Resenha: Big Fish & Begonia - Revista Jovem Geek

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O lado NERD da força.

sábado, 9 de março de 2019

Resenha: Big Fish & Begonia




Sinopse: Em um reino místico povoado por seres mágicos, Chun participa de um ritual de amadurecimento onde é transportada para o mundo humano na forma de um golfinho vermelho, afim de entender como funcionam os humanos e as leis da natureza no nosso mundo.



Lá, ela encontra um menino humano com sua pequena irmã, ambos são pescadores e possuem um profundo respeito e admiração com as criaturas do mar. Chun se encanta com o moço, mas o medo que sua família tem de humanos não a permite se aproximar. Entretanto, durante uma tempestade, Chun cai numa rede de pesca e o menino mergulha para ajudá-la, se afogando no processo. Chun retorna ao seu mundo, profundamente deprimida pelo que aconteceu.

Não conseguindo superar o ocorrido, ela vai atrás do Guardião das Almas, um ser que lhe explica o processo de reencarnação pela qual as almas humanas passam quando morrem. O guardião aceita que Chun pegue a alma do menino de volta, na forma de um pequeno peixe, para que ele possa voltar com a mesma vida, mas em troca ela precisou oferecer metade de sua vida. Chun não se importa com isso, o problema maior é que esta negociação é proibida e pode trazer grandes desgraças não apenas para sua família, mas para todo o seu mundo.


Big Fish & Begônia nos remete A Viagem de Chihiro: é capaz de encantar o público com uma narrativa delicada, traços belos e uma sensibilidade ímpar. Temos a presença de um mundo sobrenatural onde é ausente um vilão ou antagonista central; temos seres metamorfos, humanoides e animalescos convivendo em um cenário rico em detalhes. A ambientação é espetacular e a cultura é muito rica. No decorrer da aventura, somos apresentados a um mundo lindo, composto pelos seres mágicos já ditos anteriormente. Muitos deles são personificações de elementos da natureza – a própria Chun e sua família são seres que regem a primavera. Os detalhes chegam a ser poéticos, enchem os olhos de quem assiste.


Temos personagens secundários fortes, como o melhor amigo de Chun, Qiu, cujo passado é misterioso, mas que acaba acompanhando a personagem até o final, amadurecendo significativamente junto dela. Outro a se prestar atenção é a mãe de Chun – por mais que momentaneamente fiquemos com raiva de suas atitudes, no final entendemos: mãe é mãe e só quer o bem para os seus filhos – mesmo que isso signifique mantê-los debaixo de suas asas.

Entretanto, nem tudo são begônias: muitos pontos são excessivamente explorados, enquanto outros foram deixados de lado. A história corrida de uma hora e meia prejudica o relacionamento de Chun com os outros personagens, fazendo tudo parecer meio forçado e sua relação com o menino se torna apenas bonitinha, enquanto eles tentam nos vender aquilo como amor verdadeiro.

Inclusive, Chun é uma personagem diferente de Chihiro: apesar de ser forte e tomar decisões adultas – mesmo que nos momentos finais – não pode ser colocada como a heroína da história, pois muitas vezes nos perdemos na trama de quem está salvando quem. Ela é pouco aprofundada e muitas vezes parece aficionada em ajudar o rapaz.

Mesmo com esses furos, a obra consegue alcançar o coração de quem assiste. Big Fish & Begônia tem um enredo leve e delicado, com uma trama complexa que explora os sacrifícios que precisamos fazer, o poder que nossas emoções têm de nos levar longe e nossa capacidade de aguentar as consequências de nossos atos. É impossível não se emocionar e não se angustiar ao decorrer do longa.

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