Sex Education e representatividade - Revista Jovem Geek

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O lado NERD da força.

sexta-feira, 8 de março de 2019

Sex Education e representatividade



Sex Education é uma série original da Netflix sobre Otis, um menino de 16 anos, que não consegue se masturbar. Ao mesmo tempo, ele aprende muito com a mãe sexóloga e descobre que tem certa habilidade em conversar com pessoas sobre seus problemas sexuais. Uma menina, na qual ele, aliás, tem um crush, acha que conseguiriam ganhar dinheiro com os conselhos do Otis e eles montam um "consultório".

A série poderia ser tipicamente uma trama de high school com um plot constrangedor sobre sexo, mas invés disso é uma avalanche de representatividade, sensibilidade e comédia.

Por a mãe de Otis ser sexóloga e ter bastante tempo de tela, nós ouvimos falar sobre sexo de uma forma simples e direta, sem pudor ou eufemismo. Além disso, levanta-se a bandeira do aborto como nada mais do que ele é: uma escolha clara e consciente da mulher. A série educa sexualmente sem ser piegas ou clichê. 

Além disso, o cara mais popular da escola e o astro dos esportes é negro, respeita as mulheres, sofre de ansiedade e tem duas mães. A co-star, Meave, é linda e conhecida na escola mas cheia de traumas e levanta a discussão do abandono parental. O grupo de patricinhas populares é preenchido de fofocas e competição feminina, porém uma das meninas secretamente se preocupa mais com estudos do que maquiagem. O valentão da escola tem problemas para gozar e sofre com enorme pressão do pai, que além de rígido é o diretor da escola. O melhor amigo de Otis também é negro, gay e, diga-se de passagem, muito estiloso. Com ele nós conversamos sobre roupas e gêneros, homofobia, e os dois lados da aceitação familiar. 

Ainda temos mais casais diferentes e mais personagens secundários fora dos padrões, todos complexos e de várias facetas, ensinando como ninguém é exatamente o que se mostra e como todo mundo tem questões pessoais. Ainda discutimos mais temas polêmicos como drogas, álcool, feminismo, pressão dos pais, bullying e traição. 

No cenário atual do mundo de ódio e más informações, principalmente no Brasil, é interessante que uma comédia como essa penetre as redes sociais e é importante que repercuta e abra o máximo de mentes possíveis. 

O que, afinal, a torna espetacular e leve, apesar de tantos temas pesados, é um roteiro impecável, atores talentosos e a naturalidade e fluidez com que a história transcorre.

Maratonei os 8 episódios em um só dia e com certeza entrou para a minha lista de favoritas. 



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