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Dinheiro, ajuda e diversão: o mundo dos reality shows na década de 2010

Foto: Montagem por Pedro Gabriel


Câmeras te filmando a cada passo, provas que levam ao seu limite e um grande prêmio para rechear o bolso. Tudo isso são pequenas partes de algo que vem crescendo nos últimos anos: os programas de reality shows. Seja na internet como veículo de propagação e interação, ou nas mídias tradicionais, os realities são modelos que vem crescendo cada vez mais.

Em duas décadas, desde sua chegada ao Brasil o formato conquistou um grande público, que engaja tanto quem produz o programa como quem participa. Com isso, temos fenômenos, como os mais recentes Gil e Juliette do "BBB21", Jojo Toddynho da "Fazenda 12" e Ellen Oléria do primeiro "The Voice".

Os reality shows podem parecer tudo uma grande coisa, mas possuem diferenças entre si, trazendo modelos e propostas bastante distintas. Seguindo a divisão proposta pela  jornalista Karina Trevizan em seu livro “Almanaque do Reality Shows no Brasil”, os realities foram classificados em seis gêneros: sobrevivência, talent show, disputa, ajuda profissional, a vida como ela é e confinamento.

Nessa reportagem, foram explorados quatro dos seis gêneros, sendo focado em alguns dos grandes clássicos passados na TV brasileira. Vale ressaltar que focarei nos programas passados no Brasil. Além disso, todos os realities devem ter ao menos uma temporada dentro da década de 2010. Por isso, clássicos como “Casa dos Artistas” e “No Limite” não serão citados. Outro ponto é que não terá como falar de todos os programas lançados por conta do número elevado, sendo focado nos principais. 

Sobrevivência 

São realities voltadas a pessoas tentando “sobreviver” em locais hostis. Alguns exemplos são os programas “Survivor”, sua versão brasileira “No Limite” e na TV fechada todas as variações de “Largados e Pelados”. O gênero não foi muito explorado na década de 2010 no Brasil.

Hipertensão - (2002/2010-2011)
Foto: TV Time


Baseado no programa holandês “Now or Neverland”, o programa fazia com que os competidores batalhassem entre si em provas que o levavam ao seu limite. As dinâmicas das provas consistiam em força, agilidade, habilidade e coragem, com atividades radicais, nojentas e até que abalavam o psicológico dos participantes. Dentre elas, destacam-se a prova em que os competidores ficaram pendurados à 30 metros do chão e tinham que acertar um alvo móvel, deitar em uma caixa com dez mil minhocas nas pernas e cinco mil baratas na cabeça e a de separar o maior número de cobras de um recipiente. 


O programa teve sua primeira temporada na Globo em 2002, apresentado por Zéca Camargo, mas só foi voltar em 2010, liderado pela jornalista Glenda Kozlowski. 


Exathlon Brasil (2017)
Foto: TV Bandeirantes

Baseado no formato turco, o programa chega a TV brasileira pela Band, comandado pelo jornalista e apresentador Luís Ernesto Lacombe. O programa possuía diversas regras e muitos participantes, levando-o a ter 71 episódios.


Em geral, 20 pessoas (10 famosos e 10 anônimos) foram levadas para uma praia na República Dominicana, onde foram divididos em dois grupos que batalhavam entre si. As provas exigiam bastante de seus competidores, que disputavam regalias para sua passagem no programa como camas, banheiros, cozinha e afins. O vencedor levou R$350 mil. 

Perdidos na Tribo (2012)

Foto: Band
Exibido pela TV Bandeirantes, o programa consiste em três famílias indo para tribos ao redor do mundo, onde tiveram que imergir na cultura e costumes. O objetivo era que a família conseguisse ser aceita na tribo perante todos os desafios deste choque cultural, levando-os a ganhar um valor monetário.

Solitários (2010-2011)

Foto: Reprodução/SBT
Foi um reality show com 2 temporadas exibido no SBT. Nele, 9 competidores ficavam isolados em cabines individuais e tinham como companhia a Val, uma voz de IA. O objetivo era resistir o maior tempo possível e testar os limites humanos, sejam físicos e/ou emocionais. Os participantes eram submetidos a vários testes rigorosos, como memorização, contar bolinhas de gude, entre outros.

