Mês do Folclore: Lendas e Mitos


O Brasil é tão rico em histórias! Mas conhecemos tão pouco! Algumas existem apenas em determinadas regiões, enquanto outras tomam o país inteiro. A maioria das nossas lendas e mitos possuem origens com os indígenas locais, entretanto, algumas foram misturadas com criaturas e mitologias vindas de outros lugares como Europa e África, nascendo, assim, lendas únicas e inesquecíveis!

No início do século XIX, o Brasil passou pelo período do Romantismo, o que tornou possível que essas lendas e criaturas fossem retratadas em diversas artes, como poemas, livros e pinturas. É neste momento que muitos autores, como Monteiro Lobato, publicaram suas obras.

Nesse especial sobre o folclore brasileiro, trago algumas das lendas mais conhecidas. Com certeza algumas fizeram parte de sua infância, e tantas outras são tão interessantes que vale a pena conhecer!

SACI PERERÊ

Todos conhecem a história do menino negro de uma perna só, com calção e um gorro vermelhos, que pula enquanto fuma seu cachimbo. Lenda que teve sua origem provavelmente de Portugal, o Saci é muito travesso e astuto, geralmente surge em um redemoinho, gosta de assustar pessoas que andam no meio das matas, mas não costuma fazer grande mal a ninguém. Suas "brincadeiras" se resumem em assustar as pessoas, azedar o leite e dar nó em crina de cavalo. Ele também pode sumir com objetos de uso cotidiano e assobiar para assustar. Em algumas regiões, dizem que ele pode trocar o sal e o açúcar de lugar, para atrapalhar as cozinheiras.

CURUPIRA

Outro personagem travesso, o Curupira muitas vezes é representado como um garoto jovem, um menino moreno com cabelos cor de fogo (ou de fogo mesmo), que tem os pés virados para trás. Ele deixa as pegadas no chão para confundir os viajantes e exploradores, geralmente aqueles que querem destruir a natureza. Ele também pode assobiar, ou causar uma debandada de porcos selvagens e javalis. Inclusive dizem que ele é visto montado em um desses animais.


A Lenda do Curupira - Portal No Amazonas é Assim

MULA SEM CABEÇA

Surge de uma mulher que ousa namorar um padre que fez voto de castidade. Quando isso acontece, ela é amaldiçoada e acaba se transformando em uma mula sem cabeça, que solta fogo.
O animal fica correndo pelas estradas do interior, assustando e pisoteando todo mundo no caminho. Ela possui ferraduras de aço ou de prata, relincha tão alto que se ouve a muitos metros de distância, mas também pode soluçar baixo como uma pessoa de verdade para confundir os viajantes.

A Mula possui muitas divergências em sua lenda. A versão da mulher que namora o padre é apenas uma delas; as mais antigas, dizem que uma mulher pode se transformar em mula sem cabeça quando uma jovem moça consuma seu namoro antes de serem casados na igreja. Se a família a pegar "no ato", o pai pode amaldiçoá-la. E para acabar com a maldição, alguém precisaria arrancar os freios da mula ou furá-la com uma agulha ou objeto pontiagudo, pois quando o sangue caísse no chão ela seria livre da maldição. Ou a família/o padre poderia retirar a maldição dela, ou levando-a para ser benzida em solo sagrado.

LOBISOMEM

Apesar de ser uma lenda de origens europeias, também temos muitos registros dessa criaturas aqui, em solo Tupi. O lobisomem é uma criatura monstruosa, metade lobo e metade ser humano, que caça suas presas como um animal selvagem, se alimentando geralmente de pessoas.
Aqui no Brasil a lenda do lobisomem diz que para se transformar em um, uma família precisa ter 7 filhas mulheres e o 8º ser um homem, que será amaldiçoado. Ou mesmo quando a família possui 8 filhos, todos sendo meninos, o último também se torna um lobisomem.

