Future Friends Games/ Divulgação
Por: Bruno Vila Costa
Quando CloverPit foi lançado em 2025, a proposta parecia simples: transformar uma máquina caça-níquel em um roguelite de horror psicológico. O resultado, no entanto, foi um dos indies mais peculiares do ano. A mistura entre gerenciamento de risco, construção de builds e pressão constante para quitar uma dívida encontrou um público que buscava experiências diferentes de jogos como Balatro e Buckshot Roulette.
Agora, a primeira expansão paga, Unholy Fusion, chega com uma proposta direta: aumentar a quantidade de decisões estratégicas durante cada partida. Em vez de adicionar apenas novos itens ou inimigos, a DLC introduz uma mecânica capaz de alterar completamente a forma como uma build é construída.
O jogo-base continua sendo uma ideia difícil de encontrar em outro lugar
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A estrutura principal permanece inalterada. O jogador está preso em uma cela enferrujada diante de uma máquina caça-níquel. Ao final de cada rodada, é preciso quitar uma dívida crescente utilizando o dinheiro obtido nas jogadas. Caso o valor não seja alcançado, a partida termina imediatamente.
A tensão nasce justamente desse equilíbrio entre risco e recompensa. Cada rodada exige decidir quando investir recursos, quando guardar itens e quando apostar em combinações capazes de gerar grandes multiplicadores. O sistema funciona porque praticamente toda escolha influencia a rodada seguinte.
Mesmo depois de dezenas de partidas, CloverPit continua oferecendo situações imprevisíveis. O catálogo de amuletos, modificadores e melhorias cria partidas bastante diferentes entre si.
Unholy Fusion muda a lógica das builds
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O maior destaque da expansão é a Surgery Machine, um novo equipamento instalado dentro da cela. Sua função é permitir a fusão de dois amuletos em um único item muito mais poderoso.
Na prática, isso altera completamente o gerenciamento dos recursos.
Antes da DLC, encontrar um bom amuleto normalmente significava mantê-lo até o fim da partida. Agora, muitos deles passam a funcionar como matéria-prima para construções muito mais eficientes. Isso obriga o jogador a pensar vários turnos à frente, sacrificando benefícios imediatos para criar combinações mais fortes posteriormente.
É uma mudança pequena na aparência, mas enorme na profundidade estratégica.
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Além da nova máquina, a expansão adiciona:
30 Fusion Charms inéditos;
11 novos amuletos;
quatro modificadores de símbolos;
sete Memory Cards;
um final secreto.
Nenhum desses conteúdos parece inserido apenas para aumentar números. Todos dialogam diretamente com a mecânica de fusão.
O equilíbrio muda completamente
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A expansão também muda a maneira como CloverPit encara seu próprio balanceamento.
O jogo-base já permitia criar builds extremamente fortes, mas ainda havia uma sensação de controle por parte do sistema. Em Unholy Fusion, essa barreira praticamente desaparece.
Quando uma sequência de fusões funciona, os multiplicadores atingem níveis absurdos. Algumas partidas chegam a parecer quebradas de propósito. A diferença é que isso faz parte da identidade do jogo. Os desenvolvedores deixam claro que a intenção é incentivar o jogador a explorar combinações cada vez mais exageradas, transformando o processo de "quebrar o jogo" em parte da experiência.
Essa decisão funciona porque CloverPit nunca buscou ser um roguelite perfeitamente equilibrado. Sua proposta sempre esteve ligada ao excesso e à experimentação.
Nem toda mudança melhora a experiência
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A expansão também amplia um problema já presente no jogo-base.
Quanto maior o número de amuletos disponíveis, maior se torna a dificuldade para encontrar peças específicas de uma build. Em determinadas partidas, o fator aleatório passa a influenciar demais o resultado final.
Parte da comunidade já apontava que CloverPit possui um conjunto muito grande de itens extremamente situacionais. A DLC aumenta ainda mais esse catálogo. Para jogadores iniciantes, entender quais fusões realmente valem o investimento pode levar bastante tempo.
Outro ponto é que a expansão foi claramente pensada para quem já domina os sistemas do jogo. Quem ainda está aprendendo as mecânicas básicas dificilmente aproveitará todo o potencial da Surgery Machine.
Vale a pena?
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Como expansão, Unholy Fusion acerta porque modifica um sistema central do jogo em vez de simplesmente adicionar conteúdo paralelo.
A nova mecânica influencia praticamente todas as decisões tomadas durante uma partida. As builds ganham novas possibilidades, o fator experimental aumenta e o incentivo para iniciar mais uma tentativa fica ainda maior.
Ela não resolve alguns problemas estruturais do jogo-base, principalmente a dependência do acaso em determinadas runs e o excesso de itens específicos. Ainda assim, o saldo é positivo porque a expansão amplia exatamente aquilo que fez CloverPit conquistar sua comunidade: a liberdade para criar estratégias improváveis e explorar combinações cada vez mais absurdas.
Para quem já gostava do jogo original, Unholy Fusion representa a melhor forma de revisitá-lo. Para quem ainda não se adaptou ao ritmo e ao gerenciamento de recursos de CloverPit, a DLC dificilmente mudará essa impressão.
Nota Final: 8,5/10
Pontos positivos
A Surgery Machine transforma completamente a construção das builds.
As novas fusões aumentam a profundidade estratégica.
Grande quantidade de conteúdo inédito sem descaracterizar o jogo.
Excelente fator de rejogabilidade.
O final secreto oferece um incentivo adicional para explorar todas as mecânicas.
Pontos negativos
O excesso de amuletos torna algumas builds excessivamente dependentes da sorte.
A curva de aprendizado fica mais alta para novos jogadores.
Algumas partidas podem se tornar desequilibradas quando determinadas fusões aparecem cedo.
A expansão aproveita pouco a ambientação para introduzir novos elementos narrativos.
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