Crítica: Dolittle (com spoilers)

ALERTA: CONTÉM SPOILERS!

Depois do sucesso de Robert Downey Jr como Tony Stark (homem de ferro) e Sherlock Holmes, expectativas foram depositadas em “Dolittle”, em que Downey protagonizou o médico John Dolittle.

Porém, o longa deixou a desejar! A comédia estreou no Brasil no último dia 20 (quinta-feira) e foi inspirada nos livros de Hugh Lofting, tendo mais relação com o musical “O fabuloso Doutor Dolittle” do que com os filmes anteriores protagonizados por Eddie Murphy.

Resumo:

John Dolittle é um médico e veterinário que após a morte de sua esposa Lily (Kasia Smutniak) vive isolado em uma reserva de preservação animal na Inglaterra. O médico tem a habilidade de conversar com animais e vive em companhia de Chee-Chee, um gorila medroso e sem autoconfiança, Sally, a papagaio sensata, Jip, o cão farejador, Dab-Dab, a pata ajudante, Plimpton, o avestruz briguento, e vários outros animais.

Após a rainha Victoria (Jessie Buckley) adoecer misteriosamente, ele recebe a visita de Lady Rose (Carmel Laniado), a emissária da rainha que, ao informá-lo acerca da situação, convence-o a ir até o Palácio de Buckingham para tentar encontrar a cura. Então, ele descobre que a única maneira de salvá-la é embarcando em uma viagem cheia de aventuras até a ilha do Éden em busca de uma árvore, cujo fruto seria o único antídoto. Para isso, ele também obteve ajuda de Tommy Stubbins   (Harry Collett) que acidentalmente atirou em um esquilo e levou-o até o médico, desenvolvendo, a partir daí, um amor e vocação com os animais, conforme observado por Sally. Todavia, o Dr. Blair Müdflay (Michael Sheen) e o Rei Rassouli (Antonio Banderas) estão dispostos a impedirem que Dolittle alcance o objetivo.

Sobre o roteiro:

O roteiro propõe uma viagem cheia de aventuras e cenas bem humoradas, mas, na prática, isso não foi entregue. O filme nos passa a sensação de espera por mais emoção a cada nova cena e alguns personagens  não foram tão bem aproveitados. Nem mesmo os efeitos especiais bastaram para a obra! As cenas marítimas poderiam ter tido melhor proveito e o humor dos personagens poderia ter sido mais coerente, entregando assim um longa sem muita emoção e deslumbramento. A culpa disso cai sobre o diretor e roteirista Sthephen Gaghan, responsável por “Syriana - A indústria do Petróleo”, que agregou um Oscar de melhor ator coadjuvante à carreira de George Clooney em 2006. O cineasta mostrou não levar jeito para aventuras e histórias com proposta fantástica, deixando a sensação de que lhe falta sensibilidade para algo do gênero. Sem dúvidas esse não foi e nem passou perto de ser o melhor trabalho de Downey (também produtor executivo), ele demorou para encaixar-se no personagem e exagerou da seriedade em cena, talvez devesse inspirar-se mais em Murphy para conversar com os animais de maneira cômica. Os demais atores da animação também não alcançaram o ápice em atuação, como Michael Sheen, que não conseguiu cativar os espectadores como vilão.

Fotografia:

Por um lado, a fotografia salva! Apesar de efeitos especiais “comuns” e movimentos artificiais exagerados, a investida de aproximadamente US$175 milhões chama atenção visualmente. Guilherme Navarro, colaborador de Guilherme Del Toro em “O labirinto do Fauno” e “Círculo de Fogo”, pode não ter tido seu melhor desempenho, mas as cores foram bem aproveitadas. Por outro, vale ressaltar a diferente abordagem que o roteiro propõe ao explorar mais profundamente emoções e doenças psicológicas em humanos e animais, como, por exemplo, a dificuldade de Dolitlle em superar a perda de sua amada ou a luta de Chee-Chee para superar seu medo e transtorno de ansiedade!

 E, por fim, a dublagem também conta com um ótimo elenco, sendo Rami Malek (Chee-Chee), Tom Holland (Jip), Emma Thompson (Sally), Octavia Spencer (Dab-Dab), Ralph Fiennes (Barry, o tigre), Selena Gomez (Betsy, a girafa), Marion Cotillard (Tutu, a raposa), Kumail Nanjiani (Plimpton, o avestruz) e John Cena (Yoshi, o urso polar), o que mostra ser válido assistir o filme legendado para prestigiar as vozes dos artistas!

Por esses motivos citados acima, Dolittle não alcançou as expectativas. Contudo, àqueles que são amantes da sequência ou procuram uma nova proposta distinta dos roteiros clássicos, ainda vale a pena dar uma conferida, não?


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