Preview Welcome to Elderfield (PC) — cozy, estranho e perturbador na medida certa

 

Joguei a demo de Welcome to Elderfield e saí dela com aquela sensação rara de ter encontrado um jogo com personalidade própria.

Ele pega a base de farming games clássicos e mistura com horror psicológico, terror cósmico e uma estética extremamente estranha, mas de um jeito que funciona MUITO bem.

Pra mim, a melhor forma de descrever seria: Stardew Valley + Undertale + Graveyard Keeper com horror lovecraftiano.

E sinceramente? Essa mistura não deveria funcionar tão bem quanto funciona.

Ficha Técnica:

Desenvolvimento: Chris Cote

Distribuição: Kwalee

Jogadores: 1 jogador

Gênero: RPG, Terror, Aventura, Simulador Rural, Indie

Idioma: Inglês.

Plataformas: PC 


Estética e atmosfera 

O que mais me chamou atenção foi a estética. O jogo tem uma pegada muito mais gótica e sombria do que a maioria dos farming sims. Existe uma sensação constante de que alguma coisa está errada naquela cidade.

Elderfield parece viva… mas de um jeito perturbador. Tem programas estranhos passando na TV, lendas locais, entidades bizarras, cultistas com rosto de tentáculo, monstros aparecendo o tempo todo, um shopping abandonado cheio de criaturas e esqueletos (sim, esqueletos) e muito mais coisa, sério.

Tudo isso cria uma aura muito desconfortável, mas ao mesmo tempo extremamente interessante de explorar.


Kwalee/Divulgação

Horror psicológico e Lovecraft 

O jogo claramente bebe muito de horror psicológico e do estilo Lovecraft. Não é só “terror com jumpscare”. É aquele terror estranho, desconfortável, quase surreal.

O sistema de sono, por exemplo, é uma das coisas mais legais: você gira um dado de 6 lados pra dormir e algumas interações podem simplesmente… acabar com você dependendo do resultado.

Além disso, o ciclo da lua afeta o jogo e ajuda a deixar tudo ainda mais imprevisível. São pequenos detalhes assim que fazem o mundo parecer amaldiçoado.


Kwalee/Divulgação


Gameplay e lado cozy 

Apesar de todo o horror e da bizarrice, o jogo ainda mantém MUITO forte aquele lado cozy de farming game. O sistema de plantação lembra bastante Stardew Valley, assim como: pescar, cozinhar, cuidar da fazenda, conversar com NPCs, criar amizades.

E isso gera um contraste muito legal. Você pode estar tranquilamente plantando cenoura… e minutos depois fugindo de uma entidade grotesca ou explorando um shopping abandonado cheio de monstros.

Esse equilíbrio entre conforto e estranheza é provavelmente o maior diferencial do jogo.

E claro, você pode escolher a dificuldade para um cozy game, sem monstros, só uma aura de terror e pura calmaria, para caso não seja sua praia ficar fugindo e lutando o tempo todo.

Kwalee/Divulgação


Influências e estilo visual 

O visual em pixel art é muito bonito e cheio de personalidade. Dá pra sentir influência de: RPGs antigos, terror retrô, jogos de PS1 em alguns momentos e até um toque de Junji Ito em certas criaturas e situações

O resultado é um jogo que consegue ser bem aconchegante, estranho, melancólico e perturbador ao mesmo tempo. O que é bem difícil de fazer.

A paleta parece travada em um eterno outono, o que deixa toda a estética bem mais interessante. Por mais que seja estranho e tenha áreas que em outros jogos você teria receio de ir, aqui parece muito convidativo a se explorar.



Kwalee/Divulgação


Combate e exploração 

O combate também foi uma surpresa bem positiva pra mim. Ele tem aquela simplicidade dos RPGs antigos, mas funciona muito bem dentro da proposta do jogo. Inclusive, ele lembra bastante de Undertale em alguns momentos, principalmente pelo sistema de combate em turnos.

Durante as batalhas, você pode atacar, usar itens, lançar feitiços ou simplesmente tentar fugir e escapar da luta.

E isso combina muito com a atmosfera do jogo, porque nem sempre você sente que consegue vencer tudo que aparece pela frente. O sistema também conta com o uso de mana para usar feitiços, limite/quantidade de ataques e gerenciamento de recursos durante a luta, já que alguns itens podem te curar ou restaurar sua mana, te dando mais opções de luta.

Então mesmo sendo relativamente simples, ainda existe uma parte estratégica ali.

E como o jogo tem essa atmosfera pesada e desconfortável, até combates simples acabam ficando tensos. Os monstros ajudam muito nisso. Eles têm designs estranhos, perturbadores e bem únicos, parecendo coisas saídas de um pesadelo ou diretamente de uma obra do Junji Ito. Esse contraste entre cozy e horror funciona MUITO bem e deixa o jogo com uma identidade própria.


Kwalee/Divulgação

Impressão final 

Welcome to Elderfield conseguiu me prender justamente por não parecer “só mais um farming sim”.

Ele tem identidade própria, personalidade e uma atmosfera MUITO forte. É um jogo que mistura cozy game com horror psicológico de um jeito extremamente criativo, sem perder o charme dos jogos de fazendinha.

E sinceramente? fugir de um culto estranho enquanto tenta manter sua plantação viva é muito mais divertido do que parece.

Super aprovado.  Assim que lançar, com certeza quero jogar muito mais.



Cópia de PC cedida pelos produtores

Revisão: Gabriel Galdino

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