Routine, jogo de survival horror lançado no final do ano passado, é uma experiência que aposta fortemente na imersão e na tensão psicológica. No entanto, ele só recompensa plenamente o jogador que realmente compra sua proposta: um terror lento, metódico e desconfortável, que não faz concessões para quem busca ação constante ou gratificação imediata.
Ficha Técnica
Título: Routine
Desenvolvedora: Lunar Software
Publicadora: Raw Fury
Plataformas: PC (Steam), Xbox Series X|S
Gênero: Survival Horror
Duração: 6 a 8 horas
Idiomas: Português+, Inglês e outros
Jogabilidade - Lenta por escolha, não por acaso
A jogabilidade de Routine é deliberadamente lenta, arrastada e até burocrática. Movimentos pesados, interações demoradas e a ausência de qualquer sensação de poder tornam a experiência exigente, afastando jogadores mais casuais ou impacientes.
No entanto, o que à primeira vista parece defeito faz parte do conceito do jogo. Routine busca uma abordagem mais realista e opressiva do survival horror, onde cada ação tem peso e cada decisão precisa ser pensada. Essa escolha fortalece a imersão, mas deixa claro que não se trata de um jogo para todos.
Claustrofobia como linguagem visual
Tecnicamente, os gráficos de Routine são competentes, mas é na direção de arte que o jogo realmente se destaca. Os corredores estreitos, a arquitetura fria e a iluminação minimalista conseguem transmitir uma sensação constante de claustrofobia e isolamento.
A influência da franquia Alien é evidente — não apenas na ambientação espacial, mas no uso do silêncio, da escuridão e da espera como ferramentas de terror. O jogo entende que mostrar menos pode ser muito mais eficaz do que escancarar o horror.
Fragmentos de um pesadelo abandonado
Em Routine, o jogador explora uma estação lunar abandonada, construída com uma estética futurista inspirada em visões do passado sobre o futuro. Algo deu muito errado naquele lugar, e cabe ao jogador juntar fragmentos de informações espalhadas pelo ambiente para entender o que aconteceu.
A narrativa é propositalmente difícil e intrincada. Nada é explicado de forma direta, exigindo que o jogador se engaje ativamente, observe o cenário, leia registros e conecte os pontos por conta própria. É uma história que se revela aos poucos e que recompensa a atenção, mas que também pode frustrar quem espera respostas claras.
O silêncio como terror
A trilha sonora de Routine é quase inexistente, e isso não é um problema — pelo contrário. O silêncio constante reforça a sensação de solidão absoluta e deixa o jogador permanentemente em estado de alerta.
Quando sons surgem, eles não confortam: rangidos metálicos, ruídos distantes e alarmes quebram o silêncio de forma abrupta, aumentando ainda mais a tensão. É um uso inteligente do áudio como ferramenta narrativa e atmosférica.
Conclusão
Routine definitivamente não é um jogo para qualquer um — e nem pretende ser. Ele não busca diversão imediata, nem momentos de ação constantes. Sua proposta é desconfortar, cansar e colocar o jogador em uma posição de vulnerabilidade constante.
Para quem aceita essa abordagem e se engaja com sua linguagem, Routine se revela um excelente exemplo de survival horror atmosférico, que entende o poder do silêncio, da lentidão e da imersão. Um jogo exigente, mas extremamente recompensador para o público certo.
Nota Final: 8/10
Pontos Positivos
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Atmosfera extremamente imersiva e opressiva
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Direção de arte eficiente e coerente com a proposta
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Uso inteligente do silêncio como ferramenta de terror
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Narrativa ambiental que recompensa jogadores atentos
Pontos Negativos
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Ritmo lento pode afastar jogadores mais casuais
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Jogabilidade burocrática exige muita paciência
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História pouco acessível para quem não se engaja totalmente





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