Disputa

O formato pode ser confundido com o citado anteriormente, uma vez que teremos pessoas competindo por um prêmio. Entretanto, os programas de disputa vão muito além, abarcando temas mais variados, onde um grupo de pessoas passa por provas para chegar em um objetivo. Esse é o caso do “O Aprendiz”, onde os competidores batalham por uma vaga de emprego — está cada vez mais difícil ser desempregado no Brasil —, ou o “ A Casa da Ana Hickmann”, onde ela procurava uma nova repórter para o programa “Tudo é Possível”. 

Ajuda Profissional

Este modelo de reality show ficou muito popularizado principalmente nos anos 2000, onde uma pessoa ou um grupo recebem a ajuda de algum profissional para melhorar algum aspecto da vida. Principalmente no SBT, o formato foi muito utilizado em programas como “Supernanny” e “Esquadrão da Moda”, mas pode ser expandido para outros canais, como o “Pesadelo na Cozinha” e o até quadros como “Lar Doce Lar” e “Vai Dar Namoro”.

Esquadrão da Moda (2009-presente)

Foto: Reprodução/SBT
Baseado no programa “What Not to Wear”, o reality do SBT liderado pelos consultores de moda Isabella Fiorentino e Arlindo Grund visava fazer uma mudança de estilo nos participantes. Os dois apresentadores focavam na parte de moda, enquanto outros profissionais de cabelo e maquiagem auxiliavam na transformação (Rodrigo Cintra, Vanessa Rozan, Andrea Ulsenheime e Virgínia Gregorio).

O participante tinha de levar todo o guarda-roupa para o programa, onde as peças eram avaliadas e jogadas no lixo, sendo liberado um cartão para que fosse feito compras. O programa ficou muito famoso pelas transformações, e pelas desavenças entre os participantes e a equipe, como o caso da Stefhany Absoluta.  

Supernanny (2006-2014)

Foto: Reprodução/SBT
Quem nunca fez uma arte e se arrependeu quando alguém falava que ia chamar a Supernanny? A figura que ficou no imaginário infantil durante muitos anos era encarnada na pedagoga argentina Cris Poli, que após uma grande seletiva, foi a escolhida para apresentar o programa no SBT.

No programa, a cada episódio, a apresentadora ia na casa de famílias que tinham dificuldades para educar seus filhos, dando dicas e choques de realidade para conseguir impor disciplina nas crianças, e muitas vezes, nos próprios pais. Os métodos de rotina e cantinho do castigo foram grandes marcos da produção.

Pesadelo na Cozinha (2017-presente)

Foto: Reprodução/Band
Liderado pelo chef Érick Jacquin, o programa visa ir em diversos restaurantes com problemas (estruturais, empregatícios e comida) e fazer uma transformação, mudando a estética do restaurante, o cardápio, os instrumentos e ensinando como ter um negócio de sucesso. Além do carisma do apresentador, das histórias de superação e dos erros nojentos dos restaurantes, o reality acabou viralizando pelas brigas e falas inusitadas, como o clássico “Você é a vergonha da ‘profisson’”.

A vida como ela é

O formato não é o mais praticado no Brasil, sendo muito bem utilizado em outros países. Em geral, consiste em mostrar a vida de pessoas, sua rotina, seus problemas e afins. Se voltarmos os olhos para o Brasil, os mais marcantes são “Dr. Hollywood” e o “Mulheres Ricas”, onde a vida luxuosa e os grandes procedimentos cirúrgicos são palco para mais de uma hora de episódio.


Em outros países, o gênero estourou no início dos anos 2010, com séries como “Here Comes Honey Boo Boo” e “Keeping Up with the Kardashians”, sendo ainda explorado em programas do Discovery como “90 Dias para Casar” e “Casamento Cigano”. 

