Explicando: as conexões mentais em Sense8 - Revista Jovem Geek

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sexta-feira, 26 de junho de 2020

Explicando: as conexões mentais em Sense8


Você, em algum momento, já se deparou com algum conteúdo do mundo pop que apresentasse uma temática, ou detalhes, um tanto confusa? E, para piorar, não achou em lugar algum explicações para ajudar a entender? Por esse motivo que o "Explicando" nasceu. 

Nessas matérias especiais, buscaremos explicar os mais diversos plots do mundo pop, seja série, filme, livro ou, até mesmo, música.

Para começar, vamos falar um pouco sobre Sense8, uma série que fez sucesso quando lançada e que requeria uma atenção maior ao ser assistida. Mas, não falaremos sobre a história da série em si, mas sim sobre algo que faz a história da série acontecer: as conexões mentais entre os protagonistas.

Mas, você sabe o que é Sense8?

Sense8 é uma série da Netflix que foi lançada em 5 de junho de 2015, tendo 12 episódios. Um episódio especial de natal foi lançado no dia 23 de dezembro de 2016, tendo  duas horas de duração. A segunda temporada só chegou à plataforma de streaming em 5 de maio de 2017, com 10 episódios. Um mês depois a série foi cancelada, mas, após diversas mobilizações de fãs, foi anunciado mais um episódio de duas horas, para encerrar a trama. Isso aconteceu no dia 8 de junho de 2018. Ela foi criada por Lilly e Lana Wachowski, de Matrix, e J. Michael Straczynski.

A série apresenta a história de 8 desconhecidos (Riley, Will, Sun, Capheus, Kala, Wolfgang, Lito e Nomi), cada um deles é de um país e de uma cultura diferente, a única exceção são Nomi e Will, que são americanos. Quando eles, subitamente, possuem uma visão da morte de uma mulher chamada Angelica, eles descobrem que estão emocionalmente e mentalmente conectados uns aos outros, podendo se comunicar e se apoderar de conhecimentos e habilidades alheias. Eles são chamados de Sensates. Enquanto tentam descobrir os motivos dessa conexão e como ela aconteceu, os 8 são caçados por um homem chamado Whispers (Sussurros, em português), e são ajudados por Jonas, ambos também sensates.

A partir daqui, vamos explorar um pouco mais sobre as conexões mentais, então poderá haver spoilers.


Um ser humano sensate faz parte da espécie homo sensorium, que existe através de uma mutação genética que os separa dos homo sapiens, a espécie de um ser humano comum. Todo sensate pertence a um grupo, ocasionalmente chamado de cluster, de onde eles compartilham da mente uns dos outros. Um sensate é um ser humano, mas um ser humano não é, necessariamente, um sensate.

Os sensates nascem como seres humanos comuns, indistinguíveis do resto da população. A conexão com outras pessoas do seu cluster permanece inativa até que eles renasçam como sensates, e isso acontece quando um outro sensate, de fora do grupo, "dá a luz". Essa pessoa de fora pode tanto ser mulher, quanto homem, e pode dar a luz à mais de um cluster.

Antes que haja esse renascimento, essas pessoas não apresentam qualquer tipo de conexão com outros de seu grupo, mas podem haver algumas exceções. Uma delas é o contato direto com um outro sensate, que não precisa pertencer ao seu grupo, construindo um elo psíquico, mas isso pode também não acontecer, mesmo com o contato visual. Quando esses elos ocorrem, eles não são tão fortes quanto aos daqueles que já foram renascidos.

O renascimento sensate faz com que o psycelium se ative, permitindo a conexão dos sentidos dentro do cluster. O psycelium é um sistema nervoso psíquico, cuja função é a de, justamente, permitir a conexão mental. Esse termo é uma referência ao micélio dos fungos, que é conhecido por conectar fungos individuais com outros em uma área de quilômetros de distância, através de uma rede superficial. O psycelium pode ser interrompido temporariamente com o uso de uma droga chamada "blocker". Uma vez usada, a conexão dos sentidos é quebrada.


Todos os membros de um cluster nascem no mesmo dia e no exato momento, respirando juntos pela primeira vez. Após o renascimento, os sensates sentem fortes enxaquecas durante alguns dias, conforme o vínculo entre o grupo se torne mais forte. Algumas memórias do pai, ou da mãe, sensate são passadas para o cluster, assim como os genes dos pais biológicos.

Filhos biológicos de um pai ou mãe sensate podem nascer sensates também, mas não é uma regra. Assim como os genes podem pular gerações, o mesmo pode acontecer com os homo sensorium.

