Review- Grime 2 (PC)


Clover Bite, Kwalee/ Divulgação

O GRIME II é desenvolvido pela Clover Bite e publicado pela Kwalee. O jogo chega como sequência direta de GRIME, lançado em 2021, mantendo a proposta de unir metroidvania e soulslike em uma estrutura mais agressiva de combate e exploração. 

Ficha técnica

Desenvolvimento: Clover Bite

Distribuição:Kwalee 

Jogadores: 1

Gênero: Metroidvania, soulslike

Plataformas: PC (via Steam), PlayStation 5 e Xbox Series X|S

Idioma: Português+

Como foi o desenvolvimento de Grime 2

Clover Bite, Kwalee/ Divulgação

Durante o desenvolvimento, a equipe optou por expandir sistemas já existentes em vez de reconstruir a base do primeiro jogo. O foco ficou concentrado em três áreas: aprofundamento do combate, aumento de opções de build e ampliação da verticalidade do mapa.

Essa decisão melhora a consistência da sequência, porque o jogo mantém identidade própria sem abandonar as mecânicas que definiram o original.

O resultado é um projeto mais ambicioso visualmente e mecanicamente. Porém, essa expansão também aumenta a complexidade estrutural do jogo, o que cria novos problemas em exploração e ritmo. 

Incrível mundo e ainda mais elementos de metroidvania


Clover Bite, Kwalee/ Divulgação

Depois de passar mais de 20 horas no mundo de GRIME II, eu afirmo com toda certeza que este é o aspecto mais forte da experiência. O jogo abandona parte da estética puramente orgânica do primeiro título e passa a trabalhar uma direção artística centrada em escultura, pintura e formas abstratas. Cenários parecem galerias destruídas e organismos vivos ao mesmo tempo.

A ambientação mantém o desconforto visual característico da franquia, mas adiciona mais cor e contraste. Isso melhora a leitura do cenário durante exploração e diferenciar áreas com maior clareza.

Como metroidvania, o jogo segue a estrutura tradicional:

  • desbloqueio gradual de habilidades

  • revisita de áreas antigas

  • caminhos alternativos

  • progressão não linear

As novas habilidades de movimentação ampliam verticalidade e velocidade. O gancho, air dash e escalada criam áreas mais complexas estruturalmente. Em alguns momentos, o level design consegue integrar exploração e combate de forma eficiente. 

O principal problema está no ritmo da exploração. O sistema de mapas exige encontrar selos escondidos antes de liberar navegação completa e fast travel. Isso transforma parte da exploração em tentativa excessivamente punitiva, principalmente quando o jogador entra em áreas secundárias sem desbloquear os pontos necessários. 

O design de recompensas também oscila. Algumas rotas longas entregam upgrades pouco relevantes, o que reduz a sensação de descoberta ao longo da campanha.

Jogabilidade mais aprofundada

Clover Bite, Kwalee/ Divulgação

O combate é o maior avanço em relação ao primeiro jogo. O GRIME original dependia fortemente de parry. Em GRIME II, o sistema oferece mais possibilidades ofensivas e defensivas. 

O núcleo da jogabilidade gira em torno dos Moldes. O jogador absorve inimigos derrotados e utiliza suas formas como habilidades especiais. Isso cria variedade real de build, porque cada molde possui utilidade específica:

  • controle de grupo

  • projéteis

  • distração

  • stun

  • suporte defensivo

O jogo também amplia o arsenal com mais de 30 armas e dezenas de habilidades. A combinação entre equipamento e Moldes cria liberdade maior para estilos agressivos, defensivos ou híbridos. 

O combate funciona melhor contra chefes. Os padrões são difíceis, mas legíveis. As batalhas exigem leitura de animação, gerenciamento de recursos e posicionamento preciso. Quando o sistema responde corretamente, o combate alcança um nível muito acima da média do gênero. 

Existem problemas de execução em partes de plataforma. O gancho apresenta inconsistência de precisão em situações mais rápidas, principalmente em sequências que exigem múltiplos comandos consecutivos. Isso prejudica o fluxo em áreas avançadas. 

Dificuldade mais tranquila que no primeiro game

Clover Bite, Kwalee/ Divulgação

GRIME II continua sendo um jogo difícil, mas mais acessível que o original. A Clover Bite reduziu a dependência absoluta do parry e adicionou modificadores de dificuldade que ajustam dano recebido e causado. 

A dificuldade funciona melhor nos combates do que na exploração. Chefes são exigentes, porém consistentes. A progressão recompensa aprendizado e adaptação.

Já algumas áreas de plataforma criam dificuldade artificial por conta de hitboxes inconsistentes e checkpoints distantes. Isso aumenta repetição sem necessariamente aprofundar a mecânica. 

Mesmo assim, o jogo evita sensação constante de injustiça. Na maioria das mortes, o jogador entende qual erro levou ao fracasso.

Comparações com o primeiro jogo

Clover Bite, Kwalee/ Divulgação

GRIME II é claramente superior ao primeiro jogo em combate, variedade de builds e acessibilidade. O sistema de Moldes amplia possibilidades táticas e reduz a rigidez do gameplay original.

Visualmente, a sequência também apresenta evolução. O primeiro GRIME apostava mais em horror orgânico. O segundo trabalha conceitos ligados à arte e criação, o que gera ambientes mais variados e memoráveis.

Por outro lado, alguns problemas permanecem:

  • exploração irregular

  • progressão inconsistente

  • narrativa excessivamente abstrata

O jogo continua mais eficiente em atmosfera e combate do que em construção narrativa. A história funciona como pano de fundo para o mundo, mas raramente cria envolvimento emocional forte.

Conclusão

GRIME II melhora praticamente todos os sistemas principais do original. Os maiores problemas aparecem na exploração e no ritmo. Algumas decisões de mapa e plataforma transformam a progressão em desgaste desnecessário, principalmente nas áreas finais.

A Clover Bite conseguiu expandir a proposta do primeiro título sem descaracterizar a franquia. Para jogadores que priorizam combate técnico e ambientação acima de narrativa tradicional, GRIME II entrega uma das experiências mais consistentes entre os metroidvanias recentes. 


Nota Final: 8/10

Pontos Positivos

  • Combate mais profundo que o do primeiro jogo
  • Mundo visualmente marcante
  • Excelente design de exploração
  • Chefes memoráveis
  • Maior variedade de builds

Pontos Negativos

  • Exploração nem sempre mantém o ritmo
  • Narrativa excessivamente abstrata
  • Algumas recompensas não justificam a exploração


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