O feminismo em Capitã Marvel - Revista Jovem Geek

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quarta-feira, 13 de março de 2019

O feminismo em Capitã Marvel


O primeiro filme solo de uma super-heroína da Marvel estreou no dia internacional da mulher. Já colocou as expectativas lá no alto, né? 

Carol Danvers é uma mulher forte e emotiva, isso é evidenciado desde os primeiros minutos do filme e discorre com a narrativa enquanto diferentes personagens nos dizem o quanto ter sentimentos é ruim e que precisamos aprender a controlá-los. É claro que dentro da narrativa do filme isso se relaciona com os poderes da Carol que precisam ser controlados, mas ao mesmo tempo é impossível não fazer um paralelo com a nossa realidade como mulheres. Constantemente ouvimos, se nos expressamos severas, mais sérias, mais bravas, que estamos na TPM, que são só os hormônios; ouvimos que se temos ciúmes ou estamos desconfiadas somos loucas, desesperadas por atenção, muito sentimentais. 

Ser emotiva é algo que somos criadas para acreditar ser um defeito. E com Carol não é nenhum pouco diferente.

A diferença fica clara numa cena também muito comum: Um cara que nos pede um sorriso na rua, como se fosse um elogio ou uma cantada. E ela, melhor do que o ignorar, lhe rouba a moto. 

Daí pra frente, a nossa personagem principal dá um tapa na cara de todos os machistas, vencendo cenas de luta com aptidão e manipulando as situações com inteligência para chegar em seu objetivo.


O filme também passa no teste de Bechel ao nos apresentar diálogos bem construídos e importantes entre Carol e sua melhor amiga Maria. As duas mulheres claramente se apoiam e ajudam, e em nenhum outro momento temos uma relação de rivalidade feminina, algo que também quebra o padrão. E isso fica evidente numa cena emocionante no ápice do filme: “Você me apoiou como pilota e como mãe, quando ninguém mais o fez”, Maria diz. O meu coração derreteu. 

Maria, negra, pilota, mãe solo, é introduzida como uma mulher completamente independente mais do que preparada para provar pra quem quisesse ver que ela é tão e mais capaz de qualquer coisa do que qualquer homem. O papel dela é importante para a representatividade do feminismo negro apesar de não ser a protagonista, porque ela de fato protagoniza uma cena de ação com esplendor. Devo ressaltar: ela pilota o avião para salvar o mundo enquanto outros dois homens importantes do filme sentam e aprendem.

E ainda falando em Maria, sua filha é construída para ser o elemento emocionalmente fofo e cativante do filme. Ela claramente é cercada de exemplos femininos poderosos e criada para acreditar que seu gênero não apresenta nenhum impedimento em suas buscas pelo o que ela quiser ser.

Outro ponto que acho legal ressaltar é que o Marvel que conhecemos dos quadrinhos (se você não sabe do que eu estou falando clica aqui), no filme veio como uma mulher. E a relação delas não foi amorosa como achei que seria inicialmente, mas sim de admiração profissional. Mar-vell, Carol e Maria, três mulheres trabalhando duro num projeto secreto nas Forças Armadas Americanas. Sério. Tem algo que represente mais empoderamento que isso?

Ainda por cima, o filme é co-dirigido e co-escrito por mulheres. É uma produção importante socialmente principalmente para pequenas meninas que terão mais de uma superheroína para lhes representar, como heroínas, pilotas de guerra, mães e protagonistas, mas também para ensinar que a força dos super-poderes da Capitã Marvel vem em diferentes formas para toda e cada mulher. Ser emotiva não é, nem de longe, um defeito, uma vez que os nossos sentimentos nos tornam humanos e nos identificam. Carol cai muitas vezes e levanta em todas elas porque suas emoções são mais fortes.

A minha cena preferida, porém, vem com o final do filme e o confronto entre nosso recém descoberto vilão cujos poderes envolvem ser abusivo com Danvers. No que ele aplica mais uma vez os seus dotes manipuladores, Carol, dessa vez, encerra a questão com um recado para todas nós: A gente não precisa provar nada para homem nenhum.


4 comentários:

  1. Amei a crítica! Conseguiu transmitir no texto vários pontos importantes do feminismo no filme de maneira concisa e clara.

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  2. Ótimo texto, uma aula sobre a importância da representatividade e desse filme como um todo pra um mercado como o de entretenimento, principalmente de super heróis.

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  3. Todas as partes abordadas são de extremo bom gosto. Ajudam a ressaltar a importância da mulher no enredo, sendo ela a protagonista, a mãe, a cientista, a super poderosa, a piloto... Cada versão dessas mulheres constroem a narrativa de forma linda e o texto expõe isso com uma beleza de mesmo tom.

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