Fatos e Curiosidades: Seiyuus (Dubladores japoneses) - Revista Jovem Geek

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quarta-feira, 24 de junho de 2020

Fatos e Curiosidades: Seiyuus (Dubladores japoneses)



Olá, leitores da Revista Jovem Geek.

Trago hoje o Fatos e Curiosidades sobre um tema relacionado a animes, os Seiyuus, ou vulgarmente conhecidos como dubladores japoneses. Acho que nem todos devem conhecer, mas é um tema que eu gosto, acompanho e confesso ser fã. Prometo tentar ser breve, contar um pouco da história deles e falar um pouco sobre o que fazem, até porque, nem todos os otakus devem sequer saber a importância deles, não só nos animes, mas na indústria japonesa.

Então, bora lá!

Origem do nome Seiyuu e Breve Histórico

A palavra Seiyuu (声優) é originada e derivada de “Koe no Haiyuu” (声の俳優), que significa ator de voz. Eles trabalham não só com a dublagem de animes e jogos, mas também com narrações, programas de rádio, música e até a dublagem de filmes ocidentais.
A dublagem no Japão surgiu em 1925, quando a Tokyo Broadcasting Company (antecessor da atual NHK) começou as transmissões de rádio. Sendo assim, doze pessoas se especializaram em atuação de voz, quando organizaram as primeiras radionovelas.

A profissão teve três momentos de auge:

O 1º auge foi em 1961, com a chegada da TV ao Japão. Muitos filmes e séries estrangeiras passaram a ser transmitidos, a princípio legendados, depois dublados em japonês, usando os atores de rádio e teatro. Nesse momento que surgiram os seiyuus, especialistas em dublagem.
O primeiro programa dublado foi a animação do Superman, em 1955. O primeiro filme live-action foi Cowboy G-Men, lançado em 1956.

O 2º auge foi nos anos 70, com o próprio boom da animação japonesa - principalmente, a popularização de Uchu Senkan Yamato, em que eles finalmente tiveram destaque. Seiyuus como Akira Kamiya, Touru Furuya e Toshio Furukawa foram os primeiros a se unir a uma banda, chamada Slaptisck, e cantarem ao vivo. Além disso, os seiyuus começaram a lançar álbuns próprios e a participar de programas de rádio como DJs, surgindo também as revistas especiais sobre animação.
O editor-chefe da Animage, Hideo Ogata, usou seus editoriais para transformar seiyuus em ídolos, o que aumentou o interesse do público em seguir a carreira, aparecendo as primeiras escolas de dublagem.

O 3º auge foi já nos anos 90 - os anos 80 foram de transição apenas -, quando os seiyuus ganharam destaque saindo da TV e tendo aparições em programas de rádio, eventos públicos e até internet. Sempre vistos em revistas como a Voice Animage e o Seiyuu Grand Prix.
Mais fãs vieram por conta dos CDs Dramas e do rádio. Seiyuus se tornaram bem sucedidos nas suas carreiras musicais, especialmente nomes como Megumi Hayashibara, Hekiru Shiina e Mariko Kōda. Com o fortalecimento da internet, os animes e, consequentemente, os dubladores, não ficaram limitados apenas ao Japão.

A partir dos anos 2000 indo até a atualidade, temos um mercado seiyuu bem estabelecido, com dubladores explorando várias áreas tendo sucesso nelas. Grandes exemplos são Nana Mizuki, Maaya Sakamoto, Hiroshi Kamiya, Daisuke Ono, Minori Chihara, entre outros.


Diferença em relação ao mercado de dublagem brasileiro

Diferente de como acontece por aqui no Brasil, fato que tem até mudado nos últimos anos, os dubladores tem “cara”. O que isso quer dizer? Que desde quando eles começam na carreira, o rosto deles é mostrado, seja nos eventos relacionados ao anime ou em outras aparições públicas.
O rosto do seiyuu faz parte do trabalho dele, mesmo que na maior parte do tempo ele use a sua voz. Assim, o próprio dublador em si é conhecido, até por fazer outros trabalhos para rádio, TV e até na internet.

Já aqui no Brasil, até pouco tempo, não sabíamos quem eram as pessoas por trás das vozes de tantos personagens marcantes. Hoje, temos nomes conhecidos como Miriam Fischer, Guilherme Briggs, Charles Emmanuel e vários outros. Ironicamente, os rostos dos dubladores brasileiros se tornaram “conhecidos” justamente por causa dos animes.

