Lista | Produtoras que foram extintas por jogos que fracassaram

Houve um tempo em que a produção de jogos era barata, e praticamente qualquer franquia ganhava um videogame. Hoje os orçamentos são absurdos, a expectativa dos jogadores é alta e o marketing é enganador.

Indo desde jogos promissores até lançamentos com downgrade, a lista a seguir conta casos de estúdios que foram arruinados após projetos fracassados.

Imagem: Xbox/Divulgação

Esse ano teremos o lançamento de um novo Fable, que está sendo produzido pela Playground Games (Forza Horizon), mas a desenvolvedora original era a Lionhead Studios.

Fundada em 1997 na Inglaterra, a equipe contava com a liderança de Peter Molyneux e estreou com o título de sucesso Black & White, que automaticamente chamou a atenção, levando a Microsoft a formar uma parceria com a equipe; e assim nasceu o Fable clássico. O RPG se saiu muito bem e ganhou uma trilogia, além de uma versão de Kinect — não muito memorável.

Mas o trem saiu dos trilhos na Gamescom de 2013, com a revelação de Fable Legends. Este título iria se tratar de um multiplayer, onde quatro jogadores se uniriam para enfrentar um quinto, que interpretaria o vilão. Um dos maiores problemas do desenvolvimento foi as exigências da Microsoft, que queria transformar o projeto em uma vitrine tecnológica. Sempre que algum recurso novo de desenvolvimento surgia, a equipe do jogo precisava implementá-lo, o que levou a mudanças de direção, orçamento caro e prazo sem fim.

Conforme Fable Legends se tornou inviável, a Microsoft tomou a decisão de cancelar o jogo e fechar a Lionhead Studios em 2016. Durante muito tempo esse evento foi um marco na história do Xbox, e mais tarde, durante o documentário oficial "Power On", funcionários da Microsoft admitem que o encerramento do estúdio foi um erro.

Imagem: Bethesda Softworks/Divulgação

Arkane Austin era um nome conhecido por trabalhar em Dishonored e Prey. Mas a Zenimax, controladora do conglomerado ao qual a Arkane pertencia, forçou-a a produzir um projeto multiplayer live service. Foi assim que surgiu Redfall.

Ninguém queria trabalhar no jogo, já que era bastante diferente do DNA da empresa, o que gerou uma onda de demissões. Quando a Microsoft se tornou dona de toda a Zenimax, a esperança era que o jogo fosse cancelado; entretanto, isso não ocorreu. A Microsoft decidiu que Redfall seria lançado, mas deu liberdade para que a Arkane fizesse algo com o qual estava familiarizada: um single player com modo história, mecânicas de furtividade e uso de poderes.

Desde sua primeira aparição, Redfall gerou debates sobre sua identidade. Muitos afirmaram que era uma cópia de Left 4 Dead, e isso já era um sinal crítico, pois o conteúdo do marketing não estava sendo claro. A comunicação com o público melhorou só mais tarde, mas este não era o único motivo para transformar o lançamento em um completo desastre.

Redfall chegou aos consoles travado em 30 FPS, com bugs excessivos e problemas de conexão com os servidores — era necessário estar sempre online para jogar, mesmo em campanha solo. A situação foi tão extrema, que levou muitos a questionarem a qualidade dos títulos produzidos por outras equipes da Microsoft.

Redfall recebeu atualizações com melhorias, mas o público já havia perdido a confiança e o título foi um fracasso de crítica e público. Cerca de um ano depois, em 2024, a Microsoft fechou a Arkane Austin, deslocando parte dos funcionários para outros estúdios e dando fim ao suporte de Redfall. As DLCs foram reembolsadas para os compradores da edição mais cara.

Imagem: Square Enix/Divulgação

Anunciado em 2020 sob o codinome de Project Athia, Forspoken centrava seu marketing em gráficos revolucionários e um sistema de parkour mágico para explorar um vasto mundo aberto. Mas o primeiro grande erro de Forspoken foi sua demo.

Na demonstração os jogadores puderam perceber a grande queda na qualidade visual em comparação aos trailers, e ainda um mundo vazio. A repercussão negativa foi alarmante o suficiente para que o diretor criativo comunicasse ao público que aquilo não era uma representação do produto final.

Lançando em janeiro de 2023, Forspoken se tornou viral, sendo amplamente ridicularizado por sua narrativa mediocre e gráficos ultrapassados. No mês seguinte, o estúdio responsável, Luminous Productions, perdeu sua independência e passou por um processo de reestruturação, sendo absorvido por outras divisões da Square Enix.

Imagem: Firewalk/Divulgação

Há alguns anos, sob a liderança de Jim Ryan, a Sony declarou a polêmica estratégia baseada em jogos multiplayer. A ideia era lançar diversos títulos, e para isso a dona do PlayStation adquiriu estúdios, e entre eles estava a Firewalk.

Fundada por veteranos de Destiny, a Firewalk Studios concentrava seus esforços em criar um jogo de tiro em equipes, semelhante ao Overwatch 2. Mas enquanto a Blizzard estava apostando em um modelo de jogo gratuito, a Firewalk estava cobrando por Concord.

Historicamente, criar um jogo multiplayer é uma aposta muito perigosa. Conquistar o público é difícil, e a equipe de Concord fez todo o possível para que isso não acontecesse. Em primeiro lugar, o jogo custava aproximadamente R$ 200, o que é fora da realidade para jogos do mesmo gênero. Além disso, os personagens não agradaram a comunidade. No consenso geral, era visto como uma paródia genérica de Guardiões da Galáxia.

Na Steam, o jogo teve um pico de menos de 700 jogadores simultâneos. No PlayStation 5 também não teve um bom desempenho; estima-se que apenas 25.000 unidades foram vendidas em todas as plataformas, o que fez os servidores do jogo serem desativados rapidamente. Posteriormente, o estúdio da Firewalk também foi fechado.

Concord custou além de 200 milhões de dólares, e durou menos de duas semanas. É considerado um dos maiores fracassos na história dos videogames.

A lista pode continuar se extendendo se pensarmos em Saints Row (Volition), Wonder Woman (Monolith) e Perfect Dark (The Initiative). Todos são exemplos de que as grandes editoras de jogos continuam cometendo os mesmos erros.

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