Crítica│Filme "Metal Lords"

Foto: Divulgação/Netflix

Solos de guitarra, baterias estrondosas, maquiagem preta e muito couro, muito couro! Tudo isso dificilmente seria modismo entre os jovens de hoje, não é mesmo? Apesar disso, o filme "Metal Lords" ressurge o gênero do heavy metal para uma trama adolescente de uma forma surpreendentemente eficiente.

A comédia produzida pela Netflix e escrita por D.B. Weiss, um dos criadores da série "Game of Thrones", aposta em um clichê teen que alcança fãs nostálgicos do metal e ainda consegue, através de uma abordagem moderna, alcançar a nova geração. 

A história gira em torno de dois amigos: Kevin, um adolescente nerd e com poucos amigos, que aceita o pedido de Hunter, um guitarrista igualmente desajustado, que sonha em estrelar a Skull Fuckeruma banda que levará para o mundo o evangelho do metal. 

Apesar do discurso de Hunter pelo gênero musical, quase fanaticamente religioso, Kevin ainda tem problemas para entender de verdade o que é o metal, além de sofrer para aprender a tocar bateria.


Enquanto tentam estruturar sua banda, os amigos saem em busca de um baixista para compor um trio, mas a única que demostra interesse na função é uma menina. Emily, uma garota violoncelista, tímida e com problemas de socialização devido aos seus excessos de raiva e o uso de remédios controlados. Apesar da recusa de Hunter em aceitar uma garota na banda, Kevin logo se interessa romanticamente pela jovem, iniciando um confronto entre os amigos e seus objetivos futuros.

Apesar de uma trama simples e até clichê, o filme consegue se sustentar pelo roteiro divertido e as sacadas geniais sobre o dualismo entre o imaginário do rock e a realidade de garotos de 16 anos sustentados pelos pais. No entanto, o enredo tenta em alguns momentos trazer assuntos mais complexos, como a relação entre pais e filhos, saúde mental e aceitação da sociedade, mas não consegue se aprofundar direito nos curtos 90 minutos de filme. 

Podemos dizer que esse é o maior deslize do filme: tratar certos assuntos com superficialidade. Mas não deixo de pensar que uma série com esse pano de fundo talvez conseguisse abordar melhor tudo isso, devido ao maior tempo de tela. Infelizmente o que não aconteceu.

Apesar disso o filme consegue entregar a sua proposta principal: entreter, fazer rir e curtir um bom e velho rock. No meio disso ainda conseguimos ver pequenas mensagens sobre amizade e companheirismo, o principal motivo que une uma banda além do poder da música. 

Com um final engraçado e uma trilha sonora clássica, o filme ainda conta com pequenas participações de grandes nomes do rock, como o Kirk Hammett do Metallica; Rob Halford do Judas Priest; Tom Morello do Rage Against the Machine; e Scott Ian do Anthrax.

Ao som de "War Pigs" do Black Sabbath, o filme "Metal Lords" nos arranca sorrisos com suas várias referências, nos faz relembrar os tempos memoráveis do rock nos anos 80 e mostra que, sim, o rock ainda está vivo entre nós. Eternamente.

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