5 conteúdos da Cultura Pop que falam da realidade de LGBTQIA+s com deficiência


Junho é o mês do orgulho LGBT+, mas parece que a realidade das pessoas LGBT+s com deficiência é outra. Eu me lembro que uma digital influencer, chamada Mariana Torquato, disse que a deficiência é a última minoria social a ser pensada. Eu não lembro qual autor falou que existem apenas três bandeiras consolidadas: o Movimento Negro, o Movimento Feminista e o Movimento LGBT+. Consolidadas porque o movimento já é grande o suficiente para chegar ao status de consolidação. Sendo assim, o resto, com o total respeito, "que se foda". Eu me lembro das minhas tardes assistindo a filmes LGBT+s, mas não me identificando com nenhum, mesmo aqueles que trazem uma excelente representatividade. Um dos motivos é porque as minhas experiências como uma LGBT+ com deficiência são diferentes (o outro é porque eu sou assexual e a assexualidade é invisível no mundo atual). Por isso, eu trouxe aqui alguns conteúdos da Cultura Pop que demonstram realidade e experiências de pessoas LGBT+ com deficiência. Já vou logo avisando: eu não consegui encontrar conteúdos para todas as siglas, lembrando que esses conteúdos são bem raros e ainda bem focados em gays cisgêneros musculosos brancos de classe média, ou no máximo lésbicas com o mesmo perfil. Mas tentei fazer a lista mais diversa possível. E sim, são todas boas representatividades 😉

Special

#ParaAPessoaCegaVer: foto de três personagens da série da cintura para a cima. Da esquerda para a direita de quem vê. Ryan, o protagonista da série (ele é magro de etnia branca caucasiana e de cabelo castanho), Kim Laghari, a melhor amiga de Ryan (Laghari se define como uma mulher gorda e não branca, sendo sua descendência indiana) e Carey, o qual eu não posso falar quem é ele na série se não eu estaria dando spoiler (Carey tem cabelo castanho, é magro e de etnia branca). Os três estão de frente, olhando para algo que não está na imagem, mas pelas expressões faciais, parece ser algo fofo (detalhe: o Ryan tem paralisia cerebral, então as expressões faciais dele mudam. Ryan não usa cadeira de rodas nem andador). Já o cenário, bem, eu não sei onde eles estão. Estão em um ambiente fechado. Os três estão em um ambiente fechado, isso é certo. Na frente deles, há uma mesa com um porta-lápis e algumas canetas, e atrás algumas pessoas andando ao redor do lugar. Uma loja talvez. Fim da descrição

A série é a primeira da plataforma da Netflix com um protagonista LGBT+ com deficiência. Ryan é um homem gay com paralisia cerebral, que decide reescrever sua identidade e finalmente ir atrás da vida que ele quer. É uma série sobre empoderamento, descoberta da sexualidade, sair do armário (tanto como LGBT+ como uma pessoa com deficiência), enfim... diversos aspectos que envolvem a vida de muitas pessoas LGBT+s com deficiência por aí.

Onde assistir: Netflix

Margarita com Canudinho

#ParaAPessoaCegaVer: Laila bebendo alguma bebida em um canudinho em uma mesinha e banquinho na praça. Ela olha para a frente com cara de apaixonada (lembrando que ela tem paralisia cerebral, então as expressões faciais dela são diferentes. Sim. Ela usa cadeira de rodas).

Laila Kapoor (Kaiki Koechilin) é uma estudante na Universidade de Delhi. É uma escritora aspirante e também compõe músicas para uma banda indie. Laila se envolve romanticamente com o protagonista da banda, mas é rejeitada. Depois disso, ela ganha uma bolsa de estudos da Universidade de Nova York e se muda com a sua mãe. Lá, conhece Khanum (Sayani Gupta), uma adolescente cega pela qual se apaixona e faz Laila entender a sua beleza, como uma mulher com deficiência, além de questionar a sua sexualidade (sim, Laila é bissexual).
O filme indiano de 2014 foi dirigido por Shonali Bose. A ideia do filme veio em 2011, através de uma conversa da diretora com a ativista dos direitos das pessoas LGBT+ com deficiência, Malini Chib, que é prima de Bose. Sendo assim, o filme é uma biografia de Chib, sendo baseado em fatos reais.
No geral, ele tem diversas qualidades, passando por temas como autoaceitação, beleza, mulheres com deficiência, descoberta da sexualidade, etc. o único defeito é que as atrizes que interpretaram Khanum e Laila não têm deficiência, mas só isso.

