de arte e atmosfera

Future Friends Games/ Divulgação


Visualmente, CloverPit aposta em uma ambientação opressiva. A cela enferrujada, a iluminação escura e os efeitos sonoros criam uma sensação constante de desconforto.

A trilha sonora acompanha esse ritmo sem exagerar na repetição, enquanto os efeitos da máquina ajudam a transmitir a importância de cada giro. O jogo não depende de gráficos complexos para construir personalidade. Sua identidade surge justamente da combinação entre cenário, interface e design sonoro.


O que poderia ser melhor

Future Friends Games/ Divulgação


A grande quantidade de itens também cria alguns problemas. Nem todas as builds possuem o mesmo potencial, e algumas partidas acabam dependendo mais da sorte do que da capacidade de adaptação do jogador.

Em sessões muito longas, administrar dezenas de modificadores simultaneamente também pode dificultar a leitura da partida. Ainda assim, esses problemas raramente comprometem o funcionamento geral do jogo.


Conclusão

CloverPit consegue transformar uma ideia aparentemente limitada em um roguelite extremamente envolvente.

A construção de builds funciona muito bem, o gerenciamento de recursos mantém a tensão constante e o fator de rejogabilidade permanece elevado durante muitas horas.

Não é um jogo que busca contar uma grande história. Seu principal objetivo é fazer o jogador acreditar que a próxima rodada será melhor do que a anterior. Na maior parte do tempo, ele consegue.

Nota Final: 9/10

Pontos positivos

  • Conceito extremamente original.

  • Excelente sistema de progressão.

  • Grande variedade de builds.

  • Atmosfera consistente.

  • Alto fator de rejogabilidade.

Pontos negativos

  • Algumas partidas dependem excessivamente da sorte.

  • Interface pode ficar confusa em builds muito complexas.

  • Curva de aprendizado relativamente alta.