Resenha | Deadly Class Vol. 1 - Filhos de Reagan (+18)

Fonte: Reprodução/Editora Devir*

Sendo alguém que gosta de histórias que sigam caminhos incomuns, ou que retratem situações que a maioria das pessoas não vive fora de livros e séries, sempre estou buscando novas produções para consumir.

Então, acredito que você possa imaginar o quão feliz eu fiquei quando encontrei uma história com uma escola que ensina filhos de criminosos a serem assassinos, ou melhor, ensina a serem os melhores assassinos do mundo.

É isso que temos em Deadly Class, obra em quadrinhos que tem Rick Remender e Wes Craig como cocriadores, e Lee Loughridge como colorista. Remender é o roteirista dos quadrinhos e Craig responsável pela arte de Deadly Class. A obra é ambientada em São Francisco, nos anos 80, e retrata o amadurecimento de um grupo de jovens que vive em um ambiente extremamente violento.



Fonte: Reprodução/Editora Devir*


HISTÓRIA

O personagem principal da história é Marcus Lopez Arguello, um sem teto que passou por situações terríveis que o fizeram pensar seriamente em tirar a própria vida. Falo isso porque é importante destacar que Marcus estava desesperado. E desesperado por várias coisas, por afeto, por amigos, por ter o mínimo para viver e, principalmente, por um propósito para continuar.

É por isso que ele aceita entrar na Escola de Artes Mortais dos Reis Soberanos depois de ser salvo por um grupo de pessoas estranhas, para dizer o mínimo, de uma emboscada feita pela polícia.

A partir desse ponto passamos a acompanhar o personagem conhecendo a escola, como as coisas funcionam no local e encontrando um grupo — já que esse é o melhor jeito para sobreviver naquela escola, e tendo algumas aulas bem interessantes como: “psicologia do assassino” e “classe avançada de artes ocultas”.

É a partir da tarefa de uma dessas aulas que podemos conhecer um pouco mais sobre os outros personagens, e onde algumas situações cheias violência se desenrolam. Se o lance da escola de assassinos não deixou claro, falarei com todas as letras.



Fonte: Reprodução/Editora Devir*


Deadly Class é uma obra que retrata um contexto violento, ou seja, ela vai ter vários momentos onde a violência vai ser retratada de maneira bem gráfica. O que pra mim deixou tudo mais interessante, mas se você é alguém que não gosta desses conteúdos ou não tem a idade para consumir esse tipo de obra, já deixo avisado que é +18.


VALE A PENA?

Vale, vale muito a pena. O enredo de Deadly Class já é interessante por si só, mas Rick Remender faz um ótimo trabalho no desenvolvimento da trama e trouxe temas relacionados à críticas sociais. No posfácio do volume, ao falar sobre o processo de criação da obra, o roteirista fala sobre como ele explorou uma época de sua vida, onde a violência era algo que fazia parte da rotina, junto com as experiências que ele teve durante o ensino médio para usar em Deadly Class. 

Acredito que esse é um dos motivos que faz com que os quadrinhos sejam realístico para os leitores, ainda que trate de situações tão inusitadas como uma escola de assassinos.



Fonte: Reprodução/Editora Devir*


Outro ponto que ajudou na criação desse mundo bastante realista é a arte de Wes Craig. Além de serem bastante particulares e terem características estilizadas, os personagens criados pelo artista parecem reais. Parecem exemplares legítimos saídos direto dos anos 80 que retratam muito bem a época em que a história se passa. Somado a isso, temos uma construção de cenas interessantes que seguem muito bem o ritmo da história e mantém a fluidez nas cenas de ação.

Falando agora do trabalho realizado nas cores por Lee Loughridge, encontramos um resultado bastante notável em acertar a atmosfera de cada cena. Um ótimo exemplo do talento de Loughridge presente no volume é a forma como ele retratou o período onde Marcus estava passando pelos efeitos do uso de LSD. Marcus passou por muita coisa quando estava doidão, e a forma como as cores seguiram cada um desses momentos deixou a experiência ainda mais bizarra.


PUBLICAÇÃO DE DEADLY CLASS NO BRASIL


Capas dos volumes 2, 3, 4, 5 e 6. Fonte: Reprodução/Editora Devir*


No país, a responsável pela publicação de Deadly Class é a Editora Devir. Já temos seis volumes publicados no país, até o momento, e em cada um deles as edições da obra são compiladas, sendo que os dois últimos publicados são volumes duplos, ou seja, maiores. Os volumes são:

Vol. 1 - Filhos de Reagan (edições 1 a 6)

Vol. 2 - Crianças do Buraco Negro (edições 7 a 11)

Vol. 3 - Ninho de Cobras (edições 12 a 16)

Vol. 4 - Morra por Mim (edições 17 a 21)

Vol. 5 - Isso não é o Fim (edições 22 a 31)

Vol. 6 - Caminho Sem Volta (edições 32 a 39 e a oneshot “Killer Set”)


ADAPTAÇÃO DAS HQ'S

Imagem: Divulgação/Syfy

A obra ganhou uma adaptação em 2019 que se manteve bastante fiel, ainda que mudasse algumas coisas da história para que ela se adequasse melhor como uma série. Tendo 10 episódios, a série adaptou os acontecimentos das edições 1 até 7, ou seja, todo o volume 1 lançado no Brasil foi adaptado.

Infelizmente, depois do lançamento da primeira temporada a série não foi renovada. O que não é um indicativo de que não foi boa, a série tinha uma ótima ambientação, atores muito parecidos com os personagens, e um ritmo que podia melhorar, mas ainda era aceitável para uma obra em sua primeira temporada. Porém, alguns erros foram cometidos e levaram a esse destino.

Se você se interessar em ver os acontecimentos da história em quadrinhos de outra maneira, vale muito a pena assistir a série, ela está disponível no streaming da Globoplay. E para aqueles que gostaram da série, a história continua nas hq's, então, se você quiser continuar acompanhando o universo de Deadly Class vale a pena conferir.

As histórias em quadrinhos estão disponíveis para comprar na Amazon.

*As fotos presentes nesta resenha são das páginas do volume, toda e qualquer reprodução da arte de Deadly Class presente aqui foi feita com o intuito de divulgar a obra. Todos os direitos das artes e dos personagens da história são de seus criadores/licenciadores.

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