Crítica | 3º temporada de The Umbrella Academy

 

Na terceira temporada temos novos personagens, novos problemas, algumas respostas e o mesmo caos familiar de sempre. Tudo isso durante o fim do mundo, é claro. (Foto: Divulgação/Netflix)


AVISO: Esse texto tem spoilers mas nada que estragaria a sua experiência, leia por sua conta e risco.



The Umbrella Academy retornou para o seu terceiro ano dando continuidade a história dos Hargreeves. E novamente temos Klaus, Cinco, Diego, Viktor, Luther e Allison tentando evitar o Apocalipse enquanto lidam com suas questões interiores, as consequências de suas decisões e com o caos que eles são como família.


Nessa temporada os personagens se veem novamente em seu ano de origem mas se eles pensavam que finalmente poderiam viver sem ter que pensar no fim do mundo iminente eles estavam errados. O que eles encontram é uma realidade mudada onde seu pai não os escolheu para serem adotados e sim outras das crianças também com poderes que nasceram nas mesmas circunstâncias que eles. A partir daí os Hargreeves têm que confrontar as consequências da sua interferência no passado.


A série é baseada nas HQ’s de Gerard Way e Gabriel Bá e ainda que faça referência aos arcos das histórias em quadrinhos, as duas produções já seguem caminhos diferentes. “The Apocalypse Suite'' foi o arco da primeira e “Dallas” a da segunda. Na terceira temos referências ao arco “Hotel Oblivion”, como o fato de grande parte da temporada se passar no Hotel Obsidian e termos o Projeto Oblivion como um dos mistérios a serem desvendados.


Desde o fim da temporada anterior sabemos que a Sparrow Academy seria um dos desafios com os quais os personagens principais teriam que lidar e isso realmente acontece no início da temporada porém o foco não se mantém na nova equipe formada por Reginald Hargreeves. Ainda que o conflito tenha rendido uma das cenas icônicas da temporada, a famosa cena de dança presente em cada ano da série desde o seu início, parecia sempre que havia algo mais importante do que aquilo acontecendo. 


Outro ponto que foi usado de gancho na temporada anterior é que Ben, o falecido integrante da Umbrella Academy, está vivo nessa nova linha temporal e faz parte da nova equipe. É de se pensar que isso teria alguma importância para o enredo já que foi usado para manter os fãs interessados porém não houve um grande desenvolvimento para essa questão. O que temos é que o Ben está vivo e definitivamente diferente, fim.


Da esquerda para a direita temos Ben, Lila, Cinco, Allison, Diego e Luther. Abaixo temos Klaus e Viktor. (Foto: Divulgação/Netflix)


O ritmo acelerado presente nas outras temporadas e o sentimento de contagem regressiva se manteve, ainda que o desenvolvimento dos personagens tenha se sobressaído a isso. Tivemos Klaus aprendendo um pouco mais sobre seus poderes ao se aproximar de seu pai da linha temporal em que eles estão, ou seja, o Reginald pai dos Sparrows. 


Destacamos também Viktor passando pela transição de gênero e mostrando a família quem ele realmente é e o destaque dado a Allison que está passando pelo luto de não ter mais Ray, seu marido na segunda temporada, e Claire, sua filha. A personagem por muitas vezes foi o que moveu a temporada em direção ao desfecho, porém por ela não ter sido devidamente desenvolvida e explorada nas temporadas anteriores o público pode não ter a empatia necessária para sentir, de certa forma, o que a personagem está vivendo.


A questão da viagem no tempo abre espaço para diversas possibilidades e os roteiristas definitivamente se aproveitam disso para dar sempre ao público um plot twist, nessa temporada não é diferente, já que o final traz um grande gancho para a seguinte se a série for renovada. 


Momentos inesperados não faltam no enredo, pra quem gosta de cenas de ação elas continuam presentes e o humor continua sendo uma característica da série que muitas vezes usa os relacionamentos disfuncionais da família para ter momentos engraçados.


Algumas das perguntas das temporadas anteriores foram respondidas, como o que aconteceu com Harlan e Sissy e para onde Lila foi, mas várias outras surgiram. O que é o Incidente Jennifer? Onde está a Sloane? O que vai acontecer com os personagens depois do final que tivemos? 


Mesmo que o imprevisível seja uma característica forte, a série parece ter achado uma fórmula que funciona e se mantém nela na terceira temporada. Basicamente os personagens têm que enfrentar uma ameaça iminente, geralmente causada por eles mesmos, que eles tem que resolver para salvar o mundo/universo. Essa repetição onde muitos conflitos seriam resolvidos mais facilmente se os personagens conversassem pode ter funcionado até aqui, mas até os fãs mais fiéis podem se cansar.


O que vai acontecer a seguir? Se tem uma frase que pode definir o sentimento dos fãs de The Umbrella Academy é essa. Desejamos que na próxima temporada, se houver e esperamos que sim, a qualidade e essa atmosfera de surpresa se mantenham.


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