Mês do orgulho Nerd: Tolkien e sua obra



Longos dias e belas noites, Geek's

Como muitos sabem, no dia 25 de maio, comemoramos o dia da toalha - ou dia do orgulho nerd, como ficou popularizado -, em homenagem ao escritor Douglas Adams e também à premiere de Star Wars - O Império Contra Ataca. Tal iniciativa se deve ao direito de sermos Nerd's e Geek's, além de promover essa cultura que ganha cada vez mais espaço. Como não poderíamos deixar uma data tão especial de lado, decidimos promover o Mês do Orgulho Nerd, uma iniciativa da Revista Jovem Geek, a fim de trazer diversas matérias sobre os principais destaques que temos em nosso universo Nerd. Para iniciar, vamos falar de ninguém mais, ninguém menos que o grande mestre Tolkien e sua obra!

Quando falamos sobre literatura, o nome John Ronald Reuen Tolkien, ou, como é mais conhecido, J. R. R. Tolkien, é facilmente mencionado por sua enorme contribuição aos mais diversos grupos, sejam eles Nerds ou não. Conhecido principalmente pela trilogia O Senhor dos Anéis, o escritor britânico desenvolveu o universo ficcional da Terra Média, um ambiente rico em seres fantásticos, história, geografia e línguas. Hoje veremos um pouco sobre o autor, sua obra e adaptação cinematográfica.

J. R. R. Tolkien

Nascido no dia 3 de janeiro de 1892, na cidade de Bloemfontein, na África, Tolkien, desde cedo, possuía um amor muito grande pela linguística - ciência que estuda as linguagens humanas e a língua como uma estrutura. Tal amor o direcionou a estudar letras e filologia, avançando nos estudos ao ponto de tornar-se professor de literatura e linguagem. Toda a criação de seu universo iniciou-se ao escrever na página de trás da prova de um aluno: "Numa toca no chão vivia um hobbit..." e tal passo inicial desenrolou-se no livro O Hobbit, uma obra antecessora dos acontecimentos de Senhor dos Anéis.

Tolkien também serviu ao exército britânico, sendo nomeado a Comandante da Ordem do Império Britânico pela Rainha Elizabeth II em 1972. Chegou a lutar na primeira guerra mundial, esse evento possuí um marco na vida do autor e em sua literatura. Temas como mortalidade, esperança, desespero coragem e, principalmente, amizade e cooperação entre amigos em momentos de angústia estão pautados em vários momentos de sua obra, tais temas estiveram intrínsecos na vida do autor durante seu período nas trincheiras. Vemos também a influência de diferentes nacionalidades dentro do comportamento das raças da obra Tolkiniana; sendo os anões fortemente inspirados nos alemães, os elfos com grande influência do povo francês e os homens de Gondor e Rohan uma visão que os ingleses possuíam de si próprios.

Uma das grandes paixões de Tolkien, além de sua família - sendo o conto Beren e Lúthien uma alegoria ao amor que nutria por sua esposa, era a linguística: o estudo da estrutura e do sistema de linguagem dos humanos. Desde pequeno, Tolkien se encantava com palavras gaulesas que via em suas viagens, também adorava brincadeiras de criar novas línguas... tal amor permaneceu no autor, sendo o norte para sua carreira acadêmica e uma força motriz em seus livros: para Tolkien, primeiro vinha a palavra, depois a história. Suas obras serviram como forma de expressar os idiomas criados por ele, como o quenya - língua dos elfos. Além de todo o alfabeto rúnico chamado de Angerthas.

Tolkien era como um pintor, que passa anos terminando um quadro, mas sempre com o sentimento de que falta algum detalhe, tal perfeccionismo dificultou na conclusão de muitas de suas obras, mas é o que realmente o consagra como um dos mestres da literatura britânica e nutre fãs e admiradores até hoje.

Obra

Tolkien afirmou que sempre sentiu certo "ressentimento" com o fato de diversos países europeus possuírem um folclore rico em elementos fantásticos, algo que ele sentia falta na cultura britânica. O surgimento de seu universo veio da vontade do autor de criar um folclore representativo do povo. Para engrandecer tal ideia, o autor afirmava que ele era um mero emissário, um tradutor de textos antigos.

