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quinta-feira, 9 de maio de 2019

A Lenda do Herói do Museu

Ainda que não possa ser comparado com as grandes empresas internacionais, é indiscutível quando falamos que o mercado brasileiro de games está em crescimento nos últimos anos.

Mesmo que a maioria diga que desconhece um único jogo que tenha sido criado em terras tupiniquins e tenha feito sucesso, tenho certeza que você ao menos já ouviu falar de algum deles por aí, como é o caso de: Horizon Chase, produzido pelo estúdio Acquiris e que tem como principal atrativo a jogabilidade retrô junto de gráficos 3D; Until Dead, criado pelo estúdio Monomyto, de Campo Grande (MS), que ganhou o prêmio de melhor jogo para mobile no Indie Prize de Seattle (EUA) em 2017; e, claro, aquele que ficou conhecido na internet através dos Castro Brothers, A Lenda do Herói.



Lançado há três anos, o jogo vem quebrando as barreiras do preconceito com os games brasileiros, mostrando que é produzido muito conteúdo de qualidade por aqui também.

"É um processo demorado de habituar a audiência brasileira a apreciar os jogos daqui." Diz Rafael Bastos, 33, produtor da Dumativa e do game. "Mas tem sido muito gratificante para a gente ver a resistência diminuindo. No início era muito pior, hoje a fanbase do Lenda do Herói é fantástica, e só aumenta."

Em exemplo ao que a Ubisoft fez para o caso de incêndio em Notre Dame, Rafael conta que eles decidiram abrir mão de 100% das verbas nas vendas por dois dias para ajudar na restauração do Museu Nacional do Rio de Janeiro. "A Nuuvem nos procurou com uma ideia de usar o feriado do descobrimento do Brasil como uma data pra gerar awarness para o caso do museu. Acabou que achamos mais prudente abrir mão de 100% do dia 22 ao dia 24, de forma a tentar fazer com que o assunto voltasse a pauta."

E por mais que alguns tivessem criticado a ação e até mesmo se negando a adquirir algum produto da Lenda do Herói nestes dias, foram mais de 600 pessoas que contribuíram com compras que foram revertidas em doações para o Museu.

"As interações negativas foram bem pequenas e geravam debates, o que é muito bom. Tem muita desinformação quanto a como é administrada a verba da doação. Mas boa parte das pessoas ficaram bem felizes. [...] O próprio Museu Nacional nos procurou depois para agradecer a campanha. Acho que ajudou a propagar informações de como doar diretamente pro museu e como a doação funciona e é administrada."

O produtor conta ainda que um dos maiores obstáculos em se produzir jogos no Brasil é o investimento. É preciso trabalhar com um orçamento bem menor do que o esperado, sem contar que o mercado de consumo é bastante limitado a jogos gratuitos. O brasileiro começou a ser visto como público-consumidor há pouco tempo, coisa de dois ou três anos, com os jogos internacionais sendo disponibilizados com legenda em português localizado e, até mesmo, dublados. Isso ajuda a mobilizar a audiência brasileira a buscar por mais jogos de território nacional. Também ajuda as nossas empresas a abrirem os braços para esse público cada vez mais emergente.

Mas para que este cenário amadureça e evolua mais, é uma questão mesmo de tempo. "Sob o ponto de vista de criação, acredito que os investimentos estão aparecendo e a cada ano mais estúdios aparecem. É profissionalizar e ter acesso a capital." Mesmo com todas as dificuldades, o cenário atual de jogos no Brasil se encontra numa fase boa: "Muitos jogos concorrendo a prêmios lá fora, a gente hoje tem linhas de investimentos públicas que devem liberar uma boa safra de jogos. Além de empresas que estão conseguindo acordos com publishers e conseguindo tocar seus jogos mesmo num terreno não tão fértil."

E para quem deseja ingressar nesse cenário que só tende a crescer, Rafael dá sua opinião de por onde você pode começar a procurar:
"Acho que o começo bom é numa parte técnica. Música, desenho, programação, narrativa. Isso já tem cursos de outras áreas que servem. Depois é estudar técnicas de game design e participar de muitas GAMEJAMs e Hackatons. Muitas empresas nasceram disso, a minha inclusive."

O jogo está disponível na Steam e na Nuuvem, e sua plataforma oferece outros produtos como camisetas, bonecos colecionáveis e pôster.

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