Juntando inspirações claras de jogos como The Legend of Zelda com uma vibe muito específica da estética poligonal da era PlayStation, Angeline Era entrega um action RPG divertido, simpático e cheio de personalidade. É um jogo que aposta mais no charme, na exploração e na identidade do que em grandes inovações técnicas, encontrando força justamente nessa proposta.
Angeline Era segue a fórmula clássica dos action RPGs: exploração de mapas interconectados, descoberta de dungeons, obtenção de itens e progressão constante do personagem. Tudo funciona de forma fluida e intuitiva, incentivando o jogador a se perder pelo mundo e recompensando a curiosidade.
O combate é um dos aspectos mais curiosos do jogo. Em vez de um botão dedicado ao ataque, o jogador utiliza o direcional para colocar o personagem em rota de colisão com os inimigos, momento em que o ataque acontece. No começo, a mecânica causa estranhamento, mas logo se mostra funcional e integrada ao ritmo da experiência. O level design é um grande acerto, com cenários cheios de segredos e dungeons que surgem de formas criativas, muitas vezes introduzindo pequenas variações de jogabilidade que quebram a repetição.
Uma estética que conversa com a nostalgia
Analgesic Productions/Divulgação
Visualmente, Angeline Era é um tributo direto aos RPGs da quinta geração. A estética poligonal remete imediatamente a títulos como Final Fantasy VII e The Legend of Legaia. O design de personagens é simples, mas carismático, funcionando bem dentro da proposta.
As áreas do jogo se diferenciam entre si, e cada dungeon possui identidade própria, tanto visual quanto temática. Não é um jogo que impressiona pelo aspecto técnico, mas sim pela coerência estética e pelo uso consciente de suas referências.
Fé, símbolos e construção de mundo
Analgesic Productions/Divulgação
A narrativa de Angeline Era se destaca por trazer o cristianismo e sua iconografia como elementos centrais da construção de mundo. Símbolos religiosos, dilemas espirituais e conflitos internos fazem parte da jornada, aparecendo não apenas nos diálogos, mas também no level design e na ambientação.
O maior mérito do enredo está em tratar esses temas sem soar panfletário, deixando espaço para interpretação. Ainda assim, nem todas as ideias apresentadas se fecham completamente. Algumas pontas soltas permanecem em aberto, o que ajuda a criar mistério, mas pode frustrar jogadores que buscam uma narrativa mais bem amarrada.
Ecos da era PlayStation nos ouvidos
Analgesic Productions/Divulgação
A trilha sonora acompanha muito bem a proposta do jogo. As faixas remetem diretamente aos grandes RPGs da era PlayStation, alternando entre músicas etéreas, contemplativas e temas mais simples, mas eficientes. O clima de aventura está sempre presente, reforçando a sensação de descoberta e jornada.
Conclusão – Um RPG honesto e cheio de identidade
Angeline Era sabe exatamente o que quer ser. Sem reinventar o gênero, entrega uma experiência sólida, carismática e autoral, sustentada por um ótimo level design, uma estética nostálgica bem aplicada e uma narrativa ousada em seus temas. Mesmo com algumas falhas no fechamento da história, o jogo se destaca como um action RPG feito com cuidado e personalidade, ideal para fãs de RPGs clássicos que buscam algo diferente, mas familiar.
Nota Final: 8/10
✅ Pontos positivos
Level design criativo e recompensador
Combate diferente e funcional após adaptação
Estética poligonal nostálgica bem aplicada
Uso interessante da iconografia cristã na narrativa
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