Review “POV: Presença Oculta” — Um suspense claustrofóbico sobre culpa e as consequências dos próprios erros

Pode não ser o filme mais assustador, nem o que possui o roteiro mais elaborado, mas consegue entregar os sustos e o suspense que promete. Trata-se de um típico filme simples e redondo, com começo, meio e fim bem definidos. O desfecho não deixa brechas para uma continuidade envolvendo os personagens principais, embora apresente algumas lacunas que poderiam ser melhor explicadas, algo que, talvez, acabasse interferindo na própria proposta do filme.

Divulgação / Imagem Filmes

Ficha Técnica: 

Direção: Brandon Christensen
Roteiro: Brandon Christensen e Ryan Christensen
Produção: Chris Ball, Kurtis David Harder e Brandon Christensen
Distribuição: Imagem Filmes
Gênero: Terror/Suspense
Idioma: Inglês
Classificação Indicativa: 16+

Sinopse

O que começou como uma chamada de rotina vira um pesadelo quando dois policiais se envolvem em um acidente fatal. Bryce (Sean Rogerson), desesperado para proteger seu emprego e sua família, convence seu parceiro a destruir todos os registros para esconder a verdade. Mas conforme a madrugada avança, eles percebem que as câmeras não eram as únicas testemunhas e que algo sobrenatural acompanhava cada movimento deles naquela noite.

Um suspense que revisita a fórmula de A Bruxa de Blair



O longa utiliza o recurso da câmera em primeira pessoa, onde o telespectador acompanha os acontecimentos através das câmeras corporais dos policiais. Esse recurso é utilizado para transmitir veracidade e tentar criar maior proximidade e imersão do público em relação aos eventos narrados. Esse tipo de técnica no cinema ganhou notoriedade com A Bruxa de Blair, responsável por popularizar o famoso efeito de “fatos reais”.

Nesse sentido, o recurso realmente funciona. Ele cria uma conexão maior com o espectador e contribui para que o público se envolva com a história, mesmo com um roteiro relativamente simples.

O uso da câmera também transmite bem a sensação de claustrofobia. A questão não está necessariamente em cenários pequenos, mas na limitação do campo de visão do espectador. É como se estivéssemos presos ao personagem, em um jogo inevitável, onde tudo é visto apenas a partir da direção do olhar dos protagonistas. Além disso, o recurso também ajuda a diminuir a necessidade de um CGI extremamente refinado.

O uso reduzido de recursos visuais mais complexos também contribui para valorizar efeitos práticos e outros truques visuais que ajudam a minimizar possíveis erros estéticos, mantendo assim uma qualidade visual mais consistente.


Quanto ao enredo e às atuações, os roteiristas apostam em uma simplicidade típica do gênero de terror e suspense. Há vários momentos em que o espectador fica na expectativa de que algo aconteça, mas nada ocorre. Assim, constrói-se um suspense baseado na quebra de expectativa, que só é realmente explorado no final do filme. Talvez essa escolha narrativa tenha sido feita justamente para surpreender o público na cena final.

As atuações também seguem uma linha simples, sem exigir grande carga emocional. Vemos muitas expressões de susto, tensão e desespero, mas nada extremamente elaborado. Os atores Jaime M. Callica (Oficial Jackson) e Sean Rogerson (Oficial Bryce) entregam exatamente o que o roteiro propõe: o típico policial correto e o policial que prioriza o próprio bem-estar e o de quem ama acima do que considera ser o dever.

Também vale destacar a atriz Catherine Lough Haggquist, que interpreta Ally Jackson, mãe do oficial Jackson. Ela consegue transmitir bem a essência de sua personagem: uma mulher da comunidade que tenta manter a paz e a sanidade diante da dura realidade que presencia. Sua presença ajuda inclusive a compreender melhor a personalidade do oficial Jackson e seu senso de responsabilidade em fazer o que acredita ser o correto, sem medo de procurar ajuda.

Divulgação / Imagem Filmes

Uma narrativa direta, mas pouco aprofundada

Quanto à direção, a escolha foi contar os acontecimentos em uma cronologia linear, com começo, meio e fim bem definidos. Toda a história se passa durante uma única noite, em um fluxo frenético de eventos. No entanto, essa decisão também faz com que alguns pontos da história não sejam devidamente explorados. Certos elementos mereciam ao menos uma breve explicação, como o motivo de a entidade escolher aquele bairro, o que exatamente ela faz ou por que decide atacar determinada família.

Em contrapartida, algumas cenas que poderiam ter sido reduzidas ou cortadas permanecem no filme, especialmente momentos em que os personagens apenas caminham ou repetem conversas semelhantes. Isso acaba prejudicando o ritmo e, em alguns momentos, torna a experiência um pouco entediante.

O filme também não tem receio de recorrer a clichês clássicos do gênero. Em vez de apostar no medo psicológico ou em um terror mais atmosférico, muitas cenas de horror parecem funcionar apenas como sustos pontuais, como a tradicional cena da pessoa possuída que encara a câmera antes de correr atrás do personagem.

Veredito

Pode não ser um filme inovador ou um dos grandes destaques do terror, mas a proposta de acompanhar dois policiais como protagonistas em uma narrativa totalmente em primeira pessoa é interessante.

Para quem é fã do gênero e gosta de produções que experimentam formatos diferentes, o longa pode valer a curiosidade. Não é uma obra marcante, mas funciona como aquele típico filme de terror rápido, simples e direto.

Fontes: Adoro Cinema / IMDB

Cabine de imprensa cedida para análise por … Imagem Filmes.

Disponível em:  Cinemas 

Nota Final: 7.0/10

 

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