Mulheres Ricas (2012-2013)

Foto: Reprodução/Band
Viagens em jatinho, festas estrondosas e muito champagne era o que definia o reality “Mulheres Ricas”. O programa tinha sua exibição pela Band, e retratava a vida de socialites brasileiras em sua rotina. O cast era formado por: Val Marchiori, Narcisa Tamborindeguy, Lydia Sayeg, Cozete Gomes, Brunete Fraccaroli, Mariana Mesquita, Débora Rodrigues, Andréa Nóbrega, Aeileen Varejão Kunkel e Regina Manssur. O programa durou duas temporadas e gerou diversos memes que são muito compartilhados no perfil do Twitter, Acervo Mulheres Ricas (@acervomricas).

Muitos realities da década foram marcantes mas que não foi possível citar nessa matéria. Os realities de namoro (“Vai dar Namoro”, “Rola ou Enrola”, ou até os mais recentes “Casamento às Cegas", o flopado “Game dos Clones” e até o “Papito in Love”) ou os clássicos de ajuda profissional (“Adotada”, "Catfish", “Lar Doce Lar”, “Lata Velha”  e toda a programação do Discovery Home&Health) são exemplos de outras grandes produções. 


Dois gêneros faltaram nesta lista. Os principais queridinhos do brasileiro (talent show e confinamento) estão disponíveis na próxima edição da Revista Jovem Geek: década de 2010. Assine a revista e continue lendo sobre os reality shows!

Crítica | O Sócio


O Sócio, programa da CNBC transmitido no Brasil pelo History, fez sucesso entre aqueles que sonham em empreender ou conhecer mais sobre negócios. O reality show estrelado por Marcus Lemons em julho de 2013, conta com sete temporadas, e mostra um apresentador que possui larga experiência como diretor geral de uma grande empresa. Ele explora, em seus episódios, empresas que estão buscando ajuda financeira e se irá ou não investir nelas.

Marcus analisa as empresas, busca entender a estrutura dos negócios, faz sugestões de melhorias e dependendo da situação, um contrato: investir uma certa quantidade de dinheiro na empresa que está falindo ou em crise, em troca de uma % das ações, ou seja, se tornar sócio delas.

CEO da Camping World e da Good Sam Enterprises, seu patrimônio é estimado em mais de 2 bilhões de dólares, empregando mais de 7 mil pessoas nos Estados Unidos, fato que faz chamar a atenção dos empresários que se inscrevem. Para se inscrever no programa, qualquer dono de empresa que esteja buscando ajuda pode mandar mensagem em sua página pessoal do Facebook. Caso seja escolhida, a empresa recebe a visita da produção e um episódio é gravado.

History estreia nova temporada de O Sócio, sucesso mundial

Algo que me chamou muita a atenção desde o início é a franqueza de Marcus. Quando ele entra em contato com uma empresa, gosta de conversar com os donos do negócio, com os funcionários e com os clientes. Ouvir tudo sobre o que eles tem a dizer sobre a empresa e seus problemas, observa durante alguns dias como funciona as atividades, busca entender mais sobre a área - afinal, vai desde uma floricultura até uma loja de carros e é importante conhecer o segmento a qual está buscando se aventurar.

E por ter um amplo conhecimento do mundo empresarial, Marcus rapidamente consegue identificar as falhas, os potenciais e até mesmo prever algumas coisas que podem acontecer, dependendo das escolhas que serão tomadas, ou a falta delas. Suas sugestões nem sempre são acatadas, e em muitos momentos, alguns donos de empresas não querem mudar nada nos seus processos: querem apenas o dinheiro para ser investido. Ao que o Marcus diz, enfaticamente: "serei seu sócio, não seu banco". E após o período inicial de observação e conversas, ele pede para estar 100% no controle enquanto começa a fazer os investimentos iniciais e as mudanças principais.

Qualquer pessoa, inclusive eu, resiste à mudança.

Geralmente, você consegue perceber de onde vêm os erros de uma pessoa quando você pergunta a ela sobre a origem de seu processo de pensamento. É diferente de dizer simplesmente que ela fez algo de forma errada. 