A transformação ocorre toda noite de lua cheia, mas a pessoa volta a ser humano quando o sol nascer. No Brasil, acredita-se que os nossos lobisomem sejam os animais que temos por aqui, como o lobo guará, javalis, cachorros do mato ou como a lenda do CAPELOBO, conhecida no Maranhão.
O Capelobo é uma criatura com um corpo forte, patas grandes e focinho de tamanduá. Pode andar em duas ou quatro patas. Ele pode gritar ou uivar como um lobo, é muito rápido e só sai de sua toca à noite. Se alimenta de cães, gatos e bebês recém nascidos, mas também ataca caçadores que estão sozinhos, se alimentando principalmente do seu sangue. Muitas tribos na região do Xingu acreditam que estas criaturas são índios transformados.


Capelobo | É um animal fantástico, de corpo humano e focinho de ...

BOITATÁ

O Boitatá pode ser conhecido por diversos nomes, dependendo da região do Brasil. Na língua Tupi, seu nome significa "cobra de fogo", e ele realmente é uma grande cobra com fogo ao longo de seu corpo, que protege as matas e os animais.
Possui relatos do Boitatá ter sido encontrado num texto do século XVI, pelo jesuíta José de Anchieta. Apesar de ter sofrido diversas modificações com o passar dos anos, seu relato ainda é o de uma cobra toda de fogo: "você não vê outra coisa se não um facho cintilante correndo para ali; acomete rapidamente os índios e os mata, como os curupiras".

BOTO COR DE ROSA

Originário da região amazônica, a lenda do Boto cor de rosa diz que em noites de festa junina, o boto sai dos rios se transformando em um homem muito atraente. Ele seduz alguma mulher da festa, leva-a ao fundo do rio e acasala com ela.

CUCA

A Cuca é uma figura muito temida pelas crianças. Ela é uma velha malvada com cara de jacaré, na sua cantiga diz que ela rouba crianças desobedientes e que não querem dormir. Em sua lenda, diz que a Cuca consegue dormir somente a cada 7 anos. 

Sua história é de origem portuguesa, baseada na criatura "Coca", que é um fantasma ou dragão comedor de crianças desobedientes, e que fica a espreita nos telhados das casas durante a noite. Aqui no Brasil, a Cuca ficou famosa graças ao Monteiro Lobato na sua obra Sítio do Pica Pau Amarelo, onde a Cuca é uma mulher jacaré loira que mora numa caverna e vive bolando planos contra as crianças do sítio.


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NEGRINHO DO PASTOREIO

É a história de um menino escravo que tinha um senhor muito ruim. Um dia, quando foi pastorear os cavalos do seu senhor, acabou perdendo um cavalo baio.
Quando voltou para casa e o seu patrão deu por falta do cavalo, o menino foi violentamente espancado e jogado em cima de um formigueiro. Depois, ele apareceu no quintal do senhor, sem ferimentos no corpo, montado no cavalo baio e ao lado de uma visão da Virgem Maria.
As pessoas costumam acender uma vela para ele, pedindo ajuda para encontrar objetos ou pessoas perdidas.

IARA

Iara é uma belíssima sereia que atrai os pescadores com sua canção, a fim de matá-los afogados e comer sua carne.
Antes de ser uma sereia, a Iara era uma linda índia que causava muita inveja nas pessoas por sua beleza, inclusive de seus irmãos, que decidiram matá-la. Entretanto, no final é Iara que acaba matando seus irmãos, e como punição, ela é jogada no rio e amaldiçoada, e com isso torna-se uma sereia, com desejo de matar os homens para se alimentar de seus corpos.

CAIPORA

Protetora dos animais e das florestas, a Caipora geralmente é representada no gênero feminino, enquanto o Curupira comumente é visto no gênero masculino. Ela protege os animais das matas, uivando e gritando para assustar os caçadores.
A Caipora é como uma índia baixinha, com cabelos vermelhos e orelhas pontudas. Ela vive nua nas florestas e dizem ter o poder de falar e ressuscitar os animais. Ela faz armadilhas para confundir e pegar caçadores, e também faz pistas falsas nas trilhas para confundi-los.

