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domingo, 24 de março de 2019

Você Precisa Assistir: Dumplin'


Ainda no clima do mês das mulheres, esse Você Precisa Assistir é um abraço quentinho no coração. 

Dumplin é um filme original da Netflix adaptado do livro de mesmo nome da Julie Murphy e protagonizado pela trilha sonora. As músicas de Dolly Parton mais do que um complemento para definir o clima de cada cena na pós produção, são o fio narrativo que nos submerge nessa linda história sobre aceitação.

Willowdean é uma adolescente gorda criada por sua tia Lucy enquanto sua mãe (Jennifer Aniston, a nossa eterna Rachel de Friends), uma ex-miss famosa da cidade, trabalhava fora. No tempo presente do filme, Lucy faleceu, deixando muitos pertences interessantes e uma dor em Will que só quem já perdeu um parente próximo conhece. Para lidar com o luto, seu corpo, seus sentimentos amorosos e seu relacionamento áspero com a mãe, mas principalmente para protestar contra os padrões da sociedade, Will entra no concurso de miss da cidade. O mesmo, por sinal, que sua mãe ganhara, back in 1933.
"Hey hey ho ho o patriarcado tem que acabar"

A consciência do que está fazendo e os seus objetivos são muito claros para Will desde o começo. Mas como o importante nunca é o destino e sim a trajetória, nós somos levados com ela por cada plot twist, cada emoção que ela se permite sentir e cada descoberta que ela faz sobre si mesma, enquanto nos identificamos e sentimos toda essa montanha russa juntos. 

O filme poderia ser simplesmente mais uma comédia romântica ou mais um drama adolescente sobre peso (como é Insaciável, também da Netflix, por exemplo), mas o roteiro e a direção se combinam para dar a esse filme uma grande sensibilidade e um tom de abraço apertado, graças às muitas citações de Dolly que chegam pra gente como conselhos de vida. Assim, o filme é muito mais sobre autoconhecimento e aceitação, apesar de abordar sim as questões do corpo padrão vs o não padrão e gritar que nenhum dos dois pré-definem o resto das nossas vidas.

Se juntam à Will nesta luta, sua melhor amiga Ellen, a outra garota gorda do colégio, Millie, e a garota gótica, Hannah. Cada uma das meninas tem sua particularidade e foge dos padrões de seu jeito especial, o que torna o filme ainda mais sincero. 

Para começar, Ellen é a garota padrão de um concurso de miss e é estranho vê-la como parte da revolução. Mas, na verdade, quem nos fez acreditar que apenas as minorias devem lutar não foi a mesma sociedade que nos disse que só a maioria pode triunfar?

Millie é um doce, criada numa família cristã, ela foi ensinada a nunca desobedecer nem ofender ninguém e estar no concurso escondida para ela é uma revolução por si só. Mais do que isso, é algo que ela sempre quis fazer, e isso quebra, de forma inteligente, o mito de que feministas não podem ser femininas. 


"Todas as minhas coisas favoritas começam como más ideias"
E Hannah é construída para ser exatamente o que ela aparenta ser: a garota gótica, que só veste preto, ouve rock, usa o cabelo bem curto, não segue regras e está preparadíssima para causar um alvoroço. Ela claramente é uma mulher muito forte, mas a parte engraçada é a reação do júri do concurso a cada vez que ela aparece, completamente destoante e a forma como ela firma os pés ali mesmo assim. 

Não bastasse o apoio e a amizade feminina, algumas drag queens também vão ajudar muito Will na sua jornada para concluir o concurso. Além disso, eles vão representar a figura de admiração que a nossa personagem principal precisava para desabafar e aprender a lidar melhor com a perda da tia. 

Não posso deixar de mencionar o relacionamento amoroso que em nenhum momento sobrepõe o objetivo central do filme, e com certeza não vem retratado como essencial. A gente só consegue amar o outro depois que aprendemos a nos amar primeiro. 

Com cada uma dessas pessoas, Willodean interage através de Dolly, que por sinal é sempre chamada pelo primeiro nome, como mais uma amiga e personagem da trama. Temos uma música diferente para cada um, uma música diferente para cada situação. E todas se reúnem no final, na ordem correta como em um álbum, para concluir essa história singular.

"Todo corpo é um corpo de roupa de praia"

5 comentários:

  1. Ótima resenha. É muito legal ver que as produtoras estão se preocupando em criar filmes que abordem essa temática da relação das pessoas com seu corpo e que esse tipo de assunto tem tido mais repercussão.

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  2. Adorei a resenha! Acho importante ter filmes como esse na indústria, que além de tratar sobre meninas fora do padrão também resgata uma trilha sonora de uma artista que é "esquecida". Se não já tivesse assistido o filme, com certeza assistiria depois de ler essa resenha.

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  3. Adicionado a minha lista da Netflix!

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  4. Nem sabia da existência do filme e depois de ler tô com muita vontade de assistir, excelente matéria

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  5. Excelente! Parabéns à autora da matéria e a Netflix pela produção. Muito bom ver assuntos importantes sendo divulgados como tais.

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