As empresas não são apenas números. Elas também estão relacionadas à natureza das pessoas. Existem empresas em que se poderia investir todo o dinheiro do mundo, mas o mau caráter das pessoas destruiria tudo, e para mim é o problema mais comum. 

É possível tirar muitas lições através das temporadas. As palavras pessoas, processo e produto, é ressoado quase como um mantra; olhe o que sua empresa está oferecendo, reveja os processos de trabalho que ocorrem dentro dela e principalmente: verifique quem são as pessoas, o que elas fazem, como se sentem - e se não são elas o problema de algo. Marcus enfatiza em todas as temporadas a importância de ter as pessoas certas no lugar certo, da motivação e do bom gerenciamento. Nos processos, é preciso ter conhecimento do que está ocorrendo, buscando as formas mais eficientes para se trabalhar, colocar o conceito "simples e prático" como prioridade.

Quinta temporada da série "O Sócio" estreia no canal History ...

Em muitos episódios é relatado o problema com números: pessoas que não sabem o mínimo de contabilidade e por isso quebram a empresa. Marcus não investe em uma empresa sem saber minimamente os números relacionados a essa organização. Busca saber e entender a saúde do negócio e sua potencialidade, e já aconteceu de donos das empresas mentirem sobre o balanço, as receitas de vendas, a margem de lucro bruto. O que é questão de um pouco mais de análise, e que o Marcus rapidamente descobre e faz com que o episódio fique eletrizante. É possível sentir a frustração, a raiva, o desespero dos envolvidos e até mesmo a felicidade, o alívio. 

É preciso dizer que a maneira dura como ele conduz suas negociações e o reality por si só não agradou a todos. Existem também casos onde o orgulho pode se transformar em ego, e nem todos estão prontos para aceitar feedbacks e críticas. Indico para aqueles que gostem de um bom reality show, que queiram saber mais sobre negócios e sobre gestão de conflitos.


RuPaul se recusa a escolher só uma All Stars

Monet X Change e Trinity The Tuck com a cantora Kacey Musgraves

(Atenção esse post contém spoilers)


O episódio final de RuPaul’s All Stars 4 foi ao ar nessa sexta-feira (15) com um plot twist que pegou todo mundo de surpresa.


O reality americano é um spin off do programa original RuPaul’s Drag Race, que traz a cada edição 12 drag queens para competir semanalmente em desafios de canto, dança, comédia, atuação e costura, em busca do prêmio: a coroa e um prêmio em dinheiro. As queens também recebem mentoria da apresentadora, RuPaul, uma das drag queens norte-americanas mais prestigiadas até hoje.


O All Stars traz as melhores queens do Drag Race para uma segunda chance de serem coroadas a melhor das melhores. Porém, em sua quarta edição, RuPaul coroou, pela primeira vez na história do programa, as duas finalistas: Trinity the Tuck e Monet X Change.

A decisão faz sentido porque as duas queens traçaram um programa impecável, com looks que surpreendiam os jurados toda semana e se superando a cada desafio. Realmente era uma decisão difícil. Mas escolher as duas, para alguns fãs, pareceu ser apenas preguiça.

RuPaul vem lidando com ex-participantes de seus realitys a chamando de racista e transfóbica desde o ano passado, quando Tyra Sanchez divulgou uma carta de desabafo e outras queens seguiram o exemplo expondo problemas no backstage do programa. Essa temporada de All Stars já teria servido para RuPaul se redimir de um lado trazendo uma mulher transsexual para competir, a Gia Gunn.

No episódio final, coroar, mais uma vez, a queen branca invés da queen negra, teria levantado ainda mais comentários sobre ela ser racista. Mas coroar a queen negra invés da queen branca também poderia fazer alguns fãs indagarem se a decisão realmente foi verdadeira. Então, coroar as duas pôde parecer a saída menos prejudicial, só que os fãs no twitter ainda estão dissertando sobre e dizendo que foi injusto. Bom, é como as nossas mães sempre dizem, não dá pra agradar todo mundo, né? #AllStars4.