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| The Game Bakers/Divulgação |
Com uma proposta simples, mas conduzida de forma magistral, Cairn transforma uma subida de montanha em uma experiência imersiva, desafiadora e emocionante. O que poderia ser apenas um simulador de escalada se revela uma jornada sobre superação, solidão e persistência — recompensando o jogador a cada pequeno avanço conquistado com esforço.
Ficha técnica:
Desenvolvimento: The Game Bakers
Distribuição: The Game Bakers
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Aventura, Sobrevivência
Plataformas: PC, PlayStation 5
Idioma: Português+
Cada movimento importa
A jogabilidade de Cairn é simples na teoria, mas complexa na prática. Durante a exploração, controlamos a protagonista normalmente. Ao iniciar a escalada, porém, cada braço e cada perna passam a ser controlados individualmente.
O grande pilar da experiência está no equilíbrio: encontrar as frestas certas da montanha, distribuir o peso corretamente e evitar quedas. O jogo sugere automaticamente qual membro mover, mas o jogador pode assumir controle manual a qualquer momento.
Essa mecânica torna a experiência exigente — e, em alguns momentos, frustrante. Mas a frustração faz parte do propósito: o objetivo é escalar uma montanha jamais conquistada. Cada erro vira aprendizado.
Elementos leves de sobrevivência reforçam a imersão: inventário limitado, coleta de itens, gerenciamento de fome, sede e frio. Tudo contribui para o peso físico e emocional da jornada.
Há, contudo, pequenos problemas de precisão em certas escaladas, quando a ordem automática dos membros não parece lógica. O inventário também apresenta bugs ocasionais. São tropeços pontuais, mas perceptíveis.
A arte da montanha
Tecnicamente, os gráficos de Cairn são simples e leves, sem muitos problemas no decorrer da jogatina. A direção de arte é assinada por Mathieu Bablet, que também participa do roteiro. A combinação de cell shading com paisagens amplas e minimalistas cria um visual sofisticado, etéreo e carregado de simbolismo.
A montanha não é apenas cenário — é presença. Imponente, silenciosa e quase mística. A paleta de cores e o design ambiental transmitem solidão e grandiosidade ao mesmo tempo, elevando o jogo a outro patamar estético.
Aava e o peso do impossível
Nossa personagem principal Aava é o centro emocional da experiência. Montanhista experiente, ela está determinada, mais uma vez, a alcançar o cume de uma montanha nunca conquistada, enfrentando não apenas o terreno hostil, mas suas próprias limitações.
A narrativa é introspectiva e focada em personagem. A montanha também funciona como personagem, sendo um repositório de histórias de outras pessoas que tentaram antes — e falharam, bem como de outros que escolheram a montanha para ser seu lar e desistiram. Esses detalhes dão profundidade ao mundo e reforçam o simbolismo da jornada.
O desfecho é emocionante e deixa uma sensação rara de exaustão e conquista genuína.
O som da solidão
A trilha sonora é etérea e minimalista, reforçando a sensação de imensidão e vazio. O silêncio é tão importante quanto a música, ampliando a solidão da escalada e fortalecendo a imersão.
Persistir é vencer
Cairn transforma uma escalada em algo muito maior do que um desafio físico. É uma experiência sobre insistir, cair, tentar de novo e seguir em frente.
Mesmo com pequenos problemas técnicos, o conjunto — mecânica, arte e narrativa — se sustenta com força. No fim, chegar ao topo importa menos do que o caminho percorrido.
Nota Final: 9/10
✅ Pontos Positivos
Mecânica de escalada única e desafiadora
Direção de arte marcante assinada por Mathieu Bablet
Narrativa simbólica e emocional
Atmosfera imersiva
❌ Pontos Negativos
Pequenos problemas de precisão na escalada
Bugs ocasionais no inventário





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