Dia do Quadrinho Nacional - Entrevistando Pedro Leite


Em 30 de janeiro de 1869, a revista Vida Fluminense publicou a primeira história em quadrinhos brasileira: "As Aventuras de Nhô Quim ou impressões de uma viagem à corte". Escrita pelo artista italiano radicado no Brasil, Angelo Agostini, conta a história de Nhô Quim, um caipira que se muda para o Rio De Janeiro.

Para celebrar a data marcante no calendário brasileiro, em 1984, a Associação dos Quadrinistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo declararam que 30 de janeiro seria o Dia do Quadrinho Nacional.  

Além dos quadrinhos de super-heróis, trazidos dos Estados Unidos, o Brasil se destacou com a produção de histórias voltadas para o público infantil. Quem não lembra de ter lido gibis da Turma da Mônica, do Menino Maluquinho, ou do Senninha? Até hoje, diversos jornais brasileiros publicam diariamente as famosas "tirinhas".

Mas, erra quem acha que história em quadrinhos é coisa do passado. As revistas compradas em bancas foram trocadas por páginas em redes sociais como Facebook e Instagram, nas quais centenas de quadrinistas e cartunistas brasileiros fazem bastante sucesso. Entre eles, Pedro Leite

O ilustrador e publicitário gaúcho tem 35 anos, e é considerado um dos maiores desenhistas do Brasil, passando da marca dos 2 metros de altura. É conhecido por suas webtiras: "Tirinhas do Zodíaco" (criada com Rafael Koff), "Quadrinhos Ácidos" e "Sofia e Otto". Em 2013, ganhou o Troféu Angelo Agostini de melhor fanzine, e três anos depois levou o Troféu HQ Mix de melhor webquadrinho.

Para comemorar o Dia do Quadrinho Nacional, a Revista Jovem Geek convidou Pedro Leite para uma entrevista.

Como começou a sua carreira no mundo dos quadrinhos?

Possivelmente como a maioria dos artistas: brincando. Desde criança sempre gostei de desenhar, de assistir desenhos e brincar com ilustrações. Porém, ao ir crescendo, fui deixando essa parte de lado. Me formei em publicidade, não gostei da área, e perto dos 28 anos voltei a produzir quadrinhos. Tudo começou com uma brincadeira entre amigos, criando a série “Tirinhas do Zodíaco”, depois disso percebi uma luz no fim do túnel, larguei a publicidade e entrei de vez para o mundo dos quadrinhos. Lancei as séries “Quadrinhos Ácidos” e “Sofia e Otto”, todas pelas redes sociais.


O que te inspira a desenhar?

Principalmente o cotidiano. Os quadrinhos entraram de vez na minha vida em uma fase que eu estava precisando extravasar alguns sentimentos, e foi com as ilustrações que consegui.



Quais obras que mais influenciaram na sua carreira?

Gosto muito das obras de diversos artistas e adoro diversos personagens. Snoopy, Calvin e Haroldo, Macanudo, Groo, Turma da Mônica, Laboratório de Dexter, muita coisa. Mas não só dos quadrinhos, e sim, de qualquer tipo de arte. Adoro cinema e animações.


Você começou com quadrinhos com personagens de Cavaleiros do Zodíaco. Mesmo parando com essa série, você costuma trazer referências ao anime. Na sua opinião, qual é a importância da cultura pop na vida das pessoas?

A minha primeira série de todas, as “Tirinhas do Zodíaco”, foi uma paródia bem humorada dos Cavaleiros do Zodíaco. Era bobinha, com piadas feitas “apenas” para rir, mas era muito divertida por acertou em cheio o público que consumia aquela desenho animado nos anos 90. A cultura pop é algo cada vez mais impactante na vida das pessoas, principalmente depois da chegada da internet e redes sociais. É uma fonte de consumo, pro bem e pro mal. Vejo gente deixando a tristeza pra trás por estar assistindo uma série bacana, mas também vejo gente ficando dependente e esperando com muita ansiedade o próximo filme a ser lançado do seu personagem favorito, como se a cultura pop fosse o único tipo de arte e cultura para ser admirado.

 

Qual foi a sua reação ao ser chamado para a CCXP?

Eu já participei de 5 eventos da CCXP, só não fui na 1ª edição, pois ainda não sabia como seria o evento e eu moro longe (RS). Foi muito legal passar na seleção para participar da feira, afinal, esse é o maior evento de quadrinhos e cultura pop do Brasil e está cada vez mais difícil entrar. São muitos artistas querendo estar no Artists' Alley da CCXP, mas não tem tantas vagas assim, por isso sou muito grato por sempre estar lá. É o tipo de evento que é ótimo para energizar, afinal, estamos finalmente conhecendo o nosso público pessoalmente.

Will Tirando e Pedro Leite na Artists' Alley da CCXP 2016 (Distribuição: Pedro Leite/Facebook)
 

Como a divulgação pelas redes sociais impactou a sua carreira?

Meu trabalho com quadrinhos só acontece por causa das redes sociais e sem a internet eu não teria lançado nenhum livro impresso. Foram 35 mil seguidores no “Tirinhas do Zodíaco”, passando de 500 mil no “Quadrinhos Ácidos”. Esses números ajudar a gente a medir o quanto um público acredita no nosso trabalho e usei isso como termômetro para decidir lançar livros e produtos destinados a venda. Gosto de dizer que migrei da internet para o impresso. Por isso, a divulgação nas redes sociais é sempre muito essencial para mim e para todos os meus colegas cartunistas.


Em 2020, você fez uma parceria com estudantes de uma escola do Rio Grande do Sul. Como foi esse projeto?

Lá por 2018 comecei a adaptar os meus quadrinhos da “Sofia e Otto” para uma linguagem mais lúdica, focada para escolas do Rio Grande do Sul. Os quadrinhos das séries continuam sendo criados e postados na internet, mas, desde então, o meu foco principal tem sito o público infantil daqui. Já lancei dois livros para as crianças de 7 a 12 anos, sempre pensando nas escolas do meu estado. Um livro foi contando sobre a história de Porto Alegre e o outro sobre a história da Imigração Italiana no RS. Pretendo usar a Sofia e Otto futuramente para contar a histórias de outras cidades e estados do Brasil. As parcerias que tenho feito com as escolas na verdade são as conversar e trocas de experiências que temos para eu saber o que criar, sempre pensando nas lacunas do ensino.


Como as mudanças sociais impactaram o seu trabalho?

Tudo na nossa vida altera a arte, quadrinhos, música etc. As mudanças sociais alteram tudo, principalmente os problemas políticos que vivemos atualmente. Porém, nos últimos tempos, por estar tratando com um público menor, tenho evitado a falar de alguns assuntos polêmicos para não me estressar. Mas vira e volta eu preciso criar um quadrinho sobre um tema que precisa ser debatido.


O que você diria para quem quer seguir os seus passos?

Só comece isso se você tiver muita paixão.


Acompanhe o trabalho de Pedro Leite por suas redes sociais:

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