Preview: Better Than Dead (PC): violência, realismo e tensão em primeira pessoa


Better Than Dead é um FPS que segue uma nova linha de jogos do gênero focada na estética bodycam, buscando um nível maior de realismo tanto nas mecânicas quanto na apresentação visual. Ainda em acesso antecipado, o jogo já demonstra qual é a sua proposta e entrega uma experiência bastante imersiva, embora alguns elementos da jogabilidade ainda precisem de ajustes. 

Ficha técnica:

Desenvolvimento: MONTE GALLO 

Distribuição: Micropose

Jogadores: 1 (local)

Gênero: FPS

Plataformas: PC

Idioma: Inglês+

Realismo acima de tudo 



A jogabilidade de Better Than Dead preza pelo realismo. O personagem morre com poucos tiros, a movimentação muitas vezes é mais pesada e a mira depende da própria arma, aumentando significativamente a dificuldade.

Porém, ao analisarmos a jogabilidade com mais atenção, alguns problemas começam a aparecer.

O principal deles está na própria proposta do jogo. Better Than Dead pede, em vários momentos, uma abordagem mais frenética, mas nem sempre oferece ferramentas para que isso aconteça de forma natural.

As balas, por exemplo, são infinitas, mas o carregamento da arma continua sendo obrigatório. Isso faz com que o jogador seja forçado a recarregar durante os confrontos e, como os inimigos eliminam o protagonista com poucos disparos, a tendência é abandonar a agressividade e optar por uma abordagem mais estratégica.

Outro problema está na inteligência artificial. Depois de algumas horas, torna-se perceptível que os inimigos repetem padrões e posições com muita frequência, fazendo com que a experiência se transforme em um exercício de memorização e tentativa.

Ainda assim, levando em consideração que o jogo está em acesso antecipado, a jogabilidade consegue cumprir bem o seu papel.

Hong Kong nunca pareceu tão real 



Se existe um aspecto em que Better Than Dead realmente impressiona, é no visual.

Todo o poder gráfico do jogo parece ter sido direcionado para a construção dos cenários. Restaurantes iluminados por letreiros de neon, becos escuros, casas noturnas e corredores apertados criam uma ambientação extremamente convincente. Essa representação de Hong Kong é, sem dúvida, um dos maiores destaques da experiência.

Os modelos dos inimigos são mais simples, mas isso acaba passando despercebido graças ao excelente trabalho realizado na ambientação.

A direção de arte também merece elogios. Ao apostar em uma atmosfera mais sombria e realista, o jogo consegue mergulhar o jogador em sua proposta rapidamente, criando uma sensação constante de tensão.

Uma história contada nas entrelinhas 



Better Than Dead não possui uma narrativa tradicional.

A história acompanha uma mulher que foi vítima de exploração sexual e decide buscar vingança contra aqueles que destruíram sua vida. Armada apenas com uma pistola e uma câmera corporal, ela percorre diferentes cenários em busca de seus responsáveis.

Grande parte da narrativa é construída de forma indireta, através das fases e da ambientação.

Mesmo sem diálogos elaborados ou grandes cenas cinematográficas, o jogo consegue transmitir sua mensagem. Os cenários, os detalhes visuais e a própria direção artística ajudam a construir uma experiência narrativa bastante eficiente.

Uma trilha que cumpre seu papel


A trilha sonora não é um dos grandes destaques do jogo, mas funciona bem dentro da proposta.

As músicas acompanham a tensão dos confrontos e ajudam a reforçar a atmosfera inspirada nos filmes de ação de Hong Kong das décadas de 1980 e 1990, uma das principais influências do projeto.

No entanto, falta um pouco mais de variedade entre as faixas. Em alguns momentos, a trilha acaba ficando em segundo plano, dando mais espaço aos efeitos sonoros dos disparos, dos passos e dos ambientes.

Ainda assim, o trabalho de ambientação sonora é competente e contribui para a imersão.

Um projeto com muito potencial 

Better Than Dead é um ótimo representante dessa nova geração de jogos em estilo bodycam. A proposta funciona, os gráficos impressionam e a atmosfera é extremamente envolvente.

Por outro lado, alguns problemas de jogabilidade e o comportamento dos inimigos mostram que ainda há espaço para melhorias. Felizmente, como o jogo ainda está em acesso antecipado, existe uma grande margem para ajustes.

Se os desenvolvedores conseguirem refinar algumas mecânicas e equilibrar melhor a relação entre realismo e ação, Better Than Dead tem tudo para se tornar uma das experiências mais interessantes do gênero.


Copia para PC cedida pelos desenvolvedores

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