Bad Bunny entregou, neste último domingo (08), exatamente o que se esperava do show mais aguardado do Super Bowl 2026: afronta, coragem, identidade, originalidade e, acima de tudo, orgulho latino. Sua apresentação foi muito mais do que um espetáculo musical, foi um manifesto cultural e político em pleno palco do maior símbolo do entretenimento estadunidense.
Em meio aos atuais conflitos internos dos Estados Unidos, marcados por protestos contra as operações do ICE e pelas ações do governo de Donald Trump, cresce um clima de tensão social sem precedentes. Artistas de diferentes áreas vêm se posicionando contra essas políticas, e Bad Bunny se destacou ao levar essa resistência justamente ao evento que simboliza o nacionalismo americano.
A noite teve início com o Green Day, que manteve sua essência punk ao não poupar críticas ao governo atual. Com clássicos como American Idiot e Boulevard of Broken Dreams, a banda aqueceu o público e reforçou o tom político que marcaria o evento.
Falando do real protagonista da noite
Mas o verdadeiro protagonista da noite foi Benito. Bad Bunny apresentou uma performance profundamente conectada à história e à vivência latina. O cenário, que remetia a plantações de cana-de-açúcar, evocou um passado marcado pela exploração da mão de obra latina, uma escolha simbólica que funcionou como denúncia e lembrança de que os latinos também ajudaram a construir os Estados Unidos.
Outro momento marcante foi a homenagem às profissões majoritariamente ocupadas por latinos no país, sobretudo no setor de serviços. A apresentação escancarou uma realidade social: muitos imigrantes encontram oportunidades apenas nesses espaços, sustentando uma economia que raramente os reconhece. Ao mesmo tempo, o show exaltou valores centrais da ancestralidade latina, como família, coletividade, afeto, sensualidade, alegria e conexão humana.
O figurino, o cenário e a concepção visual dialogam diretamente com o álbum mais recente do cantor, trabalho amplamente premiado no Grammy. Os dançarinos, em coreografias precisas e cheias de energia, traduziram a força do reggaeton (ritmo que carrega identidade, resistência e sensualidade).
Um dos momentos mais comentados da noite foi a realização de um casamento em pleno palco. O que muitos pensaram ser apenas cenografia revelou-se um casamento real. Segundo informações divulgadas, o casal havia convidado o cantor para a cerimônia, mas Bad Bunny os surpreendeu ao convidá-los para se casar durante seu show, transformando o ato em mais um símbolo de celebração coletiva.
Assim como todo grande evento, contou com apresentações especiais
| Getty Images/Divulgação |
A apresentação também contou com participações especiais de artistas latinos. Pedro Pascal, conhecido crítico do governo Trump, apareceu em cena, assim como Cardi B e Karol G. Houve ainda a presença marcante do porto-riquenho Ricky Martin e uma aparição surpresa de Lady Gaga, que dividiu o palco ao som de Die With a Smile, em uma versão remixada com influências latinas.
Benito Vs. Donald Trump
A grande expectativa era se Bad Bunny faria uma declaração direta contra Trump em um evento historicamente associado ao patriotismo estadunidense. A resposta foi afirmativa, mas feita com classe. Sem discursos inflamados, Benito reafirmou sua postura ao lembrar que “ódio se combate com amor”, frase já dita por ele ao receber seu Grammy. Em um gesto simbólico, o cantor entregou sua estatueta para a criança latina, numa crítica direta aos recentes casos envolvendo detenções de crianças latinas.
No encerramento, Bad Bunny declarou em espanhol: “Deus abençoe a América”, mas não se resumiu a essa frase, o cantor complementou citando todos os países, do Sul ao Norte, incluindo o Brasil, gesto significativo em meio às discussões que ocorrem no meio latino, sobre o seu pertencimento à comunidade, devido à língua portuguesa ser o idioma usado, e não um idioma de base espanhola, como a maioria dos países do continente.
Em seu último ato, dançarinos e elenco tomaram o palco com bandeiras de todos os países latino-americanos, vestidos como seus povos, transformando o estádio em um grande símbolo de união e orgulho.
Confira a setlist da apresentação:
- Tití Me Preguntó
- Yo Perreo Sola
- Safaera
- Party
- Voy a Llevarte Pa PR
- Eoo
- Monaco
- Die With a Smile
- Baile Inolvidable
- Nuevayol
- Lo Que Le Pasó a Hawaii
- El Apagón
- Café Con Ron
- DTMF
No fim, o show de Bad Bunny foi um grito de patriotismo latino e uma celebração da verdadeira identidade americana, a de um continente rico em história, ancestralidade, música e cultura. Mais do que entreter, Benito transformou o Super Bowl em palco de afirmação, memória e resistência.
Fonte: Rolling Stones / Revista Monet
Postar um comentário