ANHANGÁ


Conhecido também como Deus Branco, o Anhangá é protetor dos animais e um dos mais antigos mitos brasileiros.
Foi identificado pelo Padre José de Anchieta entre 1534 e 57. É um espírito que não tem uma forma fixa, pode ser encontrado como um pássaro, veado, tatu, raposa ou boi. Seu papel é confundir as pessoas e fazê-las se perder na floresta, ou até mesmo causar acidentes que levam à morte.

Ame o Brasil: Festa do Anhangá, no vale do Anhagabaú


COBRAS GRANDES

Também conhecida como a Cobra Nonato, uma cobra gigantesca que mora no fundo dos rios ou lagos. Seus olhos são luzes fortes que iluminam e aterrorizam todos que a encontram, entretanto, é uma criatura de coração bom que não faz mal a ninguém, ajudando e salvando as pessoas de se afogarem.
Ele é irmão de outra figura, a COBRA MARIA CANINANA. Ao contrário de seu irmão, Maria é uma cobra violenta, má, que afundava as embarcações e machucava os peixes por onde passava. Cansado das maldades de sua irmã, Nonato decidiu enfrentá-la numa batalha de vida ou morte, e saiu vencedor.

MÃE-DE-OURO

Uma bela índia que possui longos cabelos dourados, a Mãe-de-Ouro é protetora dos tesouros e do ouro das florestas. Ela indica a localização destes lugares, não para que sejam explorados, mas para que os habitantes da região possam protegê-lo. Em noites de lua cheia, ela costuma aparecer como uma bola de fogo nos céus. Ela também pode indicar a localização de um desses locais para quem tem bom coração, e caso ela veja que a pessoa realmente precisa de uma ajuda - isso acontecia muito na época da escravidão.

Em outras versões, ela também cuida de mulheres que são agredidas por seus maridos. Com sua beleza estonteante, ela encanta esses homens e os leva para cavernas, longe de suas famílias, e os prende ali para o resto de suas vidas. Mas também arruma novos maridos para as viúvas, maridos bons que as farão felizes.

MAPINGUARI


Parecido com um macaco ou com a preguiça gigante, essa criatura tem uma boca enorme cheia de dentes pontudos que ocupa toda a sua barriga. Ele se alimenta apenas de cabeça de pessoas.


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PAPA FIGO

Nada mais é do que a história do Homem do Saco. Muito comum em todo o Brasil, o Papa Figo é uma criatura que rouba crianças desobedientes durante a noite, mas está mais ligada à ideia de que as crianças não devem falar com estranhos na rua.
Na sua lenda, o Papa Figo come o fígado das crianças raptadas, para que ele se cure de suas doenças. Ele se passa por um senhor bonzinho, simpático, que conversa com as crianças e se mostra amigável, oferecendo comida e doces para depois enfiá-las dentro do saco e levar embora.

CORPO SECO

O Corpo Seco é uma pessoa que, em vida, foi tão ruim que quando morreu, o seu cadáver foi cuspido e rejeitado para fora da terra, obrigando a pessoa a vagar eternamente sem conseguir morrer, como uma maldição. Em outra versão, a pessoa é amaldiçoada ainda em vida e vai virando um zumbi.

LOIRA DO BANHEIRO

Sua lenda vem desde os anos 60-70. A entidade é uma jovem loira que pode ser invocada dentro dos banheiros das escolas. Dizem que ela vem para matar e levar a sua alma embora. A forma de invocá-la difere de região para região.

MATINTA PEREIRA

São bruxas anciãs disfarçadas de aves, geralmente um corvo ou urubu, mas podem ser vistas também como corujas e aves de rapina. Em algumas regiões, pode se disfarçar também de um javali ou porco do mato. Geralmente corre atrás de crianças que andam sozinhas, principalmente quando escurece. Como bruxas, botam medo em muita gente, pois podem rogar pragas e maldições em famílias inteiras.


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