Minha experiência lésbica com a solidão

#ParaAPessoaCegaVer: fundo branco. Nagata Kabi (ela é a autora e protagonista do quadrinho) desenhada em estilo mangá. Ela está sentada no chão, triste. Em sua volta, vários objetos jogados no chão, uma sujeira mesmo: livros, papéis, sacolas de salgadinho e garrafas de refrigerante vazias.


Nagata Kabi passa por transtornos alimentares. Ela não se cura dos transtornos, mas acaba buscando um tratamento adequado. E esse tratamento envolve relacionamentos com mulheres, sendo Kabi lésbica.

Esse é o único conteúdo que eu encontrei e não é nenhuma série da Netflix ou filme de drama, mas um mangá yuri. Porque eu encontrei outros conteúdos em gêneros mais diversos da Cultura Pop. E, sim, é bem representado, até porque é uma autobiografia da autora.

Onde comprar: Amazon | Estante virtual | Magazine Luiza | Bazar Geek | Alfa Tech:


This close

#ParaAPessoaCegaVer: Fundo azul. Michael e Kate, os dois protagonistas da série, sentados em uma mesa, tristes. Lembrando que ambos são magros, brancos, caucasianos e de cabelo castanho.


Josh Feldman
(ator surdo e gay, inclusive) e Shoshanna Stern (atriz também surda) parecem interpretar bem os papéis de duas pessoas surdas diferentes, Michael e Kate. Michael é um artista gay que enfrenta alguns problemas. Na vida pessoal, um término de um namoro; no trabalho, um bloqueio criativo o impede de escrever seu livro. Já Kate é uma mulher que trabalha com relações públicas em uma grande empresa, mas parece não ser levada tão a sério pela patroa. Além disso, ela está noiva de Danny, que resolve esconder dela que foi demitido.

Feldman e Stern não só protagonizaram a série como também produziram-na. Além disso, haviam mais 25 pessoas surdas envolvidas na produção. Ou seja, representatividade na certa.

A série veio da cena independente (é lógico que grandes estúdios de Hollywood não ajudariam em produções como essa, exatamente por causa dos preconceitos). A série buscou financiamento coletivo através do Kickstarter e foi lançada no Sundance TV, um canal de TV estadunidense especializado em produções independentes.


Hoje eu quero voltar sozinho

#ParaAPessoaCegaVer: Gabriel, o namorado do Leonardo (Gabriel é de etnia branca, magro, de cabelos pretos e cacheados), está pedalando uma bicicleta no meio da rua, em um dia ensolarado e cheio de árvores na calçada. Leonardo, o protagonista da história (de etnia branca, magro e com cabelos castanhos) está montado atrás, pegando carona com Gabriel. Os dois estão olhando para a frente, mas estão com cara de apaixonadinhos um pelo outro.

Leonardo (Guilherme Lobo), um adolescente cego, tenta lidar com a mãe superprotetora e o bullying na escola, ao mesmo tempo em que busca sua independência. Quando Gabriel (Fábio Audi) chega em seu colégio, novos sentimentos começam a surgir em Leonardo, fazendo com que ele descubra mais sobre si mesmo e sua sexualidade, descobrindo-se, assim, homossexual.


É a estreia de Daniel Ribeiro como diretor de longa-metragem. O filme é baseado em um curta-metragem de 2010 dirigido por Ribeiro, chamado “Eu não quero voltar sozinho”. O curta tem mais de 3 milhões de visualizações no YouTube. Assim, juntando recursos, Ribeiro fez o filme, que foi lançado em 2014 no Festival de Berlim. O filme foi aplaudido de pé pelos telespectadores, e realmente é um filme para se aplaudir de pé. E realmente ele trata a temática de homens gays cegos, de gays com deficiência, muito bem. O único defeito é que não foi interpretado por gays cegos, mas por um homem fora do Vale e sem deficiência, que é o Guilherme Lobo.

Onde assistir: Netflix | Google Play | YouTube | sim, o curta também está disponível no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=1Wav5KjBHbI


Escrito por: Ana Fernandes (parceria Nerd PcD)


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