Mês Nacional | O Cinema no Brasil


Há poucos dias comemoramos a Independência do Brasil. Não tanto quanto o futebol, mas uma das grandes paixões do brasileiro é o cinema, que ao decorrer do tempo sofreu diversas transformações.

No Brasil, o cinema ainda não é muito qualificado em relação a outros países. Isso se dá pela falta de investimentos na área, pois aqui há autores e atores bem qualificados e com um potencial artístico grande, paisagens naturais que permitem a gravação de diversos gêneros diferentes com ótima qualidade visual. Mesmo com pouco dinheiro para sua produção, os filmes brasileiros nos últimos anos tiveram um grande desenvolvimento. Tendo filmes de sucesso internacional e indicados ao maior prêmio do cinema mundial, o Oscar.

Aproveitando o clima nacionalista do mês de setembro, vamos recordar alguns longas brasileiros de grande sucesso.

Reflexões de um Liquidificador



"Psiu, Elvira, Elvira, aqui, sou eu... o liquidificador" é assim que começa o extravagante relacionamento entre Elvira (Ana Lúcia Torre) e seu Liquidificador (Voz de Selton Melo). O filme é narrado por um velho liquidificador que, depois de consertado, adquire consciência. A relação entre os dois se dá em torno do desaparecimento de Onofre, o esposo de Elvira. O filme então retrocede mostrando como o liquidificador havia entrado na vida do casal e se tornado companheiro, confidente e cúmplice de Elvira. No meio de tudo isso Elvira recebe visitas da vizinha (Fabiula Nascimento), que só fala de sexo, e do carteiro fofoqueiro (Marcos Cesana), que sempre tenta lucrar uma vitamina ao entregar a correspondência.

O longa traz ótimos planos, enquadramento e montagem de cenário. Possui humor negro, diálogos contundentes filosóficos de um motor e uma atmosfera cômica sombria sobre toda a situação inusitada, mas em momento alguma faz parecer "absurda ou exorbitante". O diretor André Klotzel transforma uma história banal de um casal na periferia paulista em uma comédia sádica, surrealista e trash, no melhor sentido da expressão.

Luneta do tempo



O longa, ambientado no sertão nordestino, acompanha o cotidiano do bando de Lampião (Irandhir Santos) e Maria Bonita (Hermila Guedes), desde o enfrentamento contra as forças policiais enviadas pelo Estado, comandado pelo ditador Getúlio Vargas, até a sua queda. A filmagem é muito eficaz em mostrar a atmosfera árida do sertão ao público, através de uma paleta de tons terrosos, além de garantir uma maior carga emocional ao utilizar close-ups nas cenas. O que mais cativa é a subversão da violência em arte ao longo do filme e a representação da cultura nordestina, inclusive com a utilização de falas rimadas que lembram um cordel.

Cinema, Aspirinas e Urubus



Em 1942, no meio do sertão pernambucano, dois homens vindos de mundos diferentes se encontram. Johann (Peter Ketnath) é um comerciante alemão que foge da guerra em seu país dirigindo um caminhão pelo interior do Brasil vendendo aspirinas e exibindo filmes de graça para os povoados. E Ranulfo (João Miguel) é um sertanejo que tenta escapar do sertão para sobreviver e após ganhar uma carona de Johann, passa a trabalhar para ele como ajudante. Aos poucos surge entre eles uma forte amizade.

Cidade de Deus




Cidade de Deus é um filme brasileiro de ação, criado a partir do livro homônimo de Paulo Lins. Foi lançado no Brasil em agosto de 2002 e conta a história de Buscapé, um jovem pobre, negro e sensível, que cresce em um universo de muita violência. Ele vive na Cidade de Deus, favela carioca conhecida por ser um dos locais mais violentos do Rio. Amedrontado com a possibilidade de se tornar um bandido, Buscapé é salvo de seu destino por causa de seu talento como fotógrafo, o qual permite que siga carreira na profissão. É por meio de seu olhar atrás da câmera que ele analisa o dia a dia da favela em que vive, onde a violência aparenta ser infinita.

Com um grande impacto internacional, o longa se tornou um marco no cinema brasileiro tendo sido indicado ao Oscar nas categorias de melhor diretor, melhor roteiro adaptado, melhor fotografia e melhor edição.

Lisbela e o Prisioneiro



E se a vida da gente fosse exatamente como um filme? A jovem Lisbela adora ir ao cinema e vive sonhando com os galãs dos filmes que assiste. Filha do delegado da cidade, ela está noiva de Douglas, um rapaz que tem a mania de falar como carioca, mesmo sendo local. Enquanto isso, Leléu é um malandro conquistador, que em meio a uma de suas muitas aventuras chega à cidade da moça. Após se conhecerem eles logo se apaixonam. Em meio às dúvidas e aos problemas familiares que a nova paixão desperta, há ainda a presença de um matador que está atrás de Leléu, por ele ter se envolvido com sua esposa no passado.

Com destaque para a trilha sonora, com uma bem-sucedida parceria entre Zé Ramalho e Sepultura e a hilária canção final, O Amor é Filme.

O Auto da Compadecida



O filme mostra as aventuras de João Grilo e Chicó, dois nordestinos pobres que vivem de golpes para sobreviver. Eles estão sempre enganando o povo de um pequeno vilarejo no sertão da Paraíba, inclusive o temido cangaceiro Severino de Aracaju, que os persegue pela região. Somente a aparição da Nossa Senhora poderá salvar essa dupla.

Baseado no livro escrito por Ariano Suassuna em 1955, o filme é marcado pela linguagem com estilo regionalista nordestino. Buscando a verossimilhança da região, desde a linguagem ao uso de objetos típicos, figurino e até o cenário do sertão, elementos que fazem o espectador imergir na narrativa. A obra traz à tona o drama vivido pelos nordestinos com a seca, fome e luta contra a miséria de maneira leve e com humor.

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