E uma coisa é certa: Quem nunca foi assistir alguma obra audiovisual só porque um dublador que você gosta trabalhou nela?

Carreira Musical dos Seiyuus (anisongs e charasongs) e Premiações Exclusivas

Pode parecer que não, mas é bem provável que você já tenha ouvido uma música cantada por um seiyuu, especialmente em algum anime. A maioria deles segue uma carreira musical paralela a carreira da dublagem. Também há os trabalhos musicais relacionados diretamente aos personagens, que chamamos de Character Songs, charasong é o apelido.

Como dito anteriormente, os dubladores japoneses fazem trabalhos em diversas áreas. A música, claramente, é uma delas. Se é alguma abertura ou encerramento de anime, caracteriza-se como anisong (música de anime). Basta dar uma procurada que dá para achar alguma música de seiyuu dentro dos animes que já assistiu. (Vou deixar uma playlist no final com algumas recomendações!)
Porém, eles têm muitas músicas não relacionadas aos animes e vale a pena dar uma conferida, especialmente nos shows dedicados à anisong, como o Animelo Summer Live e o Animax Musix.

Existem prêmios exclusivos para seus trabalhos, os mais famosos são: Tokyo Anime Awards, que existe desde 2002 e o Seiyuu Awards, que existe desde 2007.
Os ganhadores das principais categorias do Seiyuu Awards desse ano – que são Melhor Ator Principal e Melhor Atriz Principal – foram Hanae Natsuki (pelo papel de Tanjiro em Kimetsu no Yaiba) e Aoi Koga (pelo papel de Kaguya em Kaguya-sama: Love is war).


Popularização no Ocidente – Megumi Hayashibara

Megumi Hayashibara, nascida em 30 de março de 1967, desde criança, gostou de ver animes e se surpreendeu ao descobrir quem eram as pessoas por trás dos personagens que ela acreditava serem reais. Sua carreira começou quando ela foi fazer uma audição para a Arts Vision, onde, meses depois, acabou passando. Ela estudava enfermagem enquanto também praticava dublagem. Após um ano treinando, em 1986, foi chamada para pequenos papéis em Maison Ikokku.

Mais tarde, fez audição para o elenco de Ranma ½, esperando conseguir a personagem Akane Tendo, porém conseguiu o papel da metade feminina de Ranma Saotome.
Porém, seu grande papel foi em 1995, com Rei Ayanami de Neon Genesis Evangelion, que foi considerado inovador.

Ela também é bem famosa no ocidente, pois boa parte dos trabalhos em que participou foram exportados para cá, através dos canais de televisão, como o Animax. Megumi apareceu, em 1993, no Anime America.
Megumi foi uma das primeiras seiyuus musicalmente famosas, muitas de suas músicas foram feitas especialmente para animes. Slayers e Saber Marionette J são exemplos de animes que contam com suas músicas.

A carreira musical começou em 1989, com o single Yakusoku da yo (約束だよ). Alguns de seus lançamentos conseguiram boas colocações do Rank da Oricon, principal ranking japonês de músicas. Lançamentos como Touch and Go!! (37º posição); Haruneko Fushigi Tsukiyo - Oshiete Happiness - (49º posição) e Yume Hurry Up (58º posição). Isto, para uma seiyuu na época, era um grande feito!

Até hoje ela é considerada por muitos a maior seiyuu da história. Graças a ela que os seiyuus são tão populares hoje em dia.


Seiyuu dos Recordes – Nana Mizuki

Nana Mizuki (Nana Kondo é seu nome verdadeiro) nasceu em 21 de janeiro de 1980.
Desde criança ela praticava música enka, daí que vem a grande força da sua voz como cantora.
Ela era apaixonada por mangás e animes desde pequena. Sua carreira começou como seiyuu em 1997, depois de se graduar no ensino médio. Ela queria seguir carreira como cantora de enka, mas seus professores recomendaram a tentar ser seiyuu.

Ela fez uma audição para um papel no jogo NOëL ~La neige~, onde conseguiu a personagem Kadokura Chisato. Também lançou charasongs relacionadas ao jogo.

A sua personagem mais famosa é a Hinata Hyuuga, de Naruto. Ela também fez as vozes de Fate Testarossa, em Magical Girl Lyrical Nanoha, Tsubasa Kazanari, em Symphogear e Moka Akashiya, em Rosario + Vampire.