Como dito, uma pessoa de um cluster pode se conectar à outra pessoa de outro cluster, com um contato visual. Essa conexão é feita de maneira individual, então um sensate não conseguirá ter acesso à todo o cluster do outro. Porém, alguns sensates mais habilidosos podem rastrear algumas informações que os levem até as outras pessoas do grupo. Essa é a principal estratégia de Whispers para capturar um cluster inteiro.

E, falando sobre habilidades, os sensates possuem algumas. No geral, elas podem dividirem-se em três: ligação psíquica, compartilhamento e visita. Após o renascimento, um cluster pode levar um tempo para entendê-las e dominá-las, já que é algo novo. Por esse motivo, no início, elas podem acontecer em momentos inapropriados.


A ligação psíquica é a primeira que começa a aparecer, podendo acontecer até mesmo sem o conhecimento do sensate. Estando mentalmente e emocionalmente conectados, o cluster compartilha os sentidos e pensamentos uns dos outros. Os sentidos são os primeiros: um sensate pode experimentar algo que outro do seu grupo está experimentando no mesmo momento. Os pensamentos vem depois, conforme o vínculo entre o cluster fica mais forte.

Em Sense8, essa é uma habilidade que aparece inúmeras vezes. Logo no primeiro episódio, Will se incomoda com música alta, que ele julgava ser de seu vizinho, mas, na realidade, ela acontecia no outro lado do mundo, com Riley. O desejo por comida indiana que Wolfgang sente em dado momento é uma sensação de Kala. E por aí se estende...

O compartilhamento só pode ocorrer entre os membros de um cluster. Um sensate pode compartilhar com seus companheiros os seus conhecimentos, linguagens e habilidades. Nesse último caso, um sensate pode controlar o corpo do outro, enquanto esse só assiste, ou não. Isso, no começo, pode acontecer de maneira instintiva, caso algum companheiro esteja em apuros.

Durante a série, isso é visto muitas vezes. Sun, da Coreia, luta através do corpo de Capheus com uma gangue, em Nairóbi. Will fala coreano em determinado momento, mesmo que ele não saiba coreano. Will ajuda Nomi a se livrar das algemas, possibilitando a fuga dela do hospital.


Visita é uma das habilidades mais difíceis de se controlar. Como dito por Jonas: "você não faz acontecer, você deixa acontecer". Ela acontece quando existe a comunicação mental entre os sensates. Eles conseguem se transportar para o local em que o companheiro está, podendo observar o mundo ao redor, compartilhar as sensações (já que trabalha junto com a ligação psíquica) e podem, até mesmo, tocar o outro.

Essa visita pode acontecer com pessoas de outro cluster, mas, novamente, somente com aqueles que houve um contato visual. Caso um sensate esteja drogado, com o blocker, por exemplo, a visita não pode acontecer. E se um deles está dormindo, ela pode acontecer.

Muitas visitas acontecem durante a série. Will e Riley se encontram em uma festa, onde eles se tocam. Nessa mesmo cena, Will ainda pega o celular de Riley, coloca seu número e pede para que ela ligue, para testar até onde tudo iria. A ligação acontece. Wolfgang aparece nu, subitamente, durante o casamento de Kala, fazendo com que ela desmaie. E esses são só alguns exemplos.

Para finalizar, as questões sobre o homo sensorium estão ligadas ao lobo frontal, ou aos lobos do cérebro, no geral. Os lobos são responsáveis pelas sensações, ações e elaboração de pensamentos. Os sensates caçados são induzidos a uma lobotomia, para que possam ser controlados por Whispers.


Apesar dessa temática de ficção científica, Sense8 é uma série que também apresenta um lado muito humano e culturalmente diversa, que consegue, até mesmo, ultrapassar as dificuldades do lado "mental" do roteiro. A trama, por si só, apresenta muitas outras histórias, algo que poderia render outra matéria. Quem sabe no futuro. 

Espero que esse texto tenha ajudado a exemplificar algumas coisas que podem não ter ficado muito claras enquanto a série era assistida. Te vejo em um mês!

2 comentários:

  1. Muito boa a matéria!! Assisti a série há um tempo já e realmente, na época foi bem difícil compreender as conexões mentais. Mas puts, série boa demais. Parabéns pelo texto.

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  2. Boa matéria. Não tinha interesse ma serie, mas agora fiquei encaantada e curiosa pra assistir... Obrigada... Parabéns pelo texto.

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