'Orações para Bobby' e sua importância


O filme Orações para Bobby estreou, em 2009, contando uma história real sobre Bobby Griffith, um jovem gay que é rejeitado por sua mãe, Mary Griffith, e não tem o apoio de sua família, que são de origem extremamente religiosa e não o aceitam. Não aguentando a pressão somada a outros fatores, Bobby se joga de uma ponte. Além do filme, o livro Prayers for Bobby: A Mother's Coming to Terms with the Suicide of Her Gay Son também conta a mesma história, sendo as duas adaptações bem fiéis.

Em seu diário, Bobby escrevia suas perguntas a Deus, suas dúvidas e incertezas, do porquê tinha nascido como uma aberração ou com uma doença, além de sua família acreditar que homossexualidade era uma praga, que ele estava fadado ao inferno somente por praticá-la.

Isso é uma questão importantíssima que deve ser debatida entre jovens e adultos, sejam gays, lésbicas ou qualquer uma das letras ou cores do movimento LGBTQIA+. Infelizmente, a taxa de tentativas de suicídio entre eles são maiores, uma vez que afirmar ser o que você é está errado, tendo como justificativa alguma crença ou qualquer outro modo heteronormativo.

Alguns desses princípios já estão tão enraizados em nossa sociedade, que tomamos como algo normal, transformando assim a vida de algumas pessoas em algo fútil. A história da mãe de Bobby e sua aceitação às regras prescritas é uma eterna luta, o livro e filme vieram para nos fazer pensar, agir e mudar. Bobby se foi para que outros não o sigam.

O filme foi questionado de modo filosófico sobre seus simbolismos e foi descrito como uma impessoalidade e transformação existencial. De acordo com o princípio existencialista de Daisen, a experiência de ter um filho homossexual pode revelar à pessoa um novo modo de olhar o mundo, o que pode ser representado no discurso de Mary, mostrando o tanto que ela cresceu e aprendeu, aliás, o discurso dela em si é forte o suficiente e se mantém até os dias atuais, ela diz:

Homossexualidade é um pecado. Homossexuais estão condenados a passar a eternidade no inferno. Se quisessem mudar, poderiam ser curados de seus hábitos malignos. Se desviassem da tentação, poderiam ser normais de novo. Se eles ao menos tentassem e tentassem de novo em caso de falha. Isso foi o que eu disse ao meu filho, Bobby, quando descobri que ele era gay.

Quando ele me disse que era homossexual, meu mundo caiu. Eu fiz tudo que pude para curá-lo de sua doença. Há oito meses, meu filho pulou de uma ponte e se matou. Eu me arrependo amargamente de minha falta de conhecimento sobre gays e lésbicas. Percebo que tudo o que me ensinaram e disseram era odioso e desumano. Se eu tivesse investigado além do que me disseram, se eu tivesse simplesmente ouvido meu filho quando ele abriu o coração para mim… eu não estaria aqui hoje, com vocês, plenamente arrependida.

Eu acredito que Deus foi presenteado com o espírito gentil e amável do Bobby. Perante Deus, gentileza e amor é tudo. Eu não sabia que, cada vez que eu repetia condenação eterna aos gays… cada vez que eu me referia ao Bobby como doente e pervertido e perigoso às nossas crianças… sua autoestima e seu valor próprio estavam sendo destruídos. E finalmente seu espírito se quebrou além de qualquer conserto. Não era desejo de Deus que o Bobby debruçasse sobre o corrimão de um viaduto e pulasse diretamente no caminho de um caminhão de dezoito rodas que o matou instantaneamente. A morte do Bobby foi resultado direto da ignorância e do medo de seus pais quanto à palavra 'gay'.

Ele queria ser escritor. Suas esperanças e seus sonhos não deveriam ser tomados dele, mas se foram. Há crianças como Bobby presentes nas suas reuniões. Sem que vocês saibam, elas estarão ouvindo enquanto vocês ecoam ‘amém’. E isso logo silenciará as preces delas. Suas preces para Deus por entendimento e aceitação e pelo amor de vocês. Mas o seu ódio e medo e ignorância da palavra ‘gay’ silenciarão essas preces. Então… Antes de ecoar ‘Amém’ na sua casa e no lugar de adoração, pensem. Pensem e lembrem-se. Uma criança está ouvindo”.

Até sua última aparição pública, Mary Griffith e sua família ainda se encontravam em Walnut Creek, Mary ainda participa de associações destinadas a ajudar pessoas LGBTQIA+.

De modo geral, Orações para Bobby é um filme que conta uma dura história real sobre conhecimento, auto-aceitação, sobre como não devemos colocar nossos ideais morais acima do que realmente importa. É necessário discutir sobre isso, se você não se sente bem e deseja conversar, o número da associação Grupo Dignidade é: (41) 3222-3999, caso você já tenha pensado como o Bobby, disque 188.

Que sejamos luz eterna onde estivermos e que essas fagulhas de escuridão somente se dissolvam com o tempo, por que a felicidade é a única que nos pertence.

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1 Comentários

  1. Nuss que matéria Parabens, a parte que fala que Deus foi presenteado pela alma de Bob foi maravilhosa!!

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