Review – Latency (Jogo Mortal)

Adrenalina Pura+/Divulgação

IMPORTANTE: Não damos spoilers em lançamentos.

Latency, conhecido no Brasil como Jogo Mortal, é um filme de ficção científica que parte de uma premissa interessante sobre tecnologia e mente humana, mas que acaba se tornando um episódio estendido de Black Mirror sem a profundidade necessária para sustentar sua própria tensão.

Ficha Técnica:

Direção: James Croke
Roteiro: James Croke
Produção: Barry Brooker, Scott Clayton, Jordan Gertner, Gary A. Hirsch, Wych Kaosayananda, entre outros
Distribuição: Grindstone Entertainment Group / Adrenalina Pura+
Gênero: Ação, Ficção Científica, Horror/Psicológico
Idioma: Português+ (com legendas, dependendo da plataforma)
Classificação Indicativa: 12 anos

Sinopse

Quando Hana, uma jogadora profissional que sofre de agorafobia aguda, é convidada a testar um equipamento de jogos sofisticado que usa inteligência artificial para interpretar a atividade elétrica de seu cérebro, a linha entre realidade e subconsciente começa a se confundir. O que parecia uma oportunidade de melhorar suas habilidades pode estar controlando sua mente e transformando sua vida em um pesadelo.

Resenha — Tecnologia, mente e urgência sem coerência


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A temática apresentada no filme já é um mote clássico da ficção científica: O que aconteceria quando realidade e fantasia se misturam por meio da tecnologia? Latency consegue, nos primeiros dois atos, criar tensão e manter o enredo interessante. A premissa de uma gamer com agorafobia — um medo debilitante do mundo exterior — explorando os limites de um dispositivo que “lê” sua mente tem potencial narrativo e reflexivo.

Os dramas humanos apresentados também são factíveis. O fato de centralizar a trama em uma personagem com fobia social poderia servir de base para um estudo psicológico profundo, mas isso não tem força o bastante dentro do roteiro para prender o espectador de forma marcante.

A montagem do filme, que se passa basicamente em poucos cômodos, consegue transmitir um pouco da sensação de claustrofobia, mas nem sempre isso se traduz em impacto narrativo efetivo. Essa abordagem intimista — explorada também por críticas internacionais — funciona melhor como tentativa do que como resultado sólido.

Direção e execução


Adrenalina Pura+/Divulgação

James Croke faz uma escolha interessante ao focar quase toda a narrativa no apartamento da protagonista, reforçando a tensão psicológica e associando o ambiente à sua condição mental. Contudo, a direção às vezes peca por falta de variação narrativa e por depender demais de elementos de horror genéricos em vez de desenvolver melhor as ideias de fundo tecnológico e psicológico.

Atuações e presença de elenco


Adrenalina Pura+/Divulgação

As atuações são competentes, mas sem brilho marcante. Sasha Luss, no papel de Hana, segura o filme em muitos momentos por sua presença e comprometimento com a personagem — especialmente em cenas que exploram sua luta interna contra o medo e a distorção da realidade. Ainda assim, os diálogos e a construção dos personagens secundários, incluindo a amiga Jen interpretada por Alexis Ren, contribuem pouco para aprofundar a narrativa ou gerar empatia mais forte.

Tensão e terceira parte do filme


Adrenalina Pura+/Divulgação

O maior problema de Latency aparece no terceiro ato: o filme perde totalmente a mão, oferecendo um desfecho pouco satisfatório e diluído que parece mais uma tentativa de ser enigmático do que uma conclusão coerente do que foi construído anteriormente. A promessa de tensão psicológica e reflexão sobre tecnologia acaba se tornando uma sequência de cenas desconexas, deixando o espectador com a sensação de que o potencial nunca se concretizou plenamente.

Veredito



Latency é um filme de ficção científica com boas intenções e ideias tematicamente interessantes, mas que se perde em sua própria execução. A premissa de explorar tecnologia, mente e medo humano tem potencial — e o início do longa até consegue criar uma atmosfera curiosa —, porém o roteiro falha em sustentar a tensão até o fim e entrega um terceiro ato inconsistente e pouco satisfatório.

O resultado é um thriller que mais se assemelha a um episódio mediano de Black Mirror estendido do que a um filme capaz de aprofundar seu tema com eficácia.

Disponível em: Adrenalina Pura+

Nota Final: 6/10

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