Resenha: A Parte Que Falta



"A Parte Que Falta" é um livro infantil cujo conteúdo traz uma riquíssima reflexão sobre completude. Escrito por Shel Silverstein, foi trazido ao Brasil em 2018 pela Companhia das Letrinhas.

A história é protagonizada por um ser que possui forma circular e se encontra insatisfeito por pensar que lhe falta uma parte, julgando-se incompleto. Na sua opinião, em algum lugar, existe uma parte que seja sua e se encaixe perfeitamente em seu corpo, sendo capaz de torná-lo um ser completo.
É por meio dessa busca que o acompanharemos em sua jornada atrás da parte que lhe falta.

“Oh, busco a parte que falta em mim, a parte que falta em mim. Ai-ai-iô, assim eu vou, em busca da parte que falta em mim.”

Em sua caminhada, ele encontra inúmeras partes, seres inteiros e pequenas satisfações que, à primeira vista, passam despercebidas, assim como a contínua sensação de que algo lhe falta. Por esse mesmo caminho, ele descobre que, talvez, a verdadeira felicidade e completude não esteja no outro, mas sim em nós mesmos, completos ou não.

Cada vez que leio esse livro, encontro sempre uma inusitada moral que cabe perfeitamente em uma determinada situação da minha vida. Apesar de ser um livro para o público infantil, "A Parte Que Falta" consegue trazer algumas reflexões àqueles que já se encontram na fase adulta, por exemplo: “será que realmente precisamos de alguém para sermos completos? Ou, talvez estejamos apenas sendo irracionais quanto a isso?” Sempre faltará algo e sempre sentiremos a necessidade de buscar o que nos complete. Entretanto, não somos metades! E quando passamos a entender isso, quem vier a entrar em nossas vidas, passará a ser complemento.

Ao longo da jornada do protagonista, ele se depara com algumas alegrias que o fazem entender que, para sermos felizes, basta somente que nos permitamos. O toque de uma borboleta, um pingo de chuva, uma caminhada vagarosa sobre lugares desconhecidos e conhecidos podem revelar um singelo prazer.

“Não sou parte de ninguém. Sou parte completa.”

Após esse seguimento, passamos a falar da continuação do clássico: “A Parte Que Falta Encontra O Grande O” (Companhia Das Letrinhas, Shel Silverstein). Tal obra transparece com sua poesia singela e emocionante uma grande lição sobre amor próprio e completude.

A parte que falta está em busca de alguém para a completar. Após ser abandonada pelo ser circular (livro anterior), ela aguarda um par perfeito em que possa se encaixar. Ela quer conhecer o mundo e precisa de alguém que a faça rolar, mas muitos seres não sabem nada sobre encaixe, outros já têm partes demais e alguns não sabem nada de nada. A parte que falta até encontra um encaixe perfeito, mas a jornada dos dois juntos dura muito pouco. Até que ela se depara com o Grande O, um ser completo, que rola sozinho e que pode dar a ela um ensinamento que mudará seu modo de enxergar a vida.

Ela percebe que é parte completa e pode rolar sozinha, passando a apreciar as alegrias do caminho e a rolar lado a lado de outra parte inteira.

Por uma ótica nada infantil, podemos tomar como exemplo a moral dessas duas histórias: não precisamos buscar alguém que nos complete, pois já somos completos. É necessário que saibamos valorizar nossa própria companhia e, assim, descobrir o amor próprio, a fim de que possamos caminhar/rolar por aí, lado a lado de outra parte inteira.

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6 Comentários

  1. Muito bom mesmo esse livro ... me fez ate querer ler novamente, com uma perspectiva mais madura após ler sua resenha ��.
    Quase ninguem que conheço leu e é uma otima indicação.

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  2. Comentário muito interessante sobre A parte que Falta...parabéns...Dailan...

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  3. Uma resenha muito bem redigida de um livro importante para todas as pessoas, somos inteiros e apenas complementamos aqueles que amamos, aprendendo e nos desenvolvendo com nossas totalidades!

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  4. Adorei a resenha, me interessei pela leitura. Parabéns Dailan!

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  5. Resenha detalhada, prende a atenção do leitor. Um tema pertinente e engajado, com uma escrita impecável. Ótima leitura!

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  6. Excelente resenha. Muito bem redigida, texto fluído, linguagem acessível e português absolutamente escorreito.

    Outra interessante reflexão a se fazer no que tange às premissas intrínsecas ao texto é o alerta à necessidade de autoconhecimento. A atual geração testemunha pessoas cada vez mais jovens sendo vitímas de distúrbios emocionais, o que tem levado a um aumento exponencial de suicídios. Aprender a amar-se em suas qualidades e defeitos é importante passo para edificar um equilíbrio emocional sólido.
    Muitos jovens quando se sentem vazios, perdem-se de si mesmos, buscando a aceitação dos majs variados grupos e tem seu comportamento conduzido por terceiros. Na ânsia de buscar consolo emocional na aceitação, se distanciam ainda mais da solução que se encontra dentro de cada um de nós. Ninguém jamais poderá viver a nossa vida além de nos mesmos.

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