Crítica | O Sócio


O Sócio, programa da CNBC transmitido no Brasil pelo History, fez sucesso entre aqueles que sonham em empreender ou conhecer mais sobre negócios. O reality show estrelado por Marcus Lemons em julho de 2013, conta com sete temporadas, e mostra um apresentador que possui larga experiência como diretor geral de uma grande empresa. Ele explora, em seus episódios, empresas que estão buscando ajuda financeira e se irá ou não investir nelas.

Marcus analisa as empresas, busca entender a estrutura dos negócios, faz sugestões de melhorias e dependendo da situação, um contrato: investir uma certa quantidade de dinheiro na empresa que está falindo ou em crise, em troca de uma % das ações, ou seja, se tornar sócio delas.

CEO da Camping World e da Good Sam Enterprises, seu patrimônio é estimado em mais de 2 bilhões de dólares, empregando mais de 7 mil pessoas nos Estados Unidos, fato que faz chamar a atenção dos empresários que se inscrevem. Para se inscrever no programa, qualquer dono de empresa que esteja buscando ajuda pode mandar mensagem em sua página pessoal do Facebook. Caso seja escolhida, a empresa recebe a visita da produção e um episódio é gravado.

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Algo que me chamou muita a atenção desde o início é a franqueza de Marcus. Quando ele entra em contato com uma empresa, gosta de conversar com os donos do negócio, com os funcionários e com os clientes. Ouvir tudo sobre o que eles tem a dizer sobre a empresa e seus problemas, observa durante alguns dias como funciona as atividades, busca entender mais sobre a área - afinal, vai desde uma floricultura até uma loja de carros e é importante conhecer o segmento a qual está buscando se aventurar.

E por ter um amplo conhecimento do mundo empresarial, Marcus rapidamente consegue identificar as falhas, os potenciais e até mesmo prever algumas coisas que podem acontecer, dependendo das escolhas que serão tomadas, ou a falta delas. Suas sugestões nem sempre são acatadas, e em muitos momentos, alguns donos de empresas não querem mudar nada nos seus processos: querem apenas o dinheiro para ser investido. Ao que o Marcus diz, enfaticamente: "serei seu sócio, não seu banco". E após o período inicial de observação e conversas, ele pede para estar 100% no controle enquanto começa a fazer os investimentos iniciais e as mudanças principais.

Qualquer pessoa, inclusive eu, resiste à mudança.

Geralmente, você consegue perceber de onde vêm os erros de uma pessoa quando você pergunta a ela sobre a origem de seu processo de pensamento. É diferente de dizer simplesmente que ela fez algo de forma errada. 

As empresas não são apenas números. Elas também estão relacionadas à natureza das pessoas. Existem empresas em que se poderia investir todo o dinheiro do mundo, mas o mau caráter das pessoas destruiria tudo, e para mim é o problema mais comum. 

É possível tirar muitas lições através das temporadas. As palavras pessoasprocesso produto, é ressoado quase como um mantra; olhe o que sua empresa está oferecendo, reveja os processos de trabalho que ocorrem dentro dela e principalmente: verifique quem são as pessoas, o que elas fazem, como se sentem - e se não são elas o problema de algo. Marcus enfatiza em todas as temporadas a importância de ter as pessoas certas no lugar certo, da motivação e do bom gerenciamento. Nos processos, é preciso ter conhecimento do que está ocorrendo, buscando as formas mais eficientes para se trabalhar, colocar o conceito "simples e prático" como prioridade.

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Em muitos episódios é relatado o problema com números: pessoas que não sabem o mínimo de contabilidade e por isso quebram a empresa. Marcus não investe em uma empresa sem saber minimamente os números relacionados a essa organização. Busca saber e entender a saúde do negócio e sua potencialidade, e já aconteceu de donos das empresas mentirem sobre o balanço, as receitas de vendas, a margem de lucro bruto. O que é questão de um pouco mais de análise, e que o Marcus rapidamente descobre e faz com que o episódio fique eletrizante. É possível sentir a frustração, a raiva, o desespero dos envolvidos e até mesmo a felicidade, o alívio. 

É preciso dizer que a maneira dura como ele conduz suas negociações e o reality por si só não agradou a todos. Existem também casos onde o orgulho pode se transformar em ego, e nem todos estão prontos para aceitar feedbacks e críticas. Indico para aqueles que gostem de um bom reality show, que queiram saber mais sobre negócios e sobre gestão de conflitos.


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