Sua carreira solo começou apenas em 2000, com o single Omoi. O início não engatou tanto, seu primeiro álbum, supersonic girl, ficou apenas na 60ª posição no rank da Oricon.
O primeiro single que ficou no Top 10 da Oricon foi Innocent Starter, conseguindo a 9ª posição.
A partir disso, a carreira da Nana começou a mostrar seu sucesso e ela quebrou recordes em cima de recordes, além de ser "a primeira seiyuu" de algumas delas.
Seus lançamentos foram alcançando boas colocações. Singles como Eternal Blaze (2005), Secret Ambition (2007), Trickster (2009) e o álbum GREAT ACTIVITY (2007) conseguiram a 2ª colocação na Oricon.

Porém, um de seus maiores recordes foi apenas em 2009, com o álbum ULTIMATE DIAMOND, conseguindo o 1º lugar no rank da Oricon, vendendo mais de 100 mil cópias. (Só para ter uma ideia, a média esperada para a venda de um álbum de seiyuu é 20 mil.) E repetiu o feito em 2014, com o álbum SUPERNAL LIBERTY, que vendeu pouco mais de 90 mil cópias.

Ela foi a primeira seiyuu a conseguir a primeira posição na Oricon desde sua criação em 1968.
Naquele mesmo ano, se apresentou no Kouhaku Utagassen (Festival do Vermelho e Branco), que é o tradicional show de final de ano da NHK. Também foi a primeira seiyuu a realizar tal feito.

Em 2011, foi a primeira seiyuu a se apresentar no Tokyo Dome, a maior arena japonesa. O show tem o nome de LIVE CASTLE e ocorreu em dois dias: Queen's Night e King's Night.
Sem contar a série de prêmios que acumulou: no Seiyuu Awards, em 2006, com Justice to Believe, na categoria de "Melhor apresentação musical"; ganhou o prêmio Kei Tomiyama, na 4º edição, como a "seiyuu mais relevante da indústria".
Além de prêmios da Billboard japonesa, como "Animation Artist of Year" em 2011 e 2012.

Nana Mizuki é, com certeza, a seiyuu mais bem sucedida da história.


Seiyuu também dublam filmes

Os dubladores japoneses também trabalham com a dublagem de filmes vindos de outros países. Alguns live-actions até demoram um pouco mais para chegar no Japão e representam uma pequena parte do trabalho dos seiyuus – 70% do trabalho deles é voltado para os animes.
Vou citar algum filmes famosos e os seiyuus que trabalharam neles:

Jogos Vorazes: Yuichi Nakamura (Gale), Nana Mizuki (Katniss) e Hiroshi Kamiya (Peeta);


Harry Potter: Ono Kensho (Harry) e Mamoru Miyano (Newt);

 

Alladin: Kouichi Yamadera (de terno azul) (Gênio – na animação e no live-action);


MCU: Kenta Miyake (Thor) e Daisuke Hikarawa (Loki). 



Mulheres normalmente dublam personagens masculinos

Outro detalhe interessante é que muitas dubladoras são escolhidas para fazer personagens masculinos e não necessariamente crianças – como acontece por aqui no Brasil. O motivo disso está na versatilidade de suas vozes para personagens mais jovens. Segue uma pequena lista de personagens dublados por mulheres:

Junko Takeuchi - Naruto Uzumaki;


Tanaka Mayumi - Monkey D. Luffy;


Suzukaze Mayo - Himura Kenshin;


Romi Park - Edward Elric;


Kugimiya Rie - Alphonse Elric;


Sakamoto Maaya - Ciel Phantomhive.


A criadora do bordão: “Oi, eu sou o Goku!”

Mais conhecido por nós através da voz de Wendel Bezerra, a famosa frase do Goku foi criada, praticamente, sem querer, pela voz japonesa dele que é feita pela Masako Nozawa.

Ao entrar no estúdio, antes das gravações das falas dos episódios, diante do microfone, como uma forma de concentração, falava: “Ossu, ore wa Goku!”.
Os produtores gostaram tanto disso que pediram para ela adotar a frase nas chamadas dos próximos episódios. O resto da história, acho que vocês sabem!

Além disso, Masako detêm os recordes nas categorias "dublador que deu voz ao mesmo personagem em um jogo por maior período" e "maior carreira na dublagem de jogos", justamente com o Goku nos infinitos games de Dragon Ball, que são lançados desde a explosão do anime. O prêmio foi dado a ela em 2016, totalizando 23 anos e 218 dias.

Já o recorde de dublador com personagem de TV é do Orlando Drummond, por 40 anos como Scooby Doo.


Seiyuu também é “otaku fedido”

Muitos seiyuus acabam se interessando em seguir essa carreira justamente pelo contato que tiveram com os animes na infância e adolescência. Exemplos são muitos!
Alguns, realmente, podem ser classificados como otakus, pelo menos no significado ocidental da palavra, que é: fã de animes e mangás.
Para a alegria dos Jojofags, ambos os exemplos envolvem uma das obras mais consagradas: Jojo’s Bizarre Adventure de Hirohiko Araki.

Shoko Nakagawa, que é cantora, idol e seiyuu, é conhecida por ser muito, mas muito “otaku fedida”. Para se ter uma ideia, o Jotaro é o husbando (marido) dela. Não é para menos que ela acaba entrando na brincadeira das Jojo Poses, em que os fãs imitam as poses dos personagens. Em 2014, durante a sua turnê pelo Japão, Shokotan (apelido) foi imitar uma das poses de Narancia durante o show. Ela fraturou o cóccix e teve que ficar de repouso.

Já a outra história é bem inspiradora, devo confessar.
O seiyuu Daisuke Ono, conhecido por diversos de seus papéis, como Sebastian de Kuroshitsuji, contou em uma entrevista que começou na indústria justamente por causa de Jojo e, especialmente, do Jotaro Kujo, que é o seu personagem favorito da série. Na adolescência, durante o ensino médio, descobriu a série e acabou se viciando –  justamente na época que Stardust Crusaders (Parte 3) saía em mangá. Entrou na carreira de seiyuu esperando que conseguisse ser o dublador do Jotaro e bem, seu sonho se tornou realidade. Todo o dinheiro que ganhou com este trabalho ele usou para justamente comprar mais coisas de Jojo para sua coleção. 

 

Anime sobre a carreira de Seiyuu!

Para quem quiser conhecer mais sobre como é o trabalho de seiyuu, especialmente no dia-a-dia e no estúdio de dublagem, existe o anime: Sore ga Seiyuu! (Seiyuu's Life).

O anime conta a história da novata Futaba Ichinose, que sonha em ser uma grande profissional da dublagem, mas ainda está na fase de busca por audições para seus primeiros trabalhos e procura encontrar sua voz e estilo único. Ela faz amizade com mais duas meninas: Ichigo Moesaki - que é uma idol que afirma ser uma princesa de outro planeta - e Rin Kohana - que é uma seiyuu mirim, que procura equilibrar sua carreira com os estudos. As três juntas vão enfrentar os altos e baixos dessa indústria.

O anime tem 13 episódios, exibidos originalmente em 2015. Foi criado por uma seiyuu e conta com a aparição de um grande nome em cada um dos episódios, como sendo ele mesmo um convidado especial.

Eu ainda não assisti, mas deve ser um anime muito divertido! Fica a recomendação!


Playlist de Seiyuu-pop e anisong

Por fim, quero deixar para vocês uma playlist especial, que contém muitas músicas de seiyuus (e umas anisongs também), para vocês conhecerem um pouco do trabalho musical de alguns deles, que tem bastante coisa boa. É uma das coisas que mais escuto no spotify.

Aproveitem o privilégio, porque até o ano passado, para se ouvir música de seiyuu era através de métodos ilegais. Finalmente, as gravadoras estão entendendo e colocando seus seiyuus nos streamings.

Aproveitem a playlist!


Bem, pessoal, é isso!

Gostaram de conhecer um pouco sobre os Seiyuus? Eu espero que sim!

Confesso que me diverti muito - e me empolguei - escrevendo. É um assunto que posso ficar falando por horas a fio. Acompanho suas carreiras desde 2008 e passei a ver os animes que consumo de outra maneira, valorizando cada vez mais quem está ali por trás.

Gostaria de ter falado muito mais, pois o universo deles realmente envolve muita coisa. Muitos nomes não apareceram aqui, por favor, não briguem comigo se seu favorito não foi citado.

E uma coisa é certa: é um caminho sem volta. Gostar de seiyuu é maravilhoso! Sou suspeita para falar.

Espero que tenham gostado. Até uma próxima!

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