Crítica: Mortal Kombat 1 é um multiverso sem identidade

Imagem: NetherRealm Studios/Divulgação

A indústria de jogos — e entretenimento, como um todo — tem enfrentado tempos sombrios. É difícil fazer novas franquias de sucesso, e isso tem levado cada vez mais produtoras a criarem sequências, remakes ou reboots de experiências passadas.

Todas as franquias de longa data precisam passar por reformulações para manter relevância através das gerações, como aconteceu com Tomb Raider e God of War. No entanto, nem todas as tentativas foram bem-sucedidas, e esse é o caso de Mortal Kombat 1. Mas para entendermos melhor, precisamos voltar no tempo e analisar alguns detalhes sobre seu antecessor.

Lançado em 2019 para PC, PS4, Xbox One e Nintendo Switch, Mortal Kombat 11 elevou os gráficos a níveis que nenhum outro jogo de luta havia conquistado. A gameplay seguia o modelo visto em MKX, com três variantes para cada personagem, cenas de raios X durante Fatal Blow e Fatalities criativos.

Pessoalmente, considero que o único ponto fraco em MK11 foi a história, que abusava dos conceitos de viagem no tempo para trazer de volta personagens que haviam morrido. Se todos podem reviver, logo todas as mortes perdem impacto, o que é irônico para uma obra tão sanguinária. Mas apesar de tudo, a trama ainda era inédita e coesa; com uma conclusão decidida pelos jogadores no fim da expansão Aftermath.

Imagem: NetherRealm Studios/Divulgação

Muito foi especulado sobre qual das decisões seria canônica para a sequência, e devo admitir que MK1 surpreendeu em canonizar as duas possibilidades. Mas o multiverso que Ed Boon queria criar falhou, e se tornou um enredo fraco.

Mortal Kombat 1 é uma sequência, mas também um reinício. A falta de novos personagens resultou em mudanças na lore de diversos lutadores, que precisaram se adaptar à nova era. Se antes Raiden era o mentor de Liu Kang, agora os papéis estão invertidos, e o Deus do Trovão precisa vencer o torneio para proteger o Plano Terreno. Havik, o anarquista que tocou o terror em HQs, virou um coadjuvante saco de pancadas.

Ainda há eventos sem lógica na história. Por exemplo, no capítulo 8 Sub-Zero derrota Quan Chi e Shang Tsung, e na sequência é capturado facilmente por um mero grupo de inimigos genéricos. Também há personagens que saem de cena sem encerrarem seus arcos de forma convincente, como Ashrah e Reptile.

Imagem: NetherRealm Studios/Divulgação

O jogo deixa de agregar à franquia quando vemos que seus momentos mais marcantes foram referências a jogos passados, como Deadly Alliance e Armageddon.

De um ponto de vista geral, Mortal Kombat 1 dividiu a opinião dos jogadores em comparação ao 11, que foi o maior sucesso comercial da franquia. É especulado ainda que o suporte tenha sido encerrado prematuramente, devido ao baixo interesse no título por parte dos jogadores. MK1 tentou inovar em conceitos de multiverso, mas falhou na execução.

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