Toda sua mitologia tem ocorrência na Terra Média, o reino dos humanos, apesar de dividida em várias eras, a estimativa é que a terceira (e última) era tenha se encerrado há 600 mil anos antes de nosso próprio tempo. Na obra O Silmarillion, Tolkien narra a criação de tal universo. Através de mito-poesias, o autor descreve a origem do mundo e narra os principais fatos decorrentes das três Eras englobadas em seu universo ficcional. O livro foi publicado em 1977, após a morte do autor, e editado por seu filho, Christopher Tolkien.

A primeira publicação ambientada nesse universo foi O Hobbit, publicado em 1937que narra a aventura do Hobbit Bilbo Bolseiro e uma comitiva de anões, ao lado do mago Gandalf, para recuperar um tesouro guardado pelo dragão Smaug. O livro foi escrito para seus filhos e possui uma linguagem leve, perfeita para quem deseja iniciar suas aventuras pela Terra Média. Os eventos descritos no livro também servem de ponto de partida para o início da obra mais conceituada do autor: O Senhor dos Anéis. O Hobbit ainda foi nomeado à Medalha Carnegie (prêmio britânico para literatura infanto juvenil) e vencedor do prêmio de melhor ficção juvenil pelo jornal New York Herald Tribune. O livro ainda conta com ilustrações feitas pelo próprio Tolkien.

Em 1954, é publicado o livro O Senhor dos Anéis: A sociedade do Anel, seguido, ainda no mesmo ano, por O Senhor dos Anéis: As Duas Torres e sendo finalizado, em 1955, por Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei. Inicialmente, as obras seriam publicadas em um volume único. Ao total, o Senhor dos Anéis já foi traduzido para mais de 40 idiomas, com mais de 160 milhões de cópias vendidas, o que o torna uma das obras literárias mais populares do século 20. A história narra a luta de diversas raças - Hobbits, Ents, Elfos, Humanos e Anões - contra as forças do mal que desejam recuperar o Um Anel para que Sauron, o Senhor do Escuro, tenha poder para escravizar todos os povos. A história toda foi escrita durante a Segunda Guerra Mundial, percebemos como o contexto político influencia a história ao vermos a clara intenção de Sauron em expandir as terras de Mordor, ainda que as custas de todos os outros povos. O próprio Um Anel representa a ganância humana, corrompendo qualquer um que o use, independentemente de suas intenções. A obra possui diversas reflexões e temas pertinentes até os dias de hoje, além de demonstrar plenamente toda a capacidade linguística do autor. A recepção de o Senhor dos Anéis foi esplêndida, com diversas críticas positivas nos principais veículos de comunicação da época, não é à toa que a obra sobrevive até os dias de hoje.

Ainda em vida, Tolkien também publicou As Aventuras de Tom Bombadil, em 1962, sendo um compêndio de diversos poemas pouco relacionados com a trama de Senhor dos Anéis. O livro foca mais em poesias sobre contos de fadas da Terra Média e apenas dois, dos 16 poemas, tratando de Tom Bombadil, personagem já presente no primeiro livro do Senhor dos Anéis.

As obras seguintes foram publicações póstumas, com base em escritos de Tolkien e editados por seu filho, Christopher, que tinha um enorme interesse em "concluir" o trabalho do pai. Entre essas: Contos Inacabados, Os filhos de Húrin, a Queda de Gondolin, a Última Cação de Bilbo, Beren e Lúthien, entre outros.

Toda a obra de Tolkien exerce uma grande influência no mundo como um todo, inspirando diversas outras obras e motivando autores de alta fantasia a criarem e se esforçarem cada vez mais na cosmologia de seus universos, além de inspirar artistas dos mais diversos meios. O nível de detalhes e perfeccionismo do autor é incomparável e seu legado perdurará tanto quanto a Terra Média perdurou em sua mitologia.

Adaptações

O universo da Terra Média tem uma vasta raiz nos mais diversos meios midiáticos e de entretenimento. Seria mais fácil levar o um anel para a montanha da perdição que conseguir listar tudo que foi gerado a partir dos livros. Vale a pena mencionarmos que vários jogos surgiram com base nesse mundo, inclusive o RPG de mesa Lord of the Rings Roleplaying Game. Tivemos um jogo de MMORPG com a trama de Senhor dos Anéis, além de vários jogos motivados a serem Spin-offs da saga. O jogo que adquiriu mais destaque foi o jogo de RPG eletrônico Middle-earth: Shadow of Mordor, que recebeu a sequência Shadow of War, situacionado entre os eventos de O hobbit e Senhor dos Anéis, o jogador controla o Ranger Tailon que tem a alma do elfo Celembrindor - responsável pela criação dos anéis de poder - unida a seu corpo.


O Senhor dos Anéis chegou a ser adaptada em forma de dramatização para o rádio pela BBC. Também teve produções teatrais, animações da década de 70 contando a história desde O Hobbit. Além de quadrinhos e álbuns musicais totalmente embasados na história de Tolkien. A saga também foi confirmada pela Amazon em formato de série com previsão de estreia para 2021.

O que não poderíamos deixar de lado de forma alguma é a adaptação cinematográfica que Senhor dos Anéis - e posteriormente, o Hobbit, mas não focaremos nela - recebeu pelas mãos do roteirista, produtor e diretor Peter Jackson. Jackson era um grande fã de O Senhor do Anéis e sempre se questionou sobre o motivo pelo qual não houve interesse em uma produção cinematográfica séria sobre a obra. Jackson passou 14 meses trabalhando no desenvolvimento do roteiro e as filmagens tiveram início apenas em 1999, após um longo período para a concepção do design. As filmagens ocorreram todas na terra natal do diretor, Nova Zelândia, em mais de 150 locais diferentes. O making of mostra que os sets já ficavam todos prontos, com todos em seus postos para que Peter Jackson apenas chegasse, gravasse a cena no local e já fosse para o próximo set gravar outra cena. O tempo total de produção foi de oito anos.

O elenco excepcional também contribuiu muito. Nomes renomados como Ian McKellen, Orlando Bloon, Hugo Heaving, Andy Serkis e Christopher integraram um time compromissado com a melhor performance que poderia ser entregue. Viggo Mortensen, que interpretou Aragorn, chegou a fraturar os dedos do pé e lascar um dente da frente durante as gravações e isso não o impediu de continuar a atuar. Ao final, o elenco principal fez um tatuagem em conjunto para se lembrarem dos momentos que tiveram juntos no Set. A qualidade dos efeitos especiais e a sonoplastia da obra também  colaboraram para o sucesso eminente.

O esforço foi recompensado, a trilogia de filmes faturou quase 3 bilhões de dólares, recebeu 30 indicações ao Oscar e ganhou 17 das 30 estatuetas. Senhor dos Anéis é a mais bem-sucedida franquia cinematográfica da história! Um sucesso de crítica e recepção, com diversos elogios nos mais diferentes canais de comunicação. Foi um divisor de águas para o cinema e para o mundo Nerd, sendo o responsável pela inserção de muitos no universo literário de Tolkien (inclusive desse que vos escreve). Sendo até hoje uma das melhores trilogias para se maratonar.


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1 Comentários

  1. Eu, como fã declarada do mestre Tolkien, confesso que me emocionei enquanto lia sua postagem. É muito difícil falar sobre alguém tão importante para a literatura mundial, a pessoa que reinventou o gênero da fantasia. Não só isso, mas suas contribuições e estudos deixados, um legado imensurável. São tantas coisas para falar sobre ele, e vai realmente muito além de O Senhor dos Anéis (a trilogia): ele criou um universo inteiro. Achei muito legal você ter mencionado o Christopher, que foi tão importante para o universo tolkeniano, nosso legendarium. Parabéns mais uma vez pelo desempenho, ficou ótimo!

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