Oscar | Academia cria novos critérios para atrair mais representatividade e inclusão para a premiação


A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pela premiação do Oscar,  durante essa semana divulgou através de suas redes sociais novos pilares em que os filmes precisarão se adequar para poderem ser elegíveis ao grande prêmio do cinema. Esses critérios buscam trazer mais representatividade para as telas e promover a inclusão de minorias dentro das várias escalas de produção cinematográfica.

Infelizmente, ao longo dos anos podemos enxergar uma constante entre as indicações e as aclamações promovidas pelo Oscar: a falta de representatividade. Problema esse que afeta desde os atores até aqueles por trás das câmeras. É um meio marcado por uma hegemonia branca e masculina com narrativas que atendem apenas a sua visão de mundo. Isso se transforma em algo mais tangível quando percebemos que em 92 anos de premiação apenas 5 mulheres foram indicadas ao Oscar de Melhor Direção e menos de 2% das mais de 3.000 estatuetas entregues ao longo dos anos foi destinada para um profissional negro.

Com o passar do tempo, filmes com narrativas e com profissionais que representam esses grupos minoritários começaram a ganhar reconhecimento, como 12 anos de Escravidão (2013), Moonlight (2016) e o mais recente Parasita (2019), todos vencedores do prêmio de Melhor Filme. Essas mudanças no Oscar derivam de uma longa e exaustiva luta por maior representatividade através de várias críticas à Academia e ao mercado audiovisual como um todo. Movimentos como o MeToo, de cunho feminista e contra o assédio sexual e a exclusão contra mulheres e as campanhas anuais como #OscarSoWhite, identificando a minoria racial dentro das categorias, são formas mais recentes de protesto encabeçado pelos internautas, críticos e pelos próprios artistas.

Contudo, há uma necessidade de consolidação dessa tendência por parte da própria Academia para que a premiação de minorias não seja apenas uma exceção dentro de um plano maior. Inspirados pelas mudanças promovidas pelo British Film Institute (BFI), os novos critérios foram separados em quatro categorias e, a partir da edição de 2024, os filmes obrigatoriamente precisarão cumprir pelo menos duas delas.


A categoria A incentiva a produção com protagonistas, elenco e narrativas que tragam minorias em primeiro plano. Já a categoria B fala sobre cargos de liderança dentro da produção, incentivando maior representatividade no comando das equipes técnicas. A categoria C é sobre meios de criar estágios e oportunidades para minorias que estão procurando iniciar seus primeiros passos na carreira do audiovisual. Por último, a categoria D trabalha a questão de distribuição e marketing do filme que precisa ter um time com representantes de grupos minoritários.

Porém, as mudanças em Hollywood e na própria Academia não acontecem de forma uniforme, por esse motivo, há uma resistência entre os mais conservadores que consideram as mudanças muito radicais. Alguns dizem que diminuirá a diversidade de filmes que poderão chegar até a premiação. Contudo, muitos cineastas comemoram e concordam com as iniciativas promovidas por DeVon Franklin e Jim Gianopulos, que resultaram nesse conjunto final de estruturas. Em entrevista para o Hollywood Reporter, DeVon disse que as novas regras ainda não são perfeitas, mas que definitivamente buscam a elevação da criatividade e o progresso.

Os efeitos sobre essa nova realidade para as próximas temporadas de premiações ainda são difíceis de prever, porém é esperado que esse conjunto de regras possa ajudar realmente na inclusão dentro do meio audiovisual. Fiquem com o discurso de Halle Berry ao receber seu Oscar de Melhor Atriz em 2002, primeira e última vez que uma mulher negra ganhou nessa categoria, que mostra exatamente um momento que não deveria ser apenas